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quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Grande e o Amigo



Certa vez, os discípulos perguntaram pra Jesus sobre qual deles seria o maioral.
Jesus respondeu, dizendo: Maior é aquele que Serve.
Aquilo deu um nó na cabeça deles todos. Talvez isso lhes tivesse causado desânimo, ou frustração, ou desapontamento. Talvez não fosse isso o que queriam ouvir.
Quem sabe, a resposta esperada era: Será você, Fulano.
Afinal, aquela era uma resposta um tanto esquisita de se receber. Como poderia ser grande aquele que se fazia o menor ?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quando a Vida vir'um Bordel.




Dos líderes que estupram a fé, das téologias que abortam a paz, das orações que dilatam o ego, das caridades que escomungam o amor;


- Nasceu, nasceu o filho da Puta. - Gritavam os frequentadores de bordel.
Alguns, afim de saber se eram o pai, perguntavam, afoitos, de que Puta se tratava, para já agilizarem o esquema de não assumir a criança. Outros nem perguntavam nada.
A Puta que pariu, era jovem e deu à luz um menino, que logo foi amamentado.
As outras mulheres do bordel iam visita-la na maternidade e levavam flores, pequenos presentes-lembranças pelo nascimento do menino. Paparicada criança. É que entre elas, o menino não era o filho da Puta, era apenas o filho, e ela, não era a Puta, era apenas a mãe, como qualquer outra mulher que dá à luz uma criança.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Silêncio e Fascinação

Tenho amigos que me ensinam muitas coisas.
Um deles, a quem, confesso; o tratava com desconfiança no começo, hoje me acompanha boa parte do dia. Seu nome é Silêncio.
O Silêncio, me apresentou sua namorada, a Fascinação.
De cara, ela me mostrou detalhes, momentos, faíscas, pessoas, lugares, jeitos e rachaduras que eu jamais teria percebido sem a sua ajuda.
Hoje, somos grandes amigos.
Fiz minhas as palavras de Abraham Heschel, dirigidas em seu leito de morte a um amigo: "Sam, nunca em toda a minha vida pedi a Deus, sucesso, sabedoria, poder, ou fama. Pedi fascinação, e ela me foi concedida."
E agora, muitas vezes, me flagro: embriagado com alguma coisa que me encha os pulmões de oxigênio, os olhos de lágrimas e a boca de júbilo. Tenho sido constantemente flagrado pronunciando algum palavrão sem saber expressar o que sinto por dentro. O palavrão é por não saber o que dizer. Ele vem suave, escorrega da língua aos lábios, e é pronunciado na mesma intensidade da minha fascinação.
Lembro de Rubem Alves, o velho mineiro, meu amigo. Não somos conhecidos. Somos amigos pela leitura. Sou amigo de Rubem Alves assim como sou de Paulo, de Nietzsche e de Clarice.
Rubem Alves costuma dizer que "sem beleza não há salvação". E eu, em respeitosa comunhão, digo Amém.

O rastro da poeira na estrada de terra logo após o caminhão passar; o cheiro da dama-da-noite, árvore safada que se entrega e exala seu perfume quando o sol se esconde; a mulher grávida arrastando sua chinela para atender a porta; a estrela que resolve brilhar mais só porque um menino está nascendo; uma vela ainda esfumaçando ao sopro da menininha em seu aniversário de oito anos; um velho rezando; o salto desengonçado do golfinho; a panela cozinhando o feijão; o vento que espalha as folhas da pracinha; anjos que hospedam em palácios as crianças de rua e as têm por filhos; o tropeço do palhaço; as tecnologias dos computadores, o vento que desarruma o cabelo da violinista; o filho pródigo que encontra a companhia do pai no caminho de volta pra casa; uma estante de livros; o giro do ventilador em noite de verão; um semáforo piscando na rua deserta duma madrugada solitária; a garoa que faz arder os olhos; o vovô sorridente enterrado até o pescoço pelo netinho na areia da praia; a menina que sorri enquanto canta; o voo do tucano; a goteira que enche o balde; mesa farta; fotos entre amigos; o vermelho do fogo na fogueira; uma visita surpresa de Deus ao orfanato; uma canção desafinada nas vigílias dos insônes; os lobos apaixonados pela lua cheia; a fé do herege na busca por crer; o grito da vitória; qualquer bandeira ao vento; as mãos dadas dos namorados; a onda que quebra na praia; as folhas de fax; o sorriso banguelo do mendigo; o médico que atende gratuitamente; a oração sem palavras; a inteligência dos autistas; a mochila esfarrapada do jovem missionário; a pintura no rosto dos pataxós; cheiro de chuva; a rapidez dos mágicos; mãos bailando nos aplausos dos surdos-mudos; Deus que se faz gente...

Os contemporâneos de Francisco de Assis chamavam-no le jongleur de Dieu - o palhaço de Deus. Na primeira reunião pública dos franciscanos, com a presença de três mil irmãos, Francisco ordenou gentilmente aos pássaros que parassem de piar para que os freis pudessem ouvir seu sermão. Eles obedeceram de imediato. Ele amansou um lobo que devorava pessoas no vilarejo de Gubbio e fez com que o povo do local prometesse que não deixaria de alimentar o carnívoro todas as noites. Pegou dois pedaços secos de madeira, fingindo ser arco e violino, e entoou canções de amor a Deus em francês. Compôs um cântico que louva a Deus pelo irmão sol, pela irmã lua, pelo irmão fogo e pela irmã água, e até pela irmã morte. Muitas vezes ele plantava babaneira para ver o mundo de cabeça pra baixo, lembrando aos seus próximos e a si mesmo que a vida no planeta Terra está numa relação de plena dependência da bondade de Deus.
Temos observado o mundo com olhares técnicos. Precisamos da visita de Solidão e Fascinação para nos permitir enxergar a beleza. Precisamos do Silêncio que nos remete numa louca viagem para dentro.
Brennan Manning, em seu livro Ruthless Trust: The Ragamuffin's Path to God (Confiança Cega, no Brasil, pela MC) escreve:

O salmista declara que os céus e a terra estão cheios da glória de Deus. O poeta Gerard Manley Hopkins escreve: "O mundo está carregado da grandeza de Deus". Thomas Plunkett insiste: "Vejo o sangue dele numa rosa". Entusiasmado, Agostinho declara: "Ó Beleza sempre antiga, sempre nova".
Num país degradado por bairros poluídos e paisagens destruídas, os visionários espirituais aquietam os temores que cultivamos e nos inspiram a confiar, levantando nossos olhos para a exuberante beleza de Deus manifestada na criação. Comentando o salmo 148, Agostinho pergunta: "Será que Deus se proclama nas maravilhas da criação?". E responde: "Não. Todas as coisas o proclamam, todas as coisas falam por ele. A beleza que elas têm é a voz com a qual anunciam a Deus e cantam: "Foste tu que me fizeste bela, não eu, mas tu'". Poetas, cantores, compositores, romancistas, músicos, palhaços, e místicos fazem com que as vozes da criação sejam capazes de exclamar: "Como é belo aquele que nos fez!".
Quando criança, John Henry Newman imaginava que por trás de ccada flor havia um anjo escondido que a fazia crescer e se abrir. Mais tarde na vida, tendo-se tornado um eminente teólogo na Inglaterra, ele escreve: "A realidade é mais profunda. É o próprio Deus que pode ser percebido na beleza das coisas sensíveis".
Até Jesus de maravilhava com a beleza que o cercava: "Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores" (Mt 6:28-29 NTLH).


Fascinação nos ajuda a enxergar além do literal. Nos desafia a sonhar com nosso lar, cuja beleza que nos aguarda jamais foi vista por nossos olhos, ouvida por nossos ouvidos ou concebida por nossa imaginação.
Procure por Silêncio, ele te apresentará Fascinação.

Gito.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

De bicicleta pelo universo

Se Deus andasse de bicicleta pelo universo?

