Mostrando postagens com marcador reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexões. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Parceria da boa - Nas Entre-Linhas

Criei uma parceria com um amigo.

Ele, ao contrário de mim, sempre descreve os assuntos com mais cuidado, expõe vários pontos a serem considerados, abrindo um léque de considerações, idéias, referências e tudo o que possa permitir uma reflexão mais completa e sem enganos possíveis. Analisando tudo mesmo.

A idéia surgiu após uma discussão promovida num grupo, desses do yahoo, onde participamos junto com outros amigos, sobre o texto do último post; 'Deus não existe'.
Assim, pra que vocês que Lêem e se interessam tenham maior possibilidade de discordarem ou concordarem, esse espaço, que chamarei de 'Entre-linhas', existirá como um 'comentário', um 'extra', sobre o texto publicado aqui no blog.

Aos que não estiverem por dentro dos pensamentos base, poderão se colocar por dentro através dessas sínteses e assim, terem uma reflexão mais completa com referênciais diversos.

Ora, aqui, não existe a intenção de manipular ninguém à nada. E por tal razão é que abro esse espaço. Acredito muito mais que a liberdade, inclusive no pensar, é o que nos conduz à verdade - que eu, pela minha fé declarada aquí, creio ser e estar apenas em Cristo, o Deus encarnado - que nos dá a possibilidade de ampliar a nossa compreensão e entendimento da vida, e alterar nossas percepções de mundo.


O link é este - Deus Existe - Click e você será redirecionado. Ele está disponível também no post abaixo, no final, com o título "Deus existe".

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Homem, entenda o teu caminho.

Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu próprio caminho? [Pv 20: 24]


Até a psicanálise sabe disso. A medicina também.

Nenhum analista se analisa. E nenhum médico faz autoprescrições.

A proximidade também tira a isenção na visão do diagnóstico, que vira um dói-agnóstico.

Assim, os mais próximos vêem menos um parente que um ser mais isentamente afastado—certas coisas até o estranho enxerga melhor.

O homem, então, vivendo proximamente distante de si mesmo, como sempre é o caso, como entenderá seu próprio caminho?

Ele é ele mesmo demais para se ver, e muito próximo demais para se perceber. Assim, para a sua própria auto-análise sobra a projeção de sua própria imagem como holograma satisfatório de representação de seu ser: tudo ilusão.

O sujeito quase nunca enxerga o seu próprio ser, mas apenas o substantivo de sua representação: a sua própria imagem.

E mais que isto: Que homem pode de fato entender o caminho de outro homem?

Somente a eternidade revelará nossa total ignorância.

Então, eu saberei que provavelmente minhas maiores ignorâncias foram grandes salvações e que supostas certezas fizeram muito mal.

No fim...saberemos que Deus não é detalhista—é onde entra nosso livre arbítrio—,mas o caminho está nas mãos Dele.

Tem gente que não gosta disso porque não entende.

Eu gosto justamente por não entender e, assim mesmo, saber que é verdade.

O importante não é que eu entenda o meu próprio caminho, mas que eu faça o caminho com Ele, mesmo quando não entendo...



Caio Fábio

Site: www.caiofabio.com

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Como escrevo!

Para melhor visualizar, clique nas 2 imagens. Elas ampliarão.





Em breve, versão digitada-padrão.




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sentido no horário

Eu não sei quanto a vocês, mas, tem vezes que a minha mente voa. E aí, eu deixo ela solta, sobrevoar. E vôo junto, vou viajar.
Não é poema ou poesia. Não sei o que é, mas, é. rs


- > Sentido no horário < -

Tudo é ponteiro.
É por isso que a vida é cheia de quase tempos, quase horas.
Há tempo para todas as coisas e todas as coisas tem o seu tempo.

Ai, quanto tempo de esperar. Quem sabe o próximo ainda não é... ou, quem sabe, é, será!
Percebo os livramentos que me dá o quase tempo.
Escapadas de precipitações, pra não dizer depois, no fim: "quase acertei a hora".

Isso me traz sossego, pois, se não há tempo a perder, porque o tempo é curto, pra que tudo apressar?
Correr o tempo pode me fazer atrasar, perder a hora. E ai, se foi. Como voltar?

Deixa, deixa o tempo passar no seu devido tempo que a hora certa chega e marca o fim de toda espera.
Deixa, deixa que o que é ponteiro um dia se encontra e deixa tudo no lugar.

Há sentido no horário, mesmo quando se gira ao contrário, se tudo é ponteiro.



[Isabela Pizani - 24/09/2009]

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

VeNdE-Se TrAnSFoRmA-aÇãO

Com o termino da 1° guerra mundial, a produção industrial americana aumentou, os produtos eram exportados para os países da Europa e a economia do país se aquecia. Porém, quando os países Europeus começaram a se recuperar dos estragos da guerra, a importação de produtos americanos diminuiu e os Estados Unidos sofreram com um desaquecimento industrial, que resultou na existência de muita mercadoria, mas poucos compradores. O resultado foi a conhecida crise de 1929, a Grande depressão, onde grande parcela da população sofreu com o desemprego e a fome.

Depois da 2° guerra mundial, as coisas pareciam seguir o mesmo rumo. O setor industrial começou a produzir mais do que nunca, de tal forma que, novamente, não haviam compradores que dessem conta de consumir os tantos produtos que se estocavam absurdamente nas fábricas. E foi aí que as coisas começaram a mudar no cenário mercadológico e, conseqüentemente, na sociedade, com as mudanças nas aplicações do Marketing.

