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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os meus re-versos

Críck na imagem para migrar pro lado avesso, o meu inverso, meu eu em marcha ré.


Eu tenho um outro espaço, um outro lado. Ele é recente. Na verdade, ele é antigo. Está dentro de mim o tempo todo, mas, só decidi criar um 'quarto', uma caverna, pr'esses tantos do meu ser, à poucos dias. Ainda está em construção. Mas, tudo bem. Eu também estou sempre assim.
Lá, eu postarei as inversões de mim, daquelas que não cabem aqui.
Caberiam se eu quisesse, mas, prefiro lhes contar em outro canto, um esconderijo mais secreto, pra não perder o sentimento, ou o clima, desse grito intimista, uma abafo da garganta, um manifesto em fundo escuro, mas que, quando externado, vai clareando à céus os dias.
O meu coração, por lá, está exposto de outro modo.

Há muita coisa publicada. A grande maioria, também já publiquei aqui. Mas, lá, haverá mais, que aqui, não escreví.
Visite.

Beijo,

Isa.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Deus não existe

Deus não existe! Eu creio nisso!
Ora, Pr'um Deus criador de todas as coisas, até mesmo a existência está debaixo da Sua criação.
Sim. Deus não existe porque a existência é criação dEle, logo, Ele está acima desta, portanto, não existe.
Tal fato existe como uma das maiores provas da limitação da mente humana.
Como compreender a 'existência' de um Deus que está pr'além da própria existência, onde, debaixo dela, todas as coisas existem?
Deus excede todo o entendimento.
D'onde surgiu Deus?
Deus não surgiu, Deus é.
Quem vai explicar tal 'existência'? Nem a própria existência poderia explicar, pois, ela mesma não existe senão como criação daquEle que É, mas que debaixo de existência nenhuma está.
Daí a tal crise da humanidade nas buscas pelas explicações de como surgiu Deus e o universo inteiro.

Ora, o universo surgiu porque Deus criou a existência. O que faz os meios da criação serem pequenos demais para tanto se discutir. O simples fato da existência existir faz com que os elementos necessários para que tudo exista estejam postos, de modo que, onde então, passa-se a existir a possibilidade da vida surgir por sí só, segundo Deus vai soprando e permitindo. Nisso, tanto faz o big bang ou não. Tudo é criação de Deus, uma vez que Ele mesmo criou a existência e todos os modos possíveis pelos quais a vida possa surgir, na liberdade da criação de Deus.

Deus é Verbo que só se conjuga no presente; Ele É. Não há passado, nem futuro, só há eternidade. E essa, não tem começo e nem fim; tudo é um 'Agora pra Sempre'. Ele não está dentro da existência, onde tudo é temporal e se pode medir (apesar de muitas coisas o homem não conseguir nada além de méras especulações).

Pra Deus, a vida é como um gibi de três quadrinhos; em um há o passado, n'outro o presente, e no outro o futuro. Contudo, Deus os enxerga em uma folha só, ao mesmo tempo, de modo em que o tempo pra Ele, não existe. Nada existe pra Deus, porque Ele não está limitado a existência. Porém, tudo existe para Ele, nEle e por Ele, porque são feituras dEle, de modo que, nada pode existir fora dEle e sem Ele.

Esse texto pode parecer um monte de méras repetições ou frases sem nexo.
Mas, o que importa?
Deus é Deus que excede todo o entedimento, porque o entendimento existe, mas Deus, não.
Ele está pr'além da existência.
Ele não surgiu, Ele É.


Isa.


Para uma melhor compreensão dos pontos abordados no texto, de modo subjetivo ou implícito, explore as 'Entre-Linhas': Deus Existe

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Astronauta

Já era tarde quando ela durmiu os olhos, depois de um dia comum. Desde menina que ela se aventurava pelas madrugadas, sozinha, enquanto todos os outros dormiam. Pela noite, entrava em órbita, visitava planetas e conhecia as estrelas. Constelações de pensamentos habitavam sua mente até que os olhos pesavam e o sol apitava. Ela apagava quando o dia acendia.

Mais tarde, continuava a quase não dormir. Levantava com os olhos vermelhos, ardendo por mais umas horas de sono. Mas, o dia lhe chamava. E ia, sem muito querer, ver o dia passar em passos lentos. Tinha um profundo desejo; ver o relógio picar as horas com pressa.

Um dia, em uma das madrugadas vividas, adormeceu os olhos e, antes que o galo cantasse, despertou n’um pulo, no meio da noite, arregalou a alma e, n’um berro do espírito, expirou. Clamou um grito de misericórdia; "Meu Deus, perdoa-me! Porque fiz, porque sou, porque quis." E fora, de súbito, um despertar, na madrugada, de alívio. Num desespero de vida, sem ser n’um tempo tardio, arrependeu-se dos seus pecados e sucumbiu; na relutância do corpo, entre o sono e seus sussurros, outra vez dormiu.

Pela manhã, arregalou-se sem saber se o que vivera havia sido real. Raiou sentindo como Deus; algumas coisas foram lançadas ao mar do esquecimento. Na madrugada, havia morrido pra morte e parido-se pra vida; nasceu. Soube que Deus descansava os olhos e lhe fizera sentir como Ele sentia. Exclamou: "nada me fizera voar por tantos milênios áté este dia. O perdão nos arrebata à outras galáxias, nos acopla à outra energia. Arrepender-me foi-me a maior das viagens. Deus me transportara em sua nave a um outro planeta. Esvaziou-me da poeira do espaço-pecado e encheu-me com seu amor intergalático, feito um raio que alumiou minha alma."

Por isso havia acordado desse jeito, inebriada. Todo pecado é perdoado se vem de corações arrependidos. E Deus, o autor do universo, de fato, lança fora os pecados ao mar do esquecimento. E de tão profundo, é como se nunca houvessem existido.