Ele andaria empinado, nunca com pneu furado.
Teria uma garupa adaptada para dar carona aos viajantes.
Subiria o Himalaia empinando, e desceria sentindo o vento no rosto.
Zuuumm, de um lado, zuuumm, de outro.
Quem é Aquele numa bicicleta? - perguntariam os curiosos.
É Deus brincando de ser menino - responderiam as crianças.
Deus, não brinca - diria o doutor da sabedoria.
Então, ele não pode ser Deus - concluiria o racional.
E todos os que debatiam essas coisas, ficaram apaixonados pelos debates e suposições sobre Deus, que não aprenderam com Ele a andar de bicicleta.
Todas as crianças, pedalavam com Deus por companhia e diz o ditado que quem aprende a andar de bicicleta, jamais esquece, mesmo que capote.


Gito

Leia mais em: Ya pRiDy skOrO

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O anjo que fumava.

Voltava de Vitória quando encontrei a derrota e sem trocadilhos: O ônibus que me levaria de Campinas para Cordeirópolis, na casa dos meus pais partira há 5 minutos. O outro, apenas no dia seguinte. Confesso que não me importo por dormir na rodoviária, pelo chão, ou passar a noite emzumbizado nos bancos nada confortáveis e urinar aos arredores do saguão, atrás de ônibus, para não pagar a maldita taxa de limpeza ou sei lá o que é aquilo que inventaram para arrancar dinheiro com as necessidades fisiológicas dos seres viventes.

Um dia o mundo será melhor, quando proibirem de cobrar do cidadão comum para este, usar o banheiro e melhor ainda será quando os homens, conseguirem mijar certinho na água do vaso, o que eu acho um sacrifício quase insuportável.Foi nessa de procurar um local apropriado para as necessidades fisiológicas que eu encontrei com eles. Um, mais velho. Boné torto na cabeça, tatuada uma coroa de espinhos na perna, bolsa nos ombros, mãos sujas de tinta, olhar penetrante, ativo, vivo, acelerado. Passava de guichê em guichê, perguntando qual dos ônibus passaria por Leme. O outro, mais novo e mais gordo. Tatuagens por todo o corpo, boné para trás, uma mala antiga, tênis sujos, olhos claros. Foi por ouvir o destino que eles procuravam que eu me intrometi e disse: Mano, ônibus pra Leme só amanhã de manhã. É o mesmo que o meu.Eles então, preocupados questionavam: E se parar na metade? E se pegarmos um taxi? E se conseguirmos uma carona de caminhão? No fim dos questionamentos sem respostas, fomos obrigados a admitir que a noite seria longa, de muita conversa e que aqui na terra, a vida nos prega peças, principalmente o tempo, que é obstinado por nos encurralar. Deitamos no chão da rodoviária. Eu e meus conhecidos. Perguntei seus nomes. Felipe e Rafael. Brinquei: Nome de anjo e de discípulo. Eles riram. Estava quase adormecendo, apesar da dor nas costas do chão duro, quando uma senhora com um carrinho daqueles de limpeza de chão de Shopping Center e outro rapaz, forte com uniforme ou farda, nos disse que era proibido dormir ali.

Logo, me lembrei das torturas que li num livro sobre as ditaduras no Mundo. O prisioneiro era obrigado a ficar em pé, numa caixa com muitos pregos por todos os lados. Caso ele cansasse ou dormisse, os pregos lhe enfiavam na pele e nos ossos. Os meus mais novos conhecidos tinham vindo de uma cidade perto de Caraguá, eles trabalhavam colocando gesso nos tetos de prédios de gente rica. Eles ainda mostravam nas roupas as marcas do trabalho. E eu, mulambento como sempre, parecia que havia recém-chegado de um Festival da Flanela Quadriculada.

Fomos andando, sem rumo, apenas para lutar contra o sono quando vimos um jovem de terno, paletó na cabeça, pés sobre as malas, dormindo da mesma forma que nós dormíamos mas com uma diferença: Ele não foi incomodado. O sono dele era importante, talvez.Percebemos um ônibus saindo para Americana. Cidade vizinha de Campinas, mas pelo menos mais próxima da nossa. Foi o Rafael quem deu a ideia de irmos até lá. Fomos, dormindo, roncando, acabados de cansaço. Ao chegar, constatamos: A rodoviária era nossa. Não havia nenhum anjo para proteger, nenhum demônio para atormentar, nenhum menino de rua cheirando cola e nenhum guarda fardado à proibir sonhos e sonos. Acordados, apenas nós e Deus. Vimos ao longe, uma placa vermelha indicando hotel. Foi o Rafael, novamente, quem propôs de irmos até lá, tentar a proteção das paredes e um colchão.

Fomos, mas ao chegar, constatamos que não passava de um motel, ou bordel, com a entrada e saída de casais no qual a mulher usava as roupas típicas das profissionais do sexo e o homem tinha o olhar típico dos profissionais do cio.Um rapaz, com cara de travesti nos atendeu, falando pouco, mal humorado, resmungando e cortando a fala para atender telefonemas. Rafael disse: Perdemos nosso ônibus, estamos cansados e gostaríamos de passar a noite aqui por causa do perigo de dormir na rodoviária. O rapaz, fez cara de não sei, mordeu o lábio, entortou a cara e disse: 30 mangos vocês ficam num quarto com goteira, sem água e cama, apenas 3 colchões, topam?Existem perguntas que o cansaço é que responde, então topamos.O quarto era uma espelunca. Cada um deu 10 reais. Eu dei meus únicos 10 reais. Fiquei de comprar a passagem no dia seguinte, com o cartão.

Acordamos com o telefone tocando às 5 da manhã. O rapaz com cara de travesti disse que nossa hora havia acabado. Fomos, sonolentos, até a rodoviária. Lá, não havia guichês abertos, era necessário pagar a passagem direto ao motorista, meu ônibus estava partindo e eu não tinha como pagar com cartão direto ao motorista. Foi quando o Rafael, arrancou dinheiro, pagou minha passagem ao motorista e disse: Vai mano, se livra desse cansaço. Acendeu um cigarro e menosprezou minha gratidão como se pagar minha passagem fosse a sua obrigação.Eu fui agradecer-lhe doando um dos livros que eu trazia na mochila, quando ele desapareceu. Enquanto eu guardava a mala no bagageiro, ele sumiu. Perguntei ao motorista: O senhor viu aqueles dois rapazes comigo? Ele respondeu: Foram por ali. Eu fui, e nada.

O ônibus que os levaria para Leme era o mesmo que o meu. Nada. Não os encontrei. Fiquei confuso. Ao entrar no ônibus vi o cigarro, queimando no chão, quase inteiro.Rafael e Felipe, meus companheiros de madrugada sumiram. Eu tomei o ônibus, e no caminho pensei sobre a vida que nos prega peças. Sobre os anjos que se disfarçam de gente ou de gente que se faz de anjos. Em Limeira, ouvi o policial militar falar sobre o assalto que fizeram no caixa eletrônico da rodoviária de Americana durante a madrugada.



Gito.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Carta de um Pai

Quem é que te disse, meu filho?Ondé que te ensinaram essas torpes palavras?Achei que pudesses aprender a beleza das conversas na hora do almoço e da beleza nas poesias, porém, enches o peito e joga pra fora toda a sua mesquinhez por palavras.Quem foi que te disse que é relativo?Relativizar a vida é crer na ineficiência do amanhã, é não ter prazer no hoje, é caminhar desgostoso aos tropeços ao suicídio mental, ao mecanismo de um dia após o outro, sem contemplar a beleza nos olhos das crianças muito menos, reconhecer que a graça e a misericórdia, se renovarão essa madrugada ...Quem te ensinou amar?Caminhas rancoroso por não ter conseguido conquistar os corações das belas moças, e o sorriso maquiado dos amigos, a aprovação do teu superior.Isso não é amor. É exatamente o contrário dele. É bobagem infantilizada, é meninice, medo em sí mesmo.É crescer inerte e imortalizado na beza do se deixar amar e ser amado.Pois cr~e, tu, que seu amor precisa ser recompensado. E o que se recompensa, pode ser tudo, menos amor.Amor é gratuito e simples.Não se paga, nem se avende, apesar de que, nesses dias tu compraste e vendeste tanto!Quem te apresentou 'Deus'?Esse 'Deus' que conheces é morto e faliu.O 'Deus' que te recompensa por boas ações, principalmente as financeiras, é digno de falcatrão e publicano.Esse 'Deus' materialista é simplesmente a auto-imagem de quem lhe apresentou. É o super-homem inventando um 'Deus' que lhe supra e lhe caiba bem.Quem te ensinou sobre um 'Deus' assim, lhe dizia nas entrelinhas: 'Façamos Deus a nossa imagem, conforme a nossa semelhança', e o trancafiaram num caixote em seus corações, sendo assim, tão ateus quanto os que odeiam qualquer citação de religiões.Quem te ensinou que 'Deus' é um espírito enfezado nos céus, com raios à espera de pecadores, com a tábua de 10 mandamentos da lei riscando e amassando as páginas do livro da vida, proibindo brincos, bermudas, músicas, poesias, e tudo que é 'secular', é somente um 'Deus' inventado por gente que queria ser eles próprios 'deuses de sí mesmos e de toda a humanidade', hedonistas, proibindo , para manter o poder por medo em suas mãos!Esses se assemelham aos ditadores, aos líderes do nazismo na europa e dos comunistas por trás da cortina de ferro, colocando grilhões em todos que não servissem com toda força o Estado, que operava dentro deles mesmos.Filho, poderia te dizer das poesias, dos sonhos, de lindas palavras, da história dos santos tão velhos, dos velhos tão santos, porém, antes de partir, quero lhe apresentar o Deus que me espera, e este é real e vivo - é o único.Ele é pacificador e ama os homens. A todos, e não só aos cristãos.Ele é desejoso de que todos O encontrem pois assim, encontrarão a paz que foi arrebatada nesses dias.Não se prende à religião, nem às paredes dos grandes templos e catedrais, não nega a sí mesmo, não conhece o sentido de 'secular' palavra humanóide que lhe foge a compreensão, por mais que tudo saiba.Não é um ser com limites. Ele tudo é e tudo pode, menos negar-se a sí mesmo.é amor.tanto amor que da parte dele, nos foi apresentado o menino-messias, e cresceu Jesus, fazendo-se mártir, e pecado e maldição por todos os humanos, que pisaram, pisavam e pisariam nesta terra tão cheia de água.Mas a morte não pode o encurralar, como não poderia, assim, como, as religiões, o ateísmo e as fobias deste mundo não o podem.Antes de partir, desejo que saibas disso tudo, pois então, encontrarás resposta pra maior parte das tuas dúvidas e razão na vida em viver.Saber disso, resume a vida à beleza de um dia após o outro por mais que difíceis sejam, e faz abrilhantar o sorriso das crianças.Faz-te entender que esse mundo é apenas o quintal de casa, e que, não existem limites praquele que deseja compartilhar desse amor.O amor impulsiona a vida a alcançar amor e vida, num ciclo repetitivo e belo, alimentado pelo Supremo Amor.Lembre-se das palavras deste velho, que não parte antes de lhe dizer que o ama e deseja te ver em breve.Então, quando te perguntares, quem foi que te disse, tu saberás sem vergonha e medo, mas com orgulho em dizer:Posso crer no que falo, pois foi meu pai quem disse, ele não mentiu, pois morreu pelo que falou.A fé se firma e a verdade é vista, pela vida daqueles, que por causa destas, doaram suas vidas e não temeram a morte, pois, sabia alcançar um tesouro tão grande por aquilo que viveram e falaram.Faz sentido.

Quem foi que te disse ?

Gito.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Entre os maços, tragos e cigarros

O meu avô já tem quase 70 anos. Trabalhou duro na granja que existia na Usina de Cana-de-açucar de Cosmópolis, interior de são Paulo. Morou em São Paulo alguns anos. Não sei ao certo, mas acho que foi pra lá na década de 40 e retornou alguns anos depois, pouco tempo após uma de minhas tias nascer por lá. Voltou. Foi militar (PM) durante o Golpe de 64. Além da minha tia, nascida em São Paulo, teve outros 4 filhos, dos quais, só um veio menino – o mais velho – seguido de 4 mulheres, daquelas bonitas.
Desde os seus 12 anos, meu avô é fumante. Me lembro de buscar os maços de cigarro pra ele numa mercearia-bar que fica no mesmo quarteirão da casa dele. “Me vê dois maços de FREE, por favor!” – Era o que eu dizia. O vendedor, amigo da família, bem sabia que não era pra mim, mas pro meu avô, e por isso vendia, mas ficava um tanto quanto na espreita quando tinha mais gente no bar. Haha...vender cigarros para menores é crime, ainda mais se for 1 ou dois maços todos os dias. Rs . Apesar de fumar 2 maços de cigaror por dia, meu avô sempre foi contra o cigarro e deixava bem claro para todos os netos quanto a isso. Se algum de nós aparecesse fumando um dia, iria é levar uma fumada dele, e das bem grandes. Rs “Cigarro é um vício desgraçado!” - ele dizia. Apesar de sempre ver o meu avô “puxar uma chupeta do diabo” (ele chamava assim...rs), nunca nem sequer coloquei um cigarro na boca. Só uma vez quando, na escola, quase todos da classe pintavam algum lápis que, de tão pequeno, já estava ruim pra escrever, com corretivo branco e o filtro com caneta marca texto. Queimavamos a ponta e ficavamos finjindo que fumar. Haha... alguns desses amigos realmente passaram a fumar de verdade. Mas a minha experiência com o trago poi apenas esta. Rs
Depois de um tempo, meu avô passou a usar uma espécie de filtro extra, que servia para amenizar os efeitos do cigarro, mas não sei se o efeito de diminuir os danos das toxinas do cigarro no corpo era realmente eficaz. Porém, meu avô passou a fumar apenas um masso por dia. O outro masso transformou-se em um pacote de balas de canela e muito mais goles de café durante o dia. Apesar disso, meu avô não tem problemas em dormir. Insônia mesmo ele teria se não bebesse um golinho sequer do caldo preto. Haha
Minha avó, mulher boa de Deus, é que não vence de fazer café. Ela mesma eu quase não vejo beber. Mas esse é apenas um dos contrastes entre meu avô e ela. Ele bebe café adoidado e tragou um cigarro a vida inteira. Ela quase nem experimenta do gosto do pó preto durante o dia e nunca fumou na vida. Ele usa os mais diversos palavrões e xingamentos diante de acontecimentos diversos, desde chutar a quina do canto da cama com o dedinho do pé, até uma frechada no trânsito. Ela não fala palavrão algum e quando ouve, rí como se fosse uma piada engraçada e diz: “Óia, que boca suja tem esse homi”. Meu avô gosta de programas e filmes policiais, minha avó gosta de novelas e desenhos infantis. Meu avô, agora na velhice, gosta de papear na praça com os amigos, junto ao carrinho do pipoqueiro. Minha avó é integrante de um grupo que desenvolve trabalho de capelania em hospitais aqui da região. Ela volta às 17h todos os dias. Meu avô sempre se disse ateu e nunca acreditou em nada, nem em Deus e nem em E.T., buda ou coisas assim. Minha avó lê a bíblia todas as manhãs, vai à igreja, frequenta as reuniões de orações (onde sempre leva listas de nomes para orar) e faz parte do ministério de intercessão da igreja.
É curioso. Eles estão prestes a completar 50 anos de casamento. São praticamente 50 anos contrastando nos comportamentos, porém, o casório nunca existiu em falsidade ou pra manter uma boa imagem. Há gente que diz que casais assim compõem o que eles chamam de ‘jugo desigual’. Mas, o amor é que dá valia a todas as coisas, e eu é que não ouso des-validar tal união.
Mas, tal ateísmo do meu avô sempre foi relaionado ao ‘deus’ dos crentes, das religiões, do cristianismo, segundo a experiência dele com esses tais. Mas jamais foi embasado com argumentos anti-qualquer-coisa. O empenho dele na vida nunca foi a maluquice da religião ateísta em provar a não existência de Deus. Ele simplesmente ouviu e viu sobre um deus torto, invejoso, esquizofrenico e tórpe, esteriotipado pela igreja e seus seguidores. ‘Deus’ assim eu também não quero e não creio.
Minha avó, mesmo errante na caminhada, jamais forçou um evangelismo fanático. Apenas sempre disse, pra ele, pros filhos e netos, que a gente precisa de Deus e que bom seria ir à igreja. Ela sabe disso porque é assim com ela. Por isso diz pra nós. Ela é gente certa de Deus, mas que comete erros. Mas pra Deus, importa que a gente seja assim mesmo. O inverso é que é problema.
O meu vô agora não fuma mais. Faz um mês e meio desde que puxou a última ‘chupeta do diabo’. É que ele andou passando mal, foi ao médico e lá, além de ouvir do Dr. mais palavrões do que ele mesmo sempre falou, ouviu que o único jeito de chegar aos 90 era parando de fumar, do contrário, os 70 anos seria muito.
Ele parou. Assim mesmo, de um dia pro outro. Sem remédio nenhum e nem redução gradativa de quantidade de cigarros por dia. Simplesmente parou. Dormiu fumante e acordou ex.
Agora, sai fazer caminhada, notou uma relevante quantia a mais sobrando do salário no fim do mês e a saúde esta melhorando. Ele continua com o café e as balas. Mas, agora diz que se soubesse que parar de fumar era tão bom, teria feito isso antes. Até a comida tem outro gosto. É outro paladar.
Uma das netas disse pra ele esses dias: ‘Ê, vô, parou de fumar, a netaiada senta na sua cadeira na janta. Agora só ta faltando o Sr. ir pra igreja”.
Ele riu um riso sem jeito e disse: “Quem sabe”.
É que com Deus também é assim. Por causa do cigarro da religião, a gente percebe um Deus através da fumaça, sente arder os pulmões, tosse como um cachorro e sai fora dizendo: “Deus assim eu não creio.” É só quando a gente larga mão dos tragos de nicotina religiosa que a gente experimenta Deus com outro gosto, agussa o paladar e diz: “Se eu soubesse que Deus era tão bom, teria crido bem antes.”
Meu avô é já que descobre.