Ela exultou-se e salmodiou;

Deus do universo, a quem te compararei ?
És tão maior do que as galáxias e os seus mistérios semelhante ao dos buracos negros, mas infinitamente mais profundos.
Quem poderá te medir? Ninguém poderá. Pois, tua grandeza não cabe no universo inteiro.
A tua glória é infinda e a tua luz brilha mais do que todas as constelações em uníssodo brilhar.
Eu sou como o pó que com um sopro se dissipa e se finda. Os meus dias são como a sombra.
Sem Tí, óh Deus, eu mergulho em trevas, me engasgo no viver. Sou folha verde que seca antes do outono e morre.
Os meus caminhos são tortuoso e minhas veredas são errantes porque me esqueci de Tí, e contra Tí pequei.
Meus ossos envelhereram-se e juntamente a minha alma adoeceu.
Sem tí, sou povo obstinado, de coração impuro e de imundos pensamentos.
Mas o Teu espírito me constrangeu, me atraiu à gravidade de Tua órbita.
Tú, óh Deus, és o meu sol. E eu, sou planeta em devastação.
Mas, as tuas misericórdias se renovaram sobre mim e aqueceram o meu chão, fertilizaram o meu solo, potabilizou a minha água.
A tua graça é meu escudo e o teu amor é como o vácuo; me faz flutuar à merce de Tuas mãos.
O Teu perdão me faz um vento; pelo Teu sopro eu vou, eu vôo, vou ao sul de toda sorte onde o meu norte é o Teu querer.
A Tua Paz me embriagou. A Tua vida me fez livre.
Você me faz caminhar por caminhos de infindas boas descobertas.
O Teu ouvir; a minha prece - Decolo em oração.
O Teu amor; a minha paz - Repouso na estação.
Sua astronauta eu sou.


Isa.
__________________________________
Críca pra ver a letra dá canción ->

LETRA



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Invernos Verão

O verão, com toda certeza, não é a minha estação.
Eu faria uma música sobre isso, mas transbordo em suor só de pensar. rs
Eu gosto muito do mar, mas só quando o céu faz sombra na areia.
Daí é qu'eu penso que as nuvens carregam os invernos com elas.
E quando o calor está quase a nos matar, elas chovem os junhos em nós.
Talvez isso explique porque os anos passam depressa.
Ou, quem sabe, isso explique o colapso da existência dos homens.
Andam tão frios, de corações-iceberg. Tão à merce de suas próprias vontades, de suas próprias verdades.
Quem dera eles quisessem ser as respostas das vontades dos outros.
Como as nuvens, refrescariam os mundos com águas de amor.
Seriam mares de sopros de céus. Seriam invernos quando as vidas fossem infernos.
Ventariam consolo nas estações do viver.
Com o amor, fariam da vida um agradável verão.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Es-quadrinho Coração.

Eu sou rabisco, um rascunho e pronto.
A ponta de um lápis cor do céu, um ponto.
S'eu risco um lá, me faço clave, a ave e só.
Um dó que é ré em mí só Lá.
Sí eu fá, Sí eu dó. E se torta eu cantar?
Que tanta forma pro viver.
A gente tem é só que ser, voar.
Minha garganta é rouca, a minha voz arranha
Eu tenho o grave de soar, fininho desafinar.
O artista é morto se é solto o não pensar.
Deixa a alma bater, espernear, atiçar as cordas do cordão.
Corre junto ali, n'algum jardim, pra se molhar.
Deslig'éssa televisão de atrofiar.
Um grande irmão não te vigia, nem por um buraquim.
Mas fecha-um-dura o laço, amigo é de se confiar.
Se todo mundo é crítico, por que não vão se criticar?
Deixa vir a arquitetura torta, a pintura branca, o cantar gritando.
Eu ando um dia de inventar, e de amanhã ninar um coração aguento.
Fará chover o céu, com as estrelas e galáxias, unindo versos todos.
Tem tanta gente boa aí. Tem tanta voz num violão. Con-cordas ou não?
Deixa ser sem amarrar. É no borrar que a vida ganha animação.



domingo, 3 de janeiro de 2010

Alegria que surge.

Sonhei assim, que era mãe. Sem jeito com a maternidade, de repente, uma menina estava em meus braços. Era linda. Linda menina minha. Sorriu. Encaixou-se em meus braços como um filhote se aninha junto a mãe. Eu não soube, em um primeiro momento, como chama-la. Apenas olhava. A sensação era a de que, ainda que todas as galáxias passassem e os planetas explodissem, jamais deixaria de queimar o amor em mim, por ela. Pequena flor. Meu peito riu-se ante ao riso dela. Menina minha. Vem pra cá, pro cuidado meu. Te chamarei Minha Filha. Teus olhos me seduzirão por toda a vida à escolha de te amar, sem que eu possa escolher um não assim. Tú serás poesia, versos meus. Canção de Deus à mim. Rimas finas de uma vida em gênesi, por toda a eternidade. Te direi que és Linda, filha, amada. Te contarei as histórias do viver, sem te poupar do amor e da ternura nas palavras. Suas palavras serão preces, de tão castas. Deus te ouvirá e serás como um brilho amarelo em meio ao céu. Seus braços serão asas, a tua alma, coração. Voarás com o vento que te sopra. Aquele que te deu a mim, te levará em um piscar. Assim como me deste, me tomará. E eu te sentirei em brisa no meu peito, aonde quer que vá voar. Chamei-a Alegria.


(O dia em que um sonho fez surgir uma menina. E a menina fez, num sonho, surgir os dias.)


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Estória de Natal - Reflexões de Pedro. III

E quem não gosta de Peru? Não gosta de Natal? Eu sempre ouço alguns dizerem que o Natal é um aniversário. Mas, alguém sabe ao certo o dia em que nasceu o menino? E se não for nesse dia 25? O Natal acabaria? No livro qu'eu lí, contam da história dele. Falam no nascimento, mas não se preocupam com datas. Ninguém citou o dia e nem a hora. Acho que é porque ele sempre vem assim, sem que ninguém saiba de nada. Vem chegando e tudo é festa. Houve até uns reis do Oriente. Levaram presentes e tudo. Mas, no fim, o menino é que se faz assim, presente de Deus. Você sabia, Pedro? Deus não é Noel e nem Peru; Ele é menino. Quando eu ouço o nome dele, meu coração fica apertado. Bate um amor em mim. Você sente , Pedro? A minha alma fica tão quentinha. Ai, o Natal vem sempre. Ele acontece nos corações da gente. Por isso que não há neve. É que tudo está aquecido em nós de tanto amor pelo menino e do menino por nós. O Natal sempre chega todo dia, e a gente comemora o nascimento do menino no coração da gente.
É tanta graça nas manhãs.


Fiz uma canção de Natal.
É bem curtinha e chama 'FESTA'. Mas não é a da Ivete. É a do meu coração.
Tem um menino dentro dele que faz os natais serem cheios mesmo que não haja ceia, não tenha música, nem comida ou bebidas, e até mesmo que eu o passe só, ainda ssim, não estarei sozinha.

~> Festa <~

Hoje é dia de graça.
O Teu filho menino já chegou.
Hojé é dia de amor e paz.
A alegria de Tua glória me tomou.

E hoje há festa em meu coração.
E hoje a fé está em Você.

[Isabela Pizani - 23/12/2009]

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estórias de Natal - Reflexões de Pedro II

Do samba eu gosto. Mas acho muito ruim como as pessoas ficam durante a festança. Dizem que são as bebidas. Deve ser porque eles se vestem de latinhas! Tem gente que morre com tiros de dedos que abrem seus lacres. Perdem mesmo a cabeça. Que desespero, imagina? O carnaval acaba mais cedo pra sempre. Não era pra ser uma festa cheia de alegria? Que nem o Natal, não é, Pedro? Muita alegria, amor e paz. Aí, pena que aqui não neva. Daí, o Natal nunca chega. Ah, mas tem coisa errada aí, viu, Pedro. É, eu ví na TV. O natal vem todo ano. Roupas chiques, uns presentes. Todo mundo aguardando a meia noite pra comer o Peru. Será que Natal significa isso? Festa do Peru? Esquisito, não é Pedro?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Estórias de Natal - Reflexões de Pedro.

O Natal tá chegando, não tá, Pedro? E ainda nem começou a nevar. Estranho. Já até vestiram o papai noel com blusa. Como ele aguenta? Aqui faz um calor! Dizem que os gordinhos sentem menos frio do que os magrelas. Será que a barriga dele é de mentira? Se ele é gordinho, deve comer bastante, mas por aqui quase nunca tem comida. Quando tem, é em outra ocasião. Minha mãe chega até a ganhar uma cesta, bem básica. Chamam essa festa de eleição. Vem de 4 em 4 anos e é perto do verão.
Dizem que quando chega a neve, o natal também vem junto. Você acredita, Pedro? Eu ví num filme. As mesas eram fartas, as árvores enfeitadas com estrelas amarelas. Tinha até umas crianças vestidas de embrulhos, e umas caixas revestidas de crianças. Que confusão, não é? Parecia tão esquisito. Será que a gente ganha cesta? Na TV eu ví assim: "Compra no Natal pra pagar no carnaval". E a Neve que não vem. Ixi, será que ano que vem também não vai ter Samba ?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quando os pensamentos voam e os olhos incendeiam

(Pensamento soltos. Sentindo os sons ao meu redor, as energias que emanam.)


O diabo é o diabo. Os demônios são os demônios, todos do diabo.
Deus É. Jesus é Verbo. O espírito é sopro.
Todo o resto é apenas o que é e, sendo, poderá ser daqui ou acolá, caso se perca em engano de ser.
A criação é vida, povo, viva. Semelhança do criador poeta. Lírico Pai de orfãos. Amor que adota a cria. De modo que, tudo, sendo criado, pertence ao seu dono, posto que nada foi vendido ou roubado, contudo, em nada esteve acorrentado.
Ora, o que é sanidade, sabe. O que é loucura, sabe de outro modo.
A sanidade tem olhos de criança. É cheia de sois azuis, árvores roxas, homens-palitos, jardins e primavera.
A loucura, ora, é cega dos dois olhos. Faz de tudo um diabo endemoniado no ser da existência.
O que é diabo, é diabo. Porém, o que não é, torna-se assim, endiabrado pelos olhos de quem vê.
A possessão contorce o puro, distorce o limpo, o vinho, o pão, a cruz.
Não há ressurreição. Os sois são negros, de raios ultra-violentos. A vida vira a besta do Mar morto, emergida dos infernos de uma alma mórbida, alquimista de 2 rabos, 9 olhos, 3 cabeças. Hercúleo do diabo.
Arreda-te de ti tal macumbaria. Ora, quem assim enxerga faz da vida um vodoo de seu próprio ser e o entrega ao diabo, o próprio.
Ora, Deus É. Jesus é pão e vinho. O seu corpo é cruz, é verbo, espírito de luz e vida.
Vai, feito menino, corre pelo chão, de pés no pó que tem a terra, levando o cesto de 2 peixes, cinco pães e um só grão. Amarelado e ardido, moverá as serras todas. As montanhas andarão, dançarão o baile doce. Ah, eterna mansidão.
A sabedoria não é tola. Se alegra com a verdade.
Vê tudo como tudo é.
A loucura, a sí mesma engana, como a maior das sanidades.
Os olhos incendeiam o corpo inteiro, quando se incendeiam os olhos do corpo.
Mas, se o olhos são refrescos, a alma tem descanso.
Tudo é apenas o que é.
O sangue é a misericórdia de todas as manhãs.
O diabo é o diabo. Os demônios são os demônios.
Deus É. Jesus é Cruz, é vinho. O espírito é verbo e pão, num sopro.
O resto todo é apenas o que é.
Se os olhos endiabram, tudo o que se olha, diabo é.
Se as candeias forem puras, os olhos, iluminam o corpo com sabedoria , pois tudo é bom e para o bem quando o espírito tem olhos de criança.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dos mistérios que se entendem na alma, sem poder explicar.