Nele, que de todos os gostos, é quem tem o único sabor capaz de agradar o paladar da alma do espírito...

Um Beijão!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O rastro do diabo

O clarão tomou os céus. Cruzou vindo do sul e sumiu. Crianças correram para suas casas, algumas mais ousadas, seguiam o rastro de fumaça na direção do horizonte. Corriam descalças, como fazem atrás das pipas entre telhados e vielas. Os religiosos faziam o sinal da cruz. Os céus anunciavam o fim. Um monstro invadia o planeta. Metade estrela, metade diabo. Deixava um rastro no céu. A cauda de suas maldades. A igrejinha encheu de fiéis, que preocupados com o tamanho da fila no confessionário, confessavam seus pecados uns aos outros. As famílias se reuniram. Maridos confessavam seus deslizes amorosos. Mães ninavam seus filhos até que eles pegassem no sono. O povo ficou aflito, coração apertado. Os bares fecharam mais cedo. O cabaré da Marineide se tornou o esconderijo das mulheres de saia curta, que se atreviam nas esquinas. Até o Seu Altevir, ateu convicto fez uma oração antes do seu último jantar. Uns estudantes, metidos a intelectuais discutiam as provas científicas do fim. Seria um novo Big Bang? No seminário protestante, na saída da cidade, houve uma palestra sobre o livro de Apocalipse e Pré-milenismo. Poucos compareceram. Só aqueles que temiam o que poderia suceder-lhes. Todos estavam preocupados. Coração na mão. Mãos no bolso. Bolsos molhados de suor.Dona Bernadete, a beata, confessou estar de olho no padre Joaquim desde 1939.O prefeito se enforcou e sob seu corpo pendurado, um bilhete que denunciava seu envolvimento com a mulher do vice.Os irmãos se abraçaram. Amigos telefonavam uns aos outros dizendo palavras de conforto. A Dona Benedita fez bolinhos de chuva e levou aos mendigos que ficavam debaixo da passarela do Benfica. Eles não entenderam o gesto carinhoso daquela assistente social até então rabugenta como o cão chupando manga. Itamar beijava o símbolo do Juventus Bom Jardim, seu time do coração. O vereador Tunico correu com a sua Kombi e entregou suas últimas cestas básicas e bujões de gás para os moradores do Serra do Sol, como prometido nas eleições do mês passado. Benê criou coragem e subiu a janela do sobrado da Aninha, menina rica que morava no centro da cidade, bateu na janela e roubou um beijo de Ana, que impactada com o romantismo do Benê, mecânico de corpo definido, que era pobre mas até que era bonitinho, tirou a blusa e o sutiã, para um susto daqueles, que fez Benê escorregar e quebrar o pé com a queda, lá embaixo. A sedução acabou quando os pais dela chamaram a polícia que demorou a atender, por estarem todos envolvidos numa partida de truco que valia uma caixa de cerveja. Só atenderam por ser uma chamada da família Barchelleto, tradicional na cidade, vindos do sul da Itália. Benê que não conseguiu correr com o pé quebrado, foi apanhando no chiqueirinho da viatura até à delegacia, onde foi acusado por tentativa de estupro, já que a moça estava sem as partes de cima. O delegado, entre um charuto e outro, proibiu o escrivão de digitar "parte de cima" e procurar um termo mais apropriado, e o escrivão cansado daquilo tudo, fingiu uma diarréia e no banheiro cheirou um pouco do pó que sobrava da apreensão dois dias antes, do Zé Melado, traficante do Morro da Pinguela, que vinha de umas viagens esquisitas à Bolívia, com uma novidade e tanto, coisa que por lá mascavam e por cá cafungavam.Escureceu e o rastro do diabo continuava no céu. Aquela marca da besta. O sinal do fim, agora tinha tons avermelhados, lembrando o inferno e o fogo que consome os pecadores. Do qual ninguém poderia fugir. Ninguém pegou no sono. A cidade estava muda. Enlutada. Todos pressentiam o fim. Alguns trêmulos.Peteca, o conhecido maluco, mijava nas calças e imitava avião. O delegado mandou abrir a porta da delegacia. Benê, Zé Melado e todos os criminosos foram soltos. O escrivão foi encontrado desmaiado no banheiro, com pó no nariz, numa possível overdose. O circo foi desmontado, o leão fugiu e devorou o domador. Zé Melado tratou de enterrar sua mercadoria. A cidadezinha virou de ponta cabeça no último dia da existência.No dia seguinte havia em todos uma perplexidade além das olheiras e caras amassadas, quando o Tonim Tropeço, menino da cidade vizinha, veio apitando em sua bicicleta e distribuiu de casa em casa o jornal que anunciava: O satélite russo Sputinik cortou o céu do Brasil na tarde de ontem.Gito.
Gito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cavalos, salsichas, anjos e demônios.

Nos filmes para TV, nos interiores das casas e nas angústias das almas, nos Estados Unidos, conta-se uma história que diz que os cavalos, quando caem, eles quebram as pernas, e aí, já não prestam pra mais nada. É preciso mata-los.
Depois de mortos, os cavalos viram sansichas. As donas de casa compram as sansichas e fazem lanches pros seus filhos. As crianças pegam o lanche com as sansichas, comem e viram cavalos.

Semelhantemente, em uma outra história, a cena se repete, mas com aspecto de poder destrutivo.
Um anjo, quando quis ser o próprio Deus, caiu e quebrou as asas. Quando os anjos quebram as assas, viram demônios de asas quebradas. Já não servem mais para o céu. Aí, eles passam a vender pecados gratuítos afim de se sustentarem com força. O homem, que gosta mais de anjos do que de Deus, compra os pecados, cria asas quebradas, tenta ser Deus e vira demônio.

Qualquer semelhança com a vida real, não é méra coencidência.