Perguntaram: "Quem criou Deus?".
Ela não soube responder.

Nessa hora, estranhamente ela soube: Deus existe!
Foi, e contou a todos que encontrou no caminho.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Varanda, Conversas e Saudade.

A saúde já não estava lá aquelas coisas. Tanta debilidade do corpo fazia externar cada vez mais fragilidade. Os dias haviam ficado menos agitados, sem tantas atividades. Passava a maior parte do tempo descansando deitado, fosse na rede, no sofá ou na cama.
O Neto, que o admirava desde a sua criancisse, o olhava com o coração temeroso só de imaginar sua partida, mas bem sabia que não tardaria em chegar. O avó demonstrava tantos sinais de que já quase não vivia aqui nesse mundo, mesmo estando por esses lados ainda. Era como se já estivesse com Deus, só esperando o corpo apagar de vez.
Nesse dia, estranhamente, o avó, porém, aparentava uma vitalidade não vista nos últimos dias. Tanto que foi capaz de sentar-se na cadeira na varanda. E lá estavam, enternecidos pela companhia um do outro, tomando caldo de cana moído na hora no sítio, e com uma bandeija de bolo de fubá, daqueles que formam uma casquinha crocante e tem uma farofa doce por cima, especialidade de sua velha senhora, tão companheira em todos esses anos.
Após um longo período de contemplação da paisagem, sem nada dizerem um ao outro, mas aconchegados na ternura dos olhares de ambos, cheios de sinceridade, o neto, enfim, pergunta:

- Vô chico, você tem medo de morrer?

- Eu não tenho, não. – disse o velho com voz mansa e embargada pela sua fragilidade.

- Mas todo mundo tem medo de morrer. Tanto que ninguém quer isso. Por que o senhor não tem?

- Ah, rapaz, depois de uma vida inteira dessas, a gente vai entendendo que a morte é só mais um acontecimento natural da nossa vida. Não se pensa em morte como MORTE. Apenas como qualquer coisa qualquer. Como é nascer, fazer aniversário, visitar um amigo, comer um bolo.Assim também é morrer. Um dia, a gente morre mesmo. Mas isso não é nada. É apenas um processo que temos que passar. Mas, a gente continua vivo lá com Deus, onde a gente jamais deixa de viver. É quase como se a morte nem acontecesse. Mas a gente tem que passar por ela pra chegar lá de vez.

- Ah, então ela é como um ônibus!

- (Risos)É, como um ônibus. Sem pegar ela, a gente não sai daqui, mesmo já estando lá bem antes de morrer. Na minha idade e doente como estou, eu tenho medo é de durar muito mais tempo aqui e...opa...Lá vem a sua avó. Não posso deixar que ela me veja assim. Senão vai descobrir que estou velho. rs

- (risos)Tenho uma notícia, vô: ela também está. Rs

- E continua bonitona, não é? Rs

- (risos) É, é sim.

Riram, como sempre costumam fazer quando estam juntos. Silêncio outra vez. Um pássaro cantou, o Sol andou alguns graus no céu, rumo ao entardecer. Permaneciam ali.

- A Dona Cristina, aquela mulher meio maluca da igreja, disse que não era justo que o senhor estivesse passando por isso. Que o senhor não deveria estar doente, pois sempre foi uma pessoa muito boa. Sempre ajudou os outros, foi honesto, e que não merecia nada disso agora. Ela disse que estava orando pra Deus curar o Senhor e que, como Deus é justo, ia ter que atender. Eu não soube o que dizer pra ela. rs

- (risos) Essa dona é maluca mesmo, meu filho. Esses dias ela apareceu aqui e falou a mesma coisa pra mim e pra sua avó. Mas tudo isso é besteira dela. Como pode ser injusto que um velho como eu sofra das doenças da velhice? Eu fui bom? Merecedor de que? De viver até aos 100 anos? Se fosse por justiça ou dignidade de alguma coisa, eu estava perdido. Eu e todo mundo aliás. Não há um que seja bom na terra inteira. Essa mulher não sabe o que diz. Rs Está ficando gagá, como o seu velho aqui. rs
Imagine só, orar pra que um velho não tenha as doenças de velhos. Que injustiça há nisso? É como orar pra que o sol não esquente ou ilumine o dia, que a água não refresque, que o vento não ventile ou que o bolo de fubá da sua avó não seja bom. rs. A gente, como gente, está sujeito a toda sorte de coisas possíveis de sobrevir a nós. Assim como as crianças estão sujeitas a cair e se ralarem inteiras, os velhos estão sujeitos às doenças da velhice. Imagine só. Eu vou lhe avisar, meu neto, você ainda verá essa mulher orando pra Deus lhe restituir os dentes da boca, porque ela achará injusto que uma velha fique banguela, tendo sido tão boa na vida. rs

- (risos) É vô. Daquela ali eu não duvido de nada, não. Rs

- Ah, de todos os espinhos da idade que me espetam na carne, a graça de Deus é o que me basta, meu filho. A graça. Eu quero é sossegar.

Uma pausa pra comer um pedaço de bolo e tomar um copo de garapa gelada com limão. Um suspiro fundo e:

- Vô, mesmo sabendo de tudo isso agora, quando o senhor for, se eu chorar, não vou estar sendo “maricas” por isso, vou? rs

- (risos) Não. Rs. Mas não lamente a minha morte, filho. Saiba que não deverá tardar em vir essa hora. Já estou cansado, fraco, em paz e pronto pra ir. O meu Senhor me espera lá em cima. Não há porque interromper o processo.

- É que eu sentirei saudades de você, vô.

- Eu também, Bruninho, meu neto. E esperarei ansioso por você lá no céu. Mas não me vá querer ir depressa, se não sua mãe me mata, mesmo eu estando já morto. Rs

Bruninho sorriu da piada do avô e o abraçou. Ficaram assim um bom tempo, juntos.
Na madrugada, um anjo veio visitar o Seu Chico. É que ele tinha um encontro com o Homem com quem vinha conversando há alguns dias e o anjo iria consuzi-lo até lá. Quando encontrou o homem, a sensação foi a mais indescritível. Uma mistura de paz e euforia, saudade seguida de presença preenchida, sossego e descanso, e uma forte impressão de que já estivera ali, de alguma forma. Na manhã seguinte, os familiares e amigos chegados foram avisados do ocorrido. Bruninho, porém, não ficou surpreso. Sabia que o ônibus havia passado e seu avô embarcou. Sentiu apenas escorrer pelo rosto uma lágrima. Não se sentiu “maricas”, apenas cheio de saudade.


Isabela Pizani.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cavalos, salsichas, anjos e demônios.

Nos filmes para TV, nos interiores das casas e nas angústias das almas, nos Estados Unidos, conta-se uma história que diz que os cavalos, quando caem, eles quebram as pernas, e aí, já não prestam pra mais nada. É preciso mata-los.
Depois de mortos, os cavalos viram sansichas. As donas de casa compram as sansichas e fazem lanches pros seus filhos. As crianças pegam o lanche com as sansichas, comem e viram cavalos.

Semelhantemente, em uma outra história, a cena se repete, mas com aspecto de poder destrutivo.
Um anjo, quando quis ser o próprio Deus, caiu e quebrou as asas. Quando os anjos quebram as assas, viram demônios de asas quebradas. Já não servem mais para o céu. Aí, eles passam a vender pecados gratuítos afim de se sustentarem com força. O homem, que gosta mais de anjos do que de Deus, compra os pecados, cria asas quebradas, tenta ser Deus e vira demônio.

Qualquer semelhança com a vida real, não é méra coencidência.


Um Beijão, Isa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Terra, Marte, Lua, ricos e Pobres