Um Beijão, Isa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Terra, Marte, Lua, ricos e Pobres

Conta-se a história, por todo interior paulista, sobre o sábio Seu Adão, que por causa desse nome já sofreu inúmeras injúrias dos religiosos que remetiam o nome à pessoa que distraidamente, como acham, deixou a mulher dominar-se pela serpente e ele, perdidamente apaixonado veio a sucumbir ao pecado de morder o fruto proibido.
Seu Adão, paulistano, era bem diferente do Adão dos primórdios. Quando sua primeira esposa faleceu, ele juntou os cacos de seu coração, abençoou os filhos e foi namorar. Descobriu Dona Julieta num desses forrós de bairro, e não precisou muito para conquistá-la. Entre um passo e outro e uma apertadinha ao dançar, Dona Julieta se derreteu ao encanto daquele homem e muito mais à sua cordialidade. Tratava a todos com respeito. Ainda era um daqueles raros homens que abria a porta de sua Variant verde-limão, puxava a cadeira num restaurante e dava vez à mulher ao entrar por uma porta.
Mas quando Dona Julieta, que tinha nome de Dona e sobrenome Julieta, descansou, Seu Adão, viúvo pela segunda vez, consolou os parentes e foi viver só, no campo. Dizia ele que os velhos e a natureza combinam. Um entende a dor e a solidão do outro.
Dizem que foi o Seu Adão que espalhou essa história.
A história de quando os ricos mudaram de planeta.
Foi num ano desses de dois mil e alguma coisa. O Brasil aguardava ansiosamente por jogos de futebol e olímpicos em sua terra, um presidente negro norte-americano ganhou um prêmio, tal de "Não Bel, dá Paz", mas o que mais lembrava aqueles anos, era o anúncio do jornal: NASA descobre água em Marte e diamantes e petróleo na lua.
Imediatamente a notícia se espalhou. Entre os pobres era só boato. Alguns, como o Firmino, Tonhão, Nenê e Odair nem acreditavam na existência de outros planetas. Eles queriam mesmo era saber o resultado do campeonato brasileiro e tocar a vida mansa de inteior, ou melhor, periferia interiorana, já que eles moravam nos bairros distantes das cidadezinhas.
O mundo pegou fogo quando os jornais estamparam as fotos de uma jazida de ouro na lua. As agências de viagens fecharam pacotes, as empresas de aviões inventaram foguetes, os agentes imobiliários vendiam terrenos, dizem as más línguas que até uma igreja que possui um canal de TV, montou um projeto missionário e lá plantou 318 templos.
O mundo rico, depois de 5 anos, havia se mudado. Era chique viver em Marte, perto das celebridades. Muitos que haviam ido à lua, haviam enriquecido com tanto ouro! Quantas meninas se realizaram vivendo no mesmo quarteirão dos astros de Hollywood! Inventaram Shopping's, uma só moeda com o rosto de um extra-terrestre e uma frase: "In ET'$ we trust". Carros, casas, saunas, ternos de grife. Espelhos por todas as partes para satisfazer os narcisistas. Toda a chiqueza da qual os ricos e poderosos precisam.
Marte e a lua se tornaram o centro do planeta.
A Terra fora abandonada, bom, não assim, exatamente.
Só ficaram aqui aqueles que não tinham condições de pagar uma viagem para o espaço. Os ricos nem ligaram, alguns até disseram: Que eles não venham roubar nossas casas, sujar nossas ruas, invadir nossas fazendas lunares!
Seu Adão disse que os pobres se organizaram. Decidiram que não haveria guerra, dividiram seus campos, uns ajudaram os outros a construir suas casas, plantaram e cuidaram da terra, da natureza. Sem a exploração da Amazônia, algumas espécies em extinção voltaram a crescer, voltaram ao habitat natural. O homem cuidava do mundo ao seu redor. Plantaram árvores, limparam rios, derrubaram barracos e construiram um puxadinho, houve equilíbrio ecológico e até os tufões deixaram de assombrar a Oceania. Os velhos ensinavam as crianças e as crianças não trabalhavam em minas de carvão como antes, depois das aulas elas brincavam de pique-esconde até o entardecer. Com a ajuda de médicos vindos do oriente, alguns com barba de cubano, e muitos indígenas brasileiros, descobriram a cura para o câncer e muitas outras doenças. Não vendiam a cura, mas buscavam sempre a opinião de uma criança sobre como proceder com amor.
O mundo nunca foi tão simples e a vida nunca foi tão bem vivida.
Mas o seu Adão conta, que lá de Marte, as pessoas sintonizadas em Aipode's e internet de última geração, por um tal de satélite do Gugol, coisa que ele não sabia pronunciar direito, viram os avanços da Terra. E quando souberam das curas das doenças, organizaram um exército, com a ajuda de alguns seres criados por um tal de Jorge de Lucas - dizem que ele foi um cientista que criava bichos esquisitos e fazia com que eles aperecessem na TV para assustar criancinhas ricas - e lograram um tema: Guerra nas estrelas! Voaram em foguetes na direção da Terra e lançaram projéteis sobre as vilas, matando inocentes, os seres esquisitos engoliam as pessoas sem mastigar, e com a força das armas, roubaram a cura das doenças. Quando souberam que a cura estava nas plantas da Amazônia, criaram um esquema de invadir a Floresta, esse plano se chamou Dom Pedro 1, ninguém sabe o porquê. Mas se sabe que muitos indígenas foram mortos e tiveram suas aldeias destruidas. Na volta para Marte, resolveram passar no leste africano e levar algumas pessoas como escravos. Também levaram orientais para trabalhar em suas fábricas de tênis, já que os robôs haviam criado vida própria e se rebelavam. E para não levar suas bombas de volta à Marte, jogaram-nas sobre o Afeganistão, o Iraque e a Palestina, ato que ficou conhecido como "Guerra ao terror", ninguém sabe o porquê.
Os que não morreram ou foram levados, ficaram escondidos no que sobrou da terra:
Uma antiga fazenda de recuperação, no estado do Goiás, no Brasil, fazenda da época de dois mil e alguma coisa. Os ricos nem passariam perto de lá. Naquela época, aquele era um lugar de drogados, soropositivos, prostitutas, travestis, crianças de rua, moradores sem terra, cabeças-chatas, negróides, pecadores, leprosos, aleijados, desequilibrados mentais ... gente que contamina o planeta na opinião dos agora moradores de Marte.
Começaram a se organizar de novo, plantar árvores, cuidar dos animais, dividir o pão, curar doenças pela força do amor. Um tal de Grandhe, homem careca e baixinho, vivia estimulando a rapaziada a permanecer em paz! Lembrem-se de Deus que virou gente e disse: bem aventurados são os que procuram a paz - ele dizia. E isso contaminou cada coração.
A arma era o amor, mesmo porque eles não poderiam enfrentar um exército de foguetes com paus, pedras e bambús.
Alguns mais desajuizados até pensavam: Vou ficar em paz sim, mas torcendo prum cometa passar por Marte, resvalar na lua e nos fazer justiça.
Outros, como o Seu Adão, pensavam que o melhor lugar para se viver, não é um lugar, lugar mesmo, onde pisam os pés. Mas onde existe amor. Ele morreu citando as palavras dum poeta, com nome esquisito, Robert Southwell, dizem que ele era gringo, mas ninguém sabe de qual gringo era ele. "Eu vivo, não onde respiro, mas onde amo".
O cometa passou ...
Mas como pobre é azarado, bateu em Marte, resvalou na lua e acertou em cheio a Terra.
Ninguém ficou para contar a história.

Gito.


(O Gito é um amigo que também tem um BrÓg. Di-GiTo(e): www.giito.blogspot.com)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quando não mais acreditamos em Deus

Por volta das quatro horas da madruga [...], eu estava trocando idéia com um amigo na frente de casa, como já é de costume nos finais de semana. Ele estava indignado com a tal “adoração extravagante” (que se parece mais extravagante, do que adoração), que havíamos presenciado na noite anterior em um culto. Se esforçava, mas não entendia o porquê de tantos gritos, para poucas lágrimas, e porquê poucas lágrimas e tanta encenação, em meio ao cenário montado, com palco, microfone, holofotes e o que dá vida ao show: O público. Tive de concordar com ele, pois percebo que nesse momento, as maiores mentiras são contadas e cantadas. Coisas como, “dou minha vida por Ti”, “abro mão dos meus sonhos”, “largo tudo pra Te seguir”, etc. Admiro quem consegue cantar isso como verdade, porém, nessas horas, eu sempre prefiro o silêncio, pois não me arrisco a dizer algo que vem de muitos gritos de fora, mas ainda não grita dentro de mim.
Ao que parece, o cristão não gosta muito daquela idéia de Jesus, que se deveria orar quietinho, do jeito que você achar melhor, inclusive com canto, mas no seu canto, no seu quarto.
O fato é que esse amigo, até pouco tempo atrás era ateu, mas não aquele que alguns chamam de “à toa”, pois o que ele mais tinha feito na vida, era tentar crer na existência de um Deus.
Tentou racionalizar, interpretar, experimentar e vivenciar esse Deus. Tudo em vão. Nada disso fazia sentido.
No decorrer da conversa, ele me disse o porquê estava tão indignado com o show que havíamos visto, pois alguns anos atrás, ele também precisou rasgar seu coração diante de Deus, porém, em um cenário e de uma forma bem diferente. Essas foram as palavras que com lágrimas nos olhos, ele me disse:

"Mano, há três anos atrás, eu estava diante do corpo do meu irmão, coberto com lençol, o qual eu vi sendo enrolado, e revirado para dentro do caixão. Ele estava com câncer, e eu o vi sofrer por muito tempo em uma cama, esperando a promessa de cura que foi revelada em uma palavra para ele, mas nunca chegou. Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Sai de lá desesperado, dando murros e cabeçadas na parede. Eu estava completamente sem rumo. Fui então para minha casa e deitei na rede. Em meio ao silêncio, e aos pensamentos ainda perdidos, consegui apenas dizer ao suposto Deus: Porque você permitiu isso? Porque fez isso com meu irmão? Sinto muito, mas eu não acredito mais em você."

Desse dia em diante, ele se tornara ateu.
Não foi possível ouvir isso e conter as lágrimas, ainda mais por saber que depois da morte do irmão, sua mãe também foi acometida pela mesma doença, e veio a falecer. Alguns meses depois, seu outro irmão, vítima de um acidente, também se foi. Dentro de três anos, em sua casa, restaram apenas ele e o seu pai. Um pai triste, sem sua esposa e sem dois de seus filhos.

No final da conversa, esse mesmo cara, me disse que agora consegue enxergar o amor de Deus, mesmo sem motivos aparente, sem razão para crer, apenas por fé e sinceridade diante dele.

Embora o assunto começou com a tal “adoração extravagante”, nessa madrugada eu pude entender onde e como ela acontece, pois esse, foi o relato de uma oração sincera vinda de um recém ateu, a qual tenho certeza que foi ouvida e compreendida pelo Pai, pelo qual buscamos e clamamos, mesmo quando não temos motivos aparente, microfone, luzes, público, e tampouco a fé, apenas expressamos o que sentimos e como estamos, diante de um Cristo que nos compreende, pois certa vez, em sua sinceridade no vale da sombra da morte, Ele também disse: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Isso sim, é extravagante.

Mano Tchelo é Rapper e estudante de Psicologia (nas horas vagas) pela Universidade Paulista, em Sorocaba. (mano.tchelo@bol.com.br)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O respeito como fruto do amor.

Durante o golpe de 1969, meu avô era militar.
Pra ele, o que era bom naquela época, que hoje ele diz quase não ver, era o respeito às autoridades. Bastava passear pelas ruas vestindo uma farda e já se impunha respeito.

Eu entendo o porquê de meu avô dizer assim.

Nos nossos dias, dificilmente se verá tanto respeito por alguém que vista uma farda ou qualquer roupa de autoridade qualquer, ainda mais se for política. Mas, talvez, tanto des-respeito seja resultado da própria Ditadura militar.

Naquele período, provavelmente o respeito não vinha pelo serviço de segurança prestado à população. Mas sim como resultado de todo o efeito de repressão, ou seja, medo. Medo de sofrer perseguição, medo de ser morto como alguém que conspirava contra o governo. Medo de abrir a boca e levar um soco que lhe quebrasse os dentes todos.

Entretanto, se a ditadura militar gerou medo nas pessoas, certamente, também gerou revolta, raiva, inconformismo e intolerância. O que explica, de certa forma, todo o des-respeito que é presente hoje. Quem sabe seja isso herança impregnada e desenfreada em nossa geração, pela vivência reprimida de nossos pais e avós, e nos traga repulsa quanto às autoridades, e a todo mundo, pela associação com o mal da injustiça praticada pelos que deveriam prezar pela ordem justa a todo cidadão durante a ditadura militar.

Por isso, a nossa intolerância hoje é tão des-norteada e cheia de injustiça quanto eram as ações dos militares da ditadura. Sim, pois, se os que lutaram contra o militarismo opressor foram tomados por intolerância contra a injustiça, engajados numa luta por direitos, democracia e liberdade, nós somos cheios de intolerância sem senso de justiça e que não enxerga nunca qualquer compromisso de respeito pelo outro. Somos revoltados contra os nossos próprios pais, mas conformados com as besteirices da política suja e com as injustiças sociais.

Por isso, o fruto do respeito pelo medo, nunca será o respeito de verdade, mas sempre o próprio des-respeito sem o medo de des-respeitar pela justiça injusta da geração de intolerância burra e sem propósito.

Diferente de quando o respeito acontece pelo amor. Sim, pois, o amor dá como fruto o respeito que preza sempre pela justiça e verdade e é intolerante com o des-respeito e a própria injustiça, posto que o amor também não toléra tais coisas, mas também não des-respeita.

No amor, toda e qualquer sub-missão acontece pelo respeito conciênte que reconhece no outro um poder de autoridade ou posição a ser respeitada, mesmo quando esse outro não possui qualquer posto a que se lhe atribua poder a lhe render gente submissa.
Sim, o respeito acontece por se ver no outro o direito de respeito mesmo que se não concorde com ele, que não se lhe deva comportamento submisso, ou que se ache nele toda forma de injustiça com os outros. Ainda assim, não se deve des-respeitar.

Ora, acaso a injustiça de alguém já não lhe cai como o seu próprio mal, posto que até mesmo a injustiça gera o fruto justo do respeito falso sem amor e da intolerancia com a injustiça por ele cometida? Assim, não é injusto respeitar alguém em sua injustiça, bem como não é justo o des-respeito onde há justiça. Entretano, respeitar não é sinônimo de tolerancia com o que é injusto, e tampouco de conformidade. Pois, assim como quem des-respeita não é justo, quem tolera a injustiça também é conivente e de igual forma praticante da injustiça.

É por isso que eu entendo o meu avô e o respeito, mesmo sem concordar que naquele tempo existia mais respeito, apenas medo e opressão. É por causa do amor, que é justo e verdadeiro. Pois, à luz da verdade do amor, nem sequer necessidade haveria de existir gente de farda pra que houvesse respeito se, ao contrário, existisse amor, que é só o que pode gerar o fruto do respeito verdadeiro e justo! Nem mesmo seria necessário respeitar as manifestações de injustiça, pois no amor nada existe que não seja justo.

Assim, você pode discordar, achar besteira e injusto tudo o que eu disse aqui. Mas jamais des-respeitar. Se não, o fruto da justiça do amor não estará em você.

Com amor e respeito,
Isa.


(Me desculpem pelas tantas repetições. É qu’eu quis enfatizar. Rs)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DoS HoMeNs QuE PodEMoS SeR e Da JustIçA qUe NãO NoS É JuStA

De um lado.

Ensinaram-lhe que deveria fazer como se fosse o próprio.
Assim, enquanto olhava, bem mirado, projetou-se nave.
Desacoplou de seu compartimento-base. Num estouro, explodiu em direção ao alvo.
Percorreu viajante o caminho desimportante, focado, veloz que nem se via.

"Seja a bala" - sussurrava-lhe as vozes do sitema que o domesticou assim.
É pelo bem da população.
"Eu sou a bala" - Concentrava-se em aplicar o que aprendera um dia.

Enfim, terra inimiga a vista: vamos penetrar.
Ao tocar o solo-pele, rasgou-o como se fosse um fino papel. Esfolheou-lhe o couro. Arrancou-lhe o sangue. Perfurou as chapas de cálcio-crânio que protegiam o núcleo-cérebro.

Na mosca.
Aterrissou num metal-placa de portão de casa. Vinho, como as plaquetas escuras do sangue fresco pelo chão.

O dia livre.
Herói pela concepção estranha de justiça e certo.
O Civil salvo.
Missão completa.
Saiu da nave.
O homem-bala.




Do outro lado.

Apreensão. Desnorteado, extravazou no erro.
Se power-transformou em homem-bomba, em terrorísta da sua própria vida.
Ficou tomado pelo diabo da loucura. Inferno em sí mesmo. Desesperou-se agarrado à vítima. Explodiu-lhe a sensatez-Humana. Endoideceu no ser.
Nada se sabe da sua existência. Consideraram em preservar-lhe a vida.
Angustiava-se aguardando o fim. Foi preso. Pelas entranhas de sua alma só, foi pego de surpresa. Esquecido, odiado. Acharam justo a decisão.