Conta-se a história, por todo interior paulista, sobre o sábio Seu Adão, que por causa desse nome já sofreu inúmeras injúrias dos religiosos que remetiam o nome à pessoa que distraidamente, como acham, deixou a mulher dominar-se pela serpente e ele, perdidamente apaixonado veio a sucumbir ao pecado de morder o fruto proibido.
Seu Adão, paulistano, era bem diferente do Adão dos primórdios. Quando sua primeira esposa faleceu, ele juntou os cacos de seu coração, abençoou os filhos e foi namorar. Descobriu Dona Julieta num desses forrós de bairro, e não precisou muito para conquistá-la. Entre um passo e outro e uma apertadinha ao dançar, Dona Julieta se derreteu ao encanto daquele homem e muito mais à sua cordialidade. Tratava a todos com respeito. Ainda era um daqueles raros homens que abria a porta de sua Variant verde-limão, puxava a cadeira num restaurante e dava vez à mulher ao entrar por uma porta.
Mas quando Dona Julieta, que tinha nome de Dona e sobrenome Julieta, descansou, Seu Adão, viúvo pela segunda vez, consolou os parentes e foi viver só, no campo. Dizia ele que os velhos e a natureza combinam. Um entende a dor e a solidão do outro.
Dizem que foi o Seu Adão que espalhou essa história.
A história de quando os ricos mudaram de planeta.
Foi num ano desses de dois mil e alguma coisa. O Brasil aguardava ansiosamente por jogos de futebol e olímpicos em sua terra, um presidente negro norte-americano ganhou um prêmio, tal de "Não Bel, dá Paz", mas o que mais lembrava aqueles anos, era o anúncio do jornal: NASA descobre água em Marte e diamantes e petróleo na lua.
Imediatamente a notícia se espalhou. Entre os pobres era só boato. Alguns, como o Firmino, Tonhão, Nenê e Odair nem acreditavam na existência de outros planetas. Eles queriam mesmo era saber o resultado do campeonato brasileiro e tocar a vida mansa de inteior, ou melhor, periferia interiorana, já que eles moravam nos bairros distantes das cidadezinhas.
O mundo pegou fogo quando os jornais estamparam as fotos de uma jazida de ouro na lua. As agências de viagens fecharam pacotes, as empresas de aviões inventaram foguetes, os agentes imobiliários vendiam terrenos, dizem as más línguas que até uma igreja que possui um canal de TV, montou um projeto missionário e lá plantou 318 templos.
O mundo rico, depois de 5 anos, havia se mudado. Era chique viver em Marte, perto das celebridades. Muitos que haviam ido à lua, haviam enriquecido com tanto ouro! Quantas meninas se realizaram vivendo no mesmo quarteirão dos astros de Hollywood! Inventaram Shopping's, uma só moeda com o rosto de um extra-terrestre e uma frase: "In ET'$ we trust". Carros, casas, saunas, ternos de grife. Espelhos por todas as partes para satisfazer os narcisistas. Toda a chiqueza da qual os ricos e poderosos precisam.
Marte e a lua se tornaram o centro do planeta.
A Terra fora abandonada, bom, não assim, exatamente.
Só ficaram aqui aqueles que não tinham condições de pagar uma viagem para o espaço. Os ricos nem ligaram, alguns até disseram: Que eles não venham roubar nossas casas, sujar nossas ruas, invadir nossas fazendas lunares!
Seu Adão disse que os pobres se organizaram. Decidiram que não haveria guerra, dividiram seus campos, uns ajudaram os outros a construir suas casas, plantaram e cuidaram da terra, da natureza. Sem a exploração da Amazônia, algumas espécies em extinção voltaram a crescer, voltaram ao habitat natural. O homem cuidava do mundo ao seu redor. Plantaram árvores, limparam rios, derrubaram barracos e construiram um puxadinho, houve equilíbrio ecológico e até os tufões deixaram de assombrar a Oceania. Os velhos ensinavam as crianças e as crianças não trabalhavam em minas de carvão como antes, depois das aulas elas brincavam de pique-esconde até o entardecer. Com a ajuda de médicos vindos do oriente, alguns com barba de cubano, e muitos indígenas brasileiros, descobriram a cura para o câncer e muitas outras doenças. Não vendiam a cura, mas buscavam sempre a opinião de uma criança sobre como proceder com amor.
O mundo nunca foi tão simples e a vida nunca foi tão bem vivida.
Mas o seu Adão conta, que lá de Marte, as pessoas sintonizadas em Aipode's e internet de última geração, por um tal de satélite do Gugol, coisa que ele não sabia pronunciar direito, viram os avanços da Terra. E quando souberam das curas das doenças, organizaram um exército, com a ajuda de alguns seres criados por um tal de Jorge de Lucas - dizem que ele foi um cientista que criava bichos esquisitos e fazia com que eles aperecessem na TV para assustar criancinhas ricas - e lograram um tema: Guerra nas estrelas! Voaram em foguetes na direção da Terra e lançaram projéteis sobre as vilas, matando inocentes, os seres esquisitos engoliam as pessoas sem mastigar, e com a força das armas, roubaram a cura das doenças. Quando souberam que a cura estava nas plantas da Amazônia, criaram um esquema de invadir a Floresta, esse plano se chamou Dom Pedro 1, ninguém sabe o porquê. Mas se sabe que muitos indígenas foram mortos e tiveram suas aldeias destruidas. Na volta para Marte, resolveram passar no leste africano e levar algumas pessoas como escravos. Também levaram orientais para trabalhar em suas fábricas de tênis, já que os robôs haviam criado vida própria e se rebelavam. E para não levar suas bombas de volta à Marte, jogaram-nas sobre o Afeganistão, o Iraque e a Palestina, ato que ficou conhecido como "Guerra ao terror", ninguém sabe o porquê.
Os que não morreram ou foram levados, ficaram escondidos no que sobrou da terra:
Uma antiga fazenda de recuperação, no estado do Goiás, no Brasil, fazenda da época de dois mil e alguma coisa. Os ricos nem passariam perto de lá. Naquela época, aquele era um lugar de drogados, soropositivos, prostitutas, travestis, crianças de rua, moradores sem terra, cabeças-chatas, negróides, pecadores, leprosos, aleijados, desequilibrados mentais ... gente que contamina o planeta na opinião dos agora moradores de Marte.
Começaram a se organizar de novo, plantar árvores, cuidar dos animais, dividir o pão, curar doenças pela força do amor. Um tal de Grandhe, homem careca e baixinho, vivia estimulando a rapaziada a permanecer em paz! Lembrem-se de Deus que virou gente e disse: bem aventurados são os que procuram a paz - ele dizia. E isso contaminou cada coração.
A arma era o amor, mesmo porque eles não poderiam enfrentar um exército de foguetes com paus, pedras e bambús.
Alguns mais desajuizados até pensavam: Vou ficar em paz sim, mas torcendo prum cometa passar por Marte, resvalar na lua e nos fazer justiça.
Outros, como o Seu Adão, pensavam que o melhor lugar para se viver, não é um lugar, lugar mesmo, onde pisam os pés. Mas onde existe amor. Ele morreu citando as palavras dum poeta, com nome esquisito, Robert Southwell, dizem que ele era gringo, mas ninguém sabe de qual gringo era ele. "Eu vivo, não onde respiro, mas onde amo".
O cometa passou ...
Mas como pobre é azarado, bateu em Marte, resvalou na lua e acertou em cheio a Terra.
Ninguém ficou para contar a história.

Gito.


(O Gito é um amigo que também tem um BrÓg. Di-GiTo(e): www.giito.blogspot.com)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Visitas

Ele voltou e veio acompanhado. Sentí sua presença. Sem alarde, passou pela parede e postou-se agachado, encolheu suas asas e, mãos no queixo, observou, como fazem os humanos quando querem enxergar além do que os seus olhos podem ver.
Logo vieram os outros. Menores, com semblantes infantis, eram como sopranos num grande coral. Seus movimentos se fazem como um falsete ou uma flauta. Se colocaram desordenadamente pelo quarto, e como crianças, se esparramavam ora sobre o guarda-roupas, ora sobre o colchão. Não encolhiam suas pequenas asas. Pés descalços, transmitiam paz, olhos vivos e observadores, traziam a vida. Arrisquei-me por perguntar seus nomes, sem pronunciar qualquer palavra. Os pensamentos fazem a vez da voz quando eles nos visitam.
- Você - apontei para o ser que quase via sentado na cama - Qual teu nome?
- Sossego, ele disse com voz mansa. E de seus lábios emanou o sossego para o meu coração. Como uma canção doce.
Outro, se ajeitou na cama, como que ansioso por minha pergunta:
- E você, pequeno ?
- Sou Descanso.
Trocou a posição das pernas como fazem os humanos e prosseguiu:
- Você sempre pede a nossa presença, mas nem sempre a percebe.
Eu sorri, para que ele pudesse entender que eu concordei.
Ele baixou os olhos e concentrou-se em outros pensamentos.
Olhei para o maior deles, que agachado, se mostrava maravilhosamente belo, levantou-se e sua expressão se tornou séria, mas não repreensiva. Suas asas se mexiam lentamente, seus cabelos eram como o ouro, e sua voz soou esquisita, quando disse:
- Você não deverá saber o meu nome. Se souber agora, talvez isso venha a ter consequências desastrosas para você. O importante é você saber que não somos os únicos que te visitamos.
Levantei com o pescoço dolorido, parte do meu rosto sentia um formigamento, meus braços serviam de travesseiro sobre o teclado do computador. Na tela, letras formavam palavras sem sentido que foram digitadas pelo peso do meu corpo. A luz do monitor era a única iluminação no fim da madrugada. O sol despontava no horizonte, mas incapaz de iluminar o recinto.
Lembrei-me do sonho esquisito. Lembrei-me de Sossego e Descanso e das palavras do desconhecido: ... não somos os únicos que te visitamos.
Um barulho de asas se ouviu próximo à janela. Levantei curioso e com imensa dor no corpo.
Uma pombinha se equilibrava sobre o portão de madeira. Trazia no bico, um ramo.

Gito.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DoS HoMeNs QuE PodEMoS SeR e Da JustIçA qUe NãO NoS É JuStA

De um lado.

Ensinaram-lhe que deveria fazer como se fosse o próprio.
Assim, enquanto olhava, bem mirado, projetou-se nave.
Desacoplou de seu compartimento-base. Num estouro, explodiu em direção ao alvo.
Percorreu viajante o caminho desimportante, focado, veloz que nem se via.

"Seja a bala" - sussurrava-lhe as vozes do sitema que o domesticou assim.
É pelo bem da população.
"Eu sou a bala" - Concentrava-se em aplicar o que aprendera um dia.

Enfim, terra inimiga a vista: vamos penetrar.
Ao tocar o solo-pele, rasgou-o como se fosse um fino papel. Esfolheou-lhe o couro. Arrancou-lhe o sangue. Perfurou as chapas de cálcio-crânio que protegiam o núcleo-cérebro.

Na mosca.
Aterrissou num metal-placa de portão de casa. Vinho, como as plaquetas escuras do sangue fresco pelo chão.

O dia livre.
Herói pela concepção estranha de justiça e certo.
O Civil salvo.
Missão completa.
Saiu da nave.
O homem-bala.




Do outro lado.

Apreensão. Desnorteado, extravazou no erro.
Se power-transformou em homem-bomba, em terrorísta da sua própria vida.
Ficou tomado pelo diabo da loucura. Inferno em sí mesmo. Desesperou-se agarrado à vítima. Explodiu-lhe a sensatez-Humana. Endoideceu no ser.
Nada se sabe da sua existência. Consideraram em preservar-lhe a vida.
Angustiava-se aguardando o fim. Foi preso. Pelas entranhas de sua alma só, foi pego de surpresa. Esquecido, odiado. Acharam justo a decisão.

Em um vascilo só: Pá! - Sem dó.
Miolos pelo chão. Mil olhos na televisão.
Satisfação de alguns.
Disseram: É menos um!

O Civil salvo.
"Bandido, ladrão, sem-vergonha e folgado" - Assim julgado sem pré-disposição em conhecer-lhe a história.
Maldito dia de surto.
Missão Failed.
Morreu na guerra.
O homem-bomba.




Isso é pra dizer como eu jamais entenderei as soluções desses meus dias.
Todo tiro certeiro deveria ser luto em todo ser humano, por não acharmos solução capaz de preservar as vidas. Ao contrário disso, a gente bate é palma.


Entre bandidos e mocinhos, matar ou morrer, eu fico é com a justiça que não é dos homens.


Maranata!



Isabela Pizani.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um CoNtO Do SabEr

Naquela manhã, levantou cedo. No despertar do próprio dia. Arregalou os olhos mal dormidos, avermelhados, insônia companheira. Perambulou o quarto todo, a casa toda, indoidecido de saber. A sua mente estava gróg, com pensamentos embriagados. De tanto tempo que não dormia, já nem sabia se era noite, ou será dia, se tinha hora.

Na cozinha, bebeu um café frio, ruim, que o diabo tinha feito. Lembrou-se da vida, dos dias que antecederam seu declínio na existência. Já tinha feito todas as coisas, foi deus de sí mesmo, no trono do seu ser.

De súbito, sentou-se no chão, encostando-se na parede, ao lado da pia. Coçou a cabeça e indagou, ao berros: “Quem me livrará do corpo desta morte?”

Ele sentia as tripas contorcerem-se dentro de sí, o estômago embrulhar e os dedos dos pés encolherem-se até estralar os ossos. Sangrava sabedoria de morte. Desejou não saber de mais nada, deixar se esvair pelo ralo do universo tudo o que possuía. Flertou com a morte, com o diabo, ao murmurar de sua condição, dizendo: “Deus, você não existe. Se assim não fosse, porque de tanta angústia morro em minh’alma?”

Em um momento, em um inesperado instante, disse-lhe Deus, num sussurrar de sopro pelo vento: “Não há na terra e no universo, maior tolo que você. Tornou-se cético pelo saber, diabo de sí mesmo. Ainda que não se lhe fechem os olhos por toda a eternidade, não poderá me ver se não entregar-me a sua alma. Sou Deus que excede todo o entendimento.”