Em um vascilo só: Pá! - Sem dó.
Miolos pelo chão. Mil olhos na televisão.
Satisfação de alguns.
Disseram: É menos um!

O Civil salvo.
"Bandido, ladrão, sem-vergonha e folgado" - Assim julgado sem pré-disposição em conhecer-lhe a história.
Maldito dia de surto.
Missão Failed.
Morreu na guerra.
O homem-bomba.




Isso é pra dizer como eu jamais entenderei as soluções desses meus dias.
Todo tiro certeiro deveria ser luto em todo ser humano, por não acharmos solução capaz de preservar as vidas. Ao contrário disso, a gente bate é palma.


Entre bandidos e mocinhos, matar ou morrer, eu fico é com a justiça que não é dos homens.


Maranata!



Isabela Pizani.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um CoNtO Do SabEr

Naquela manhã, levantou cedo. No despertar do próprio dia. Arregalou os olhos mal dormidos, avermelhados, insônia companheira. Perambulou o quarto todo, a casa toda, indoidecido de saber. A sua mente estava gróg, com pensamentos embriagados. De tanto tempo que não dormia, já nem sabia se era noite, ou será dia, se tinha hora.

Na cozinha, bebeu um café frio, ruim, que o diabo tinha feito. Lembrou-se da vida, dos dias que antecederam seu declínio na existência. Já tinha feito todas as coisas, foi deus de sí mesmo, no trono do seu ser.

De súbito, sentou-se no chão, encostando-se na parede, ao lado da pia. Coçou a cabeça e indagou, ao berros: “Quem me livrará do corpo desta morte?”

Ele sentia as tripas contorcerem-se dentro de sí, o estômago embrulhar e os dedos dos pés encolherem-se até estralar os ossos. Sangrava sabedoria de morte. Desejou não saber de mais nada, deixar se esvair pelo ralo do universo tudo o que possuía. Flertou com a morte, com o diabo, ao murmurar de sua condição, dizendo: “Deus, você não existe. Se assim não fosse, porque de tanta angústia morro em minh’alma?”

Em um momento, em um inesperado instante, disse-lhe Deus, num sussurrar de sopro pelo vento: “Não há na terra e no universo, maior tolo que você. Tornou-se cético pelo saber, diabo de sí mesmo. Ainda que não se lhe fechem os olhos por toda a eternidade, não poderá me ver se não entregar-me a sua alma. Sou Deus que excede todo o entendimento.”

Ficou pasmo. Asmo. Silenciou-se. Surgiram-lhe os primeiros sinais de conciência sã-nta. Raciocinou: “Miserável homem que sou. Bestifiquei-me pelo saber. Intelecto demoníaco. Tornei-me sábio dentre os homens, doutor de toda ciência, mas leigo na alma, no espírito e conciência. Todo entendimento me foi ocultado. Rastejei-me pra morte, abriguei-me no abismo do falso conhecimento. Correntes do cão. Alimentei-me de loucuras vãs, como os porcos.
Mas, agora, se me abriram os olhos. Misericórdia do Deus qu’eu não cria. Euréca. Mal posso explicar tanto alívio. Libertaram-me as asas. Sou pássaro livre.”

Naquela noite, foi deitar-se cedo. No adormecer do mesmo dia. Fechou os olhos cansados, descamados de toda cegueira, sono profundo de paz. Sonhou com o céu do outro dia, um azul de repousar a cabeça. A sua mente estava leve, pensamentos soltos, sóbrios. De tanto tempo que não vivia, morreu eterno sono de vida. Só sabia que a noite ou o dia não tinham tempo, excediam as horas. Acordou, o café estava fresco. Novo dia. Seguinte de Deus.


Deus é.

Isabela Pizani

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SaBedOriA dE VÓ

A sabedoria de vó é simples, mas é cheia de verdade.

Quando eu tinha lá os meus 14 anos, todas às vezes qu’eu olhava pro céu durante a noite e via ele com um tom avermelhado, eu achava que Jesus tava chegando.rs. E ficava olhando, esperando acontecer como naquelas ilustrações de folhetinhos da Igreja Adventista. Eu tinha até um pouco de medo. Não de Jesus voltar, mas das ilustrações dos folhetinhos mesmo. Rs

Certa vez, conversando com minha avó em uma dessas noites avermelhadas, comentei:

- Nossa, como o céu tá vermelho, Vó!

E ela respondeu:

- Ah, o céu fica assim mesmo, sempre que vai chover.


Dito e feito. Pela manhã, chuva.

Como ela sabia? Ah, a minha avó aprendeu com a experiência da vida. Por causa do sossego que vem pela idade, ela é mais sensível nas observações que faz. Eu fico até imaginando as conversas que ela deve ter com Deus. Eles devem conversar sobre as coisas corriqueiras da vida, sobre os pássaros, as plantas e árvores, sobre o cheiro bom que o café fresco tem.

Isso explica porque minha avó tem tanta sabedoria. Ela passa um tempão conversando com quem sabe todas as coisas, pela oração que não cessa e excede as horas. A sabedoria que a minha avó tem, é sabedoria de Deus, mais sábia do que a sabedoria dos grandes sábios da terra.

A gente que é jovem custa em ter um tempo de conversa com Deus. É porque a gente não tem a sabedoria dos velhos, dos avós, que são sempre os que oram mais, que vêem Deus com mais facilidade. Se tivéssemos, saberíamos que orar e conversar com Deus nos deixa sábios e de vista aguçada, apesar da idade.

É assim que se sabe quando vai chover. Deus é a chuva que molha a gente de sabedoria, a todo e qualquer tempo, sem importar a idade.

A sabedoria de vó é simples, mas cheia de verdade.

Um Beijão!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

VeNdE-Se TrAnSFoRmA-aÇãO

Com o termino da 1° guerra mundial, a produção industrial americana aumentou, os produtos eram exportados para os países da Europa e a economia do país se aquecia. Porém, quando os países Europeus começaram a se recuperar dos estragos da guerra, a importação de produtos americanos diminuiu e os Estados Unidos sofreram com um desaquecimento industrial, que resultou na existência de muita mercadoria, mas poucos compradores. O resultado foi a conhecida crise de 1929, a Grande depressão, onde grande parcela da população sofreu com o desemprego e a fome.

Depois da 2° guerra mundial, as coisas pareciam seguir o mesmo rumo. O setor industrial começou a produzir mais do que nunca, de tal forma que, novamente, não haviam compradores que dessem conta de consumir os tantos produtos que se estocavam absurdamente nas fábricas. E foi aí que as coisas começaram a mudar no cenário mercadológico e, conseqüentemente, na sociedade, com as mudanças nas aplicações do Marketing.

Com as transformações advindas da revolução industrial, decorrente das mudanças tecnológicas, e das metamorfoses dentro do cenário mercadológico, incluindo a presente necessidade de vender os produtos que sobravam e esturricavam as prateleiras dos estoques, é que passou a existir, dentro do planejamento e estratégias de Marketing, o processo da troca de maneira mais fortalecida e com novas visões. Com um estoque grande de produtos, era necessário que se conseguisse vender para além dos consumidores que compravam por necessidade, mas, agora, com o desenvolvimento de métodos de persuasão, pretendia-se conseguir vender para quem não necessitava desses produtos. O que explica, em partes, o surgimento do que recebeu o nome de “indústria cultural”.

Foi na década de 20 que surgiu o termo "industria cultural". E foi proposto pelos filósofos e sociólogos Theodor Adorno (1903 - 1969) e Max Horkheimer (1895-1973), ambos alemães, para definir a cultura como produto de mercado, dentro do sistema capitalista. E, talvez, ou certamente, em resposta, mais tarde, iniciou-se na Europa o movimento que ficou conhecido como Pop-arte, que tinha a princípio como razão de existência a crítica, junto à ironia, a todo o esquema de consumismo dentro do sistema capitalista. E logo se ramificou aos Estados Unidos, agregando-se também como forma de expressão dos beatniks, na década de 50 e 60, que manifestavam, principalmente através da literatura, suas insatisfações com o modelo de sociedade materialista da época. Logo em seguida, ainda nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a ditadura militar acontecia no Brasil e o movimento feminista ganhava forças em sua 2° fase, explodia a manifestação do movimento hippie, com uma filosofia que defendia a liberdade da vida (muito mais libertinagem), o sexo livre, a harmonia com a natureza, e que deixou como marca muito mais do que a máxima “paz e amor”. Na intenção de protestar, mas sem saber a dimensão que poderia ter e que conseqüências e transformações poderia causar, foi organizado um festival de musica, o maior festival de rock and roll dos últimos tempos, afim de reunir a moçada e explanar pra quem quisesse ver que a filosofia hippie tinha força e que eles não concordavam mesmo com os padrões morais, regras e afins da época. Surgia então, em 1969, a 40 anos atrás, no mesmo ano em que o homem colocou seus pés em solo lunar, o festival de Woodstock .