Ficou pasmo. Asmo. Silenciou-se. Surgiram-lhe os primeiros sinais de conciência sã-nta. Raciocinou: “Miserável homem que sou. Bestifiquei-me pelo saber. Intelecto demoníaco. Tornei-me sábio dentre os homens, doutor de toda ciência, mas leigo na alma, no espírito e conciência. Todo entendimento me foi ocultado. Rastejei-me pra morte, abriguei-me no abismo do falso conhecimento. Correntes do cão. Alimentei-me de loucuras vãs, como os porcos.
Mas, agora, se me abriram os olhos. Misericórdia do Deus qu’eu não cria. Euréca. Mal posso explicar tanto alívio. Libertaram-me as asas. Sou pássaro livre.”

Naquela noite, foi deitar-se cedo. No adormecer do mesmo dia. Fechou os olhos cansados, descamados de toda cegueira, sono profundo de paz. Sonhou com o céu do outro dia, um azul de repousar a cabeça. A sua mente estava leve, pensamentos soltos, sóbrios. De tanto tempo que não vivia, morreu eterno sono de vida. Só sabia que a noite ou o dia não tinham tempo, excediam as horas. Acordou, o café estava fresco. Novo dia. Seguinte de Deus.


Deus é.

Isabela Pizani

terça-feira, 14 de julho de 2009

CaSTaS NaRiNas




A boca fala do que o nariz está cheio.
Sim, pois, pelo nariz, o mundo entra na gente, e nos entope.
Mas não, prefiro ficar sem fôlego, do que explodir de respirar o mundo.

Por isso, me refugio no choro.
Ah, sim, pois é no choro que o nariz escorre,
lançando pra fora da gente os infernos do mundo.

Que todos, juntos, justos, chorem comigo.
Reguemos o chão dessa terra
com vida de dentro pra fora.
Como, desde o princípio, haveria de ser.

E que seja sal toda lágrima que jorrar em sangue, pela vida.
Afim de temperar o mundo e as histórias sem-tempero.
Óh, enfim, livres e castas narinas de nossas almas.


Nele, que de fôlego de vida nos encheu as narinas, e que, do mundo, tudo respirou por nós, afim de nos desintupir para o amor e eternidade...

terça-feira, 16 de junho de 2009

ÁciDO, PoDer e MiúDoS



Enquanto toda a ânsia pelo poder for apenas para garantir que ninguém mais possa nada, além de você mesmo, então, nada do que for feito, de fato, valerá. Sim, pois, quem, desejando fazer pelo outro, não deixa-se de lado e usa do poder que possui para realizar o qu'é bom? A verdade é que não há quem queira que, podendo, não faça. Bem como há quem, muito querendo, faz, mesmo sem muito poder. E não importa se alguém o verá.

Mas digo logo, o que se precisa não é de boa administração do poder, mas sim de amor, que tudo pode e transforma.
Sim, o amor é, de tudo, o que mais se pode achar de poderoso nesse universo.
Nada do que se faça está ligado ao que se é, se não houver amor. As palavras, sem amor, são como folhas ao vento que significam qualquer coisa e não tem significado nenhum. As canções tornam-se ruídos como de giz em lousa, unhas no isopor.
Arrepiam os ouvidos. Inflamam o coração de feridas.

Que ensinem o amor, que tem o poder da transforma-ação.

Que proveito há no fazer que não se faz se não pela auto-boa-imagem ?
De que valerá todo poder no viver se a alma desfalece de morte e amor?

De toda sorte, é gente comendo gente, engolindo vidas, mastigando sonhos e vomitando indiferença. Enquanto a nossa vivência for lançada à órbita de nosso próprio umbigo, nada valerá e seremos cheios do vazio do espaço-tempo, vagos até mesmo nos pensamentos, vivendo pelo vácuo, sem o movimento da vida.
Corre o relógio, tudo envelheceu, inclusive a alma.

É certo que, enquanto vivermos assim, acabaremos engolidos pelo nosso próprio estômago.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

TecnOloGia EnCefÁliCa EcleSiaL ?



Alguém ligou o monitor. Às 19h em ponto.
Todos olham, alienadamente, pra edição limitada que passam na TV dos púlpitos.
São todos conjutos de células-membros-digitais, controladas por organismos submissos ao cérebros-sacerdotes.
Cheiro de neurônios queimados no ar. Alma'marrada. Regorgitam mentiras-de-última-geração.

A liberdade foi capturada. Anda torturada em calabolços teológicamente corretos.
São as leis. O que é incompatível ao sistema operacional, segundo a doutrina, não pode ser instalado. Executam a exclusão.
No cideral das mentes, o espaço foi reduzido. Lançaram um mini-satélite pra mapear a massa.
Os cérebros-sacerdotes precisam que seja assim. Não querem perder nem uma porcentagem da massa encefálica. Eles não poderiam continuar a viver caso asteróides de libertação atingissem seus planetas-dos-macacos.
Ficam desorientadamente nervosos quando suas células-membros recebem injeção do líquido VL, que é um anti-coagulante do sangue-mente. Atrofiam e paralizam.

Nessa eutanásia é que querem mante-los, feitos BRP's. (Bonecos Robóticos Programáveis).
Vegetam, os céulas-membros-digitais, em estufas bem arquitetadas, com tubos de respiração com ar do riso, do leão. Um verdadeiro Show. Tecnologia esclesial. Ó, como nos "velhos templos".

Repare: Os aparelhos ainda marcam um batimento cardíaco-racional, fraco, mas existente. As almas desejam ser libertas.

Hey, não fique aí parado, hipnóticamente indiferente aos programas da TV, sejam pentecostais, ortodoxas ou renovadas.

Peguem o gerador e cortem a energia do local.
Vamos entrar e usar o desfribilizador.
Precisamos despertar as vidas de tais macas.





Os desfribilizados, então, viram e ouviram um cochicho: "Graça e Paz seja com vocês"