Woodstock foi, talvez, a expressão máxima do desgosto que aquelas pessoas tinham com o chamado “modelo de vida americano”, onde as pessoas consumiam sem parar, persuadidas pelos apelos publicitários e de propagandas, submetidas ao processo da troca. Porém, até mesmo os movimentos de contra-cultura estão fadados a se transformarem em produto cultural, como já se estudava a algum tempo. Sem imaginar, Woodstock e todas as suas “criações”, hoje, nada mais são do que meros produtos do mercado cultural. E mais, é curioso pensar sobre como o sistema capitalista, em prol da “cultura consumista”, consegue reduzir os grandes movimentos a simples produtos de consumo. Sim, pois, de Woodstock, o que resta hoje além da moda hippie, dos apetrechos de vestimenta e etc? (resumidamente)

É como se de tudo o que foi causado na época, a postura de protesto, a posição contrária, o inconformismo, ideologias e utopias, sonhos e anseios, só o que restasse como digno de lembrança fossem as influências que podem render algum tipo de giro de capital. Como se todo o resto não importasse, afinal, quem é que vai comprar ideologias e utopias inconformadas se é bem mais fácil e barato comprar as saias, camisetas, calças, colares e etc? É como se não quiséssemos nos envolver com as implicancias do movimento e tudo o que ele representou, que impactou e trouxe transformações na sociedade, mas gostássemos de nos vestirmos de hippies. Woodstock é muito mais que produto.

A gente faz parte de uma geração vendida, rendida ao consumismo, ao processo da troca, onde quem tem é que é, que faz o jogo, que representa. Mas, quem é por ter, não é e nem pode ser qualquer coisa além do que tem, posto que definir-se no ser por ter é como ser o nada e querer ser alguma coisa por ser dono do vazio. O que pode representar ter alguma coisa se nada se é além de um ser-nenhum que nada tem?
Em geral, quando tudo é produto, troca e consumo, tudo é existência vendida, todas as chances de transformação são jogadas pelo ralo, vendidas a baixo preço de satisfação pelo imediato sem sacrifício.

Woodstock é só um exemplo que comprova a nossa rendição. Não queremos ir de fato pra guerra, mas gostamos de nos vestir de soldados.

É só uma analogia. Bom mesmo seria se não desistíssemos das utopias, dos sonhos e ideologias surgidas pelo amor que dizemos ser o que é cura pra alma e pro mundo. Que lutássemos pelos nossos ideais que nos fazem ter uma existência mais relevante, inconformada e transformadora, mesmo que o mundo esteja vendido ao esquema de consumo e da futilidade.

Assim, como woodstock, não haverá sistemas ou capitalismo que nos condicionem e resumam à meros produtos de mercados.

Imagine só.



Um Beijão!
Isa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O HoMeM Na LuA




O homem pisou na Lua! - Essa é minha nova convicção.

Em 20 de Julho de 1969, espalhava-se pelo mundo as notícias sobre o homem ter chego à lua. Foram divulgadas imagens do pouso do módulo lunar Apólo XI em terras lunares, e transmitidos audios de conversas ao vivo entre os astronautas e o comando terrestre, na NASA. E esse ano é ano de comemoração dos 40 anos da viagem do homem à lua. Em plena guerra fria, os astronautas Neil Armstrong, Mike Collins e Buzz Aldrin , e dentre eles, o mais conhecido, Buzz Audrin, foram os protagonistas do que ficou conhecido como "um pequeno passo para o homem, mas um passo enorme para a humanidade". Palavras ditas por Armstrong.

Em 1969, com as investidas da URSS e EUA na chamada corrida do espaço, após a URSS enviar o 1° satélite pra lá, onde o ´vácuo é o dono de tudo, o pouso na lua foi o que assegurou aos rapazes astronautas um lugar na história. Hoje, o investimento em novas missões destinadas ao satélite natural da terra apontam que em um curto período de tempo novas visitas devem acontecer por lá outra vez: estima-se que em 2020 seja o ano de novas missões enviadas à lua. E vai além. Para 2030 espera-se construir a 1° base lunar.

Mas, há controvérsias. Há um tanto de gente que não crê que o homem chegou lá. E tantas teorias, teses e argumentações estão surgidas sobre o polêmico acontecimento, tido por muito como "Fraude do Século". São fotos com contradições visuais quanto às condições que a atmosfera lunar permitiria. Cosias como, escuridão total em lugares onde a luz solar não atinge por não haver movimentação de moléculas, por exemplo. E vários outros fatores que fazem metade do mundo duvidar.


O homem pisou na lua. - Digo re-afirmando.

Eu não duvido. Não mais.

Há tanta coisa nesse mundo que não me deixa duvidar. E não é coisa pouca, não. E eu não creio por causa das reportagens, argumentos, por causa da Tv ou por alguém ter me contado. É por causa da manifestação das coisas nessa terra. Sério, esse mundo resmunga pra gente sobre os feitos dos homens, sejam bons ou ruins. E, pra mim, muitas das vozes que gritam por aí, me fazem crer que o homem esteve por lá, na lua, rondando o mundo como se fosse parte do satélite natural. Essas vozes e gritos falam sempre com muita sinceridade e verdade. E é tanta força que tem um tom que estrala alto na vida da gente. Um incomodar além do que a conciência pode trazer.

No mundo, há cerca de 800 milhões de pessoas desnutridas, 11 mil crianças que morrem de fome a cada dia. Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são
anêmicas e encontram-se abaixo do peso, uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo. São vozes que explanam-se aos bérros.

A Faixa de Gaza permanece em guerra. Os malucos do oriente não sessam de morrer e de matar, a coréia do Norte ainda acredita na loucura das armas nucleares. Em São Paulo a moçada ainda mora nos matagais de tanta droga no sangue. Os cristão continuam achando que Deus é um negociante, que a igreja é um clube, e que Jesus é ponto turistico, só pra tirar foto, como aquele lá do Rio, e que os outros que se danem.

Há tantas outras coisas que não cabem aqui. Coisas mais importantes do que essas que escrevi, que me fazem crêr que o homem pisou na lua. Dessas é que me lembro agora.

E é por causa das maluquices que tem, que o homem vive no mundo da lua, achando que dá pra sair dessa terra como se mais nada existisse, e habitar outro terreno. Olham pra cá e só vêem um jauntamento de massa redondo que brilha no escuro. Bom mesmo seria se de lá, onde a luz não tem refração pra deixar tudo às claras e as cráteras não são fenômenos causados por desabamentos de terra, eles conseguissem ver o mundo como é de verdade, na vida de toda essa gente que mora por aqui, e se importassem com esses desse chão. Investissem toda essa grana pra dar jeito na vida do povo que quando vê a lua no céu, fica com o coração apertado por não saber se vai ve-la de novo.

Pra que a suposta viagem do homem à lua acontecesse, foram gastos aproximadamente 22 bilhões de dólares. Sem contar o que fora investido nesses 40 anos posteriores à viagem de 1969. A quantidade de comida produzida no mundo alimentaria a população mundial inteira sem que fosse necessário racionar a quantidade. E toda a quantia que vira lixo disperdiçado só não tem como destino os outros estômagos porque a fome que eles têm não é moeda de troca, e aí, eles não podem comprar e morrem de fome.

As marcas deixadas nesse mundo deveriam ter mais atenção do que uma pegada nas areias de pó lá da lua.


Se o homem não pisou por lá, o que mais poderia explicar essa existência lunática?


É por isso que creio, mas eu é que não vou comemorar.


Um Beijo!