Com as transformações advindas da revolução industrial, decorrente das mudanças tecnológicas, e das metamorfoses dentro do cenário mercadológico, incluindo a presente necessidade de vender os produtos que sobravam e esturricavam as prateleiras dos estoques, é que passou a existir, dentro do planejamento e estratégias de Marketing, o processo da troca de maneira mais fortalecida e com novas visões. Com um estoque grande de produtos, era necessário que se conseguisse vender para além dos consumidores que compravam por necessidade, mas, agora, com o desenvolvimento de métodos de persuasão, pretendia-se conseguir vender para quem não necessitava desses produtos. O que explica, em partes, o surgimento do que recebeu o nome de “indústria cultural”.

Foi na década de 20 que surgiu o termo "industria cultural". E foi proposto pelos filósofos e sociólogos Theodor Adorno (1903 - 1969) e Max Horkheimer (1895-1973), ambos alemães, para definir a cultura como produto de mercado, dentro do sistema capitalista. E, talvez, ou certamente, em resposta, mais tarde, iniciou-se na Europa o movimento que ficou conhecido como Pop-arte, que tinha a princípio como razão de existência a crítica, junto à ironia, a todo o esquema de consumismo dentro do sistema capitalista. E logo se ramificou aos Estados Unidos, agregando-se também como forma de expressão dos beatniks, na década de 50 e 60, que manifestavam, principalmente através da literatura, suas insatisfações com o modelo de sociedade materialista da época. Logo em seguida, ainda nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a ditadura militar acontecia no Brasil e o movimento feminista ganhava forças em sua 2° fase, explodia a manifestação do movimento hippie, com uma filosofia que defendia a liberdade da vida (muito mais libertinagem), o sexo livre, a harmonia com a natureza, e que deixou como marca muito mais do que a máxima “paz e amor”. Na intenção de protestar, mas sem saber a dimensão que poderia ter e que conseqüências e transformações poderia causar, foi organizado um festival de musica, o maior festival de rock and roll dos últimos tempos, afim de reunir a moçada e explanar pra quem quisesse ver que a filosofia hippie tinha força e que eles não concordavam mesmo com os padrões morais, regras e afins da época. Surgia então, em 1969, a 40 anos atrás, no mesmo ano em que o homem colocou seus pés em solo lunar, o festival de Woodstock .

Woodstock foi, talvez, a expressão máxima do desgosto que aquelas pessoas tinham com o chamado “modelo de vida americano”, onde as pessoas consumiam sem parar, persuadidas pelos apelos publicitários e de propagandas, submetidas ao processo da troca. Porém, até mesmo os movimentos de contra-cultura estão fadados a se transformarem em produto cultural, como já se estudava a algum tempo. Sem imaginar, Woodstock e todas as suas “criações”, hoje, nada mais são do que meros produtos do mercado cultural. E mais, é curioso pensar sobre como o sistema capitalista, em prol da “cultura consumista”, consegue reduzir os grandes movimentos a simples produtos de consumo. Sim, pois, de Woodstock, o que resta hoje além da moda hippie, dos apetrechos de vestimenta e etc? (resumidamente)

É como se de tudo o que foi causado na época, a postura de protesto, a posição contrária, o inconformismo, ideologias e utopias, sonhos e anseios, só o que restasse como digno de lembrança fossem as influências que podem render algum tipo de giro de capital. Como se todo o resto não importasse, afinal, quem é que vai comprar ideologias e utopias inconformadas se é bem mais fácil e barato comprar as saias, camisetas, calças, colares e etc? É como se não quiséssemos nos envolver com as implicancias do movimento e tudo o que ele representou, que impactou e trouxe transformações na sociedade, mas gostássemos de nos vestirmos de hippies. Woodstock é muito mais que produto.

A gente faz parte de uma geração vendida, rendida ao consumismo, ao processo da troca, onde quem tem é que é, que faz o jogo, que representa. Mas, quem é por ter, não é e nem pode ser qualquer coisa além do que tem, posto que definir-se no ser por ter é como ser o nada e querer ser alguma coisa por ser dono do vazio. O que pode representar ter alguma coisa se nada se é além de um ser-nenhum que nada tem?
Em geral, quando tudo é produto, troca e consumo, tudo é existência vendida, todas as chances de transformação são jogadas pelo ralo, vendidas a baixo preço de satisfação pelo imediato sem sacrifício.

Woodstock é só um exemplo que comprova a nossa rendição. Não queremos ir de fato pra guerra, mas gostamos de nos vestir de soldados.

É só uma analogia. Bom mesmo seria se não desistíssemos das utopias, dos sonhos e ideologias surgidas pelo amor que dizemos ser o que é cura pra alma e pro mundo. Que lutássemos pelos nossos ideais que nos fazem ter uma existência mais relevante, inconformada e transformadora, mesmo que o mundo esteja vendido ao esquema de consumo e da futilidade.

Assim, como woodstock, não haverá sistemas ou capitalismo que nos condicionem e resumam à meros produtos de mercados.

Imagine só.



Um Beijão!
Isa.

domingo, 14 de junho de 2009

VocÊ ConSeGue CrêR?





Casa como morada pra quem morreu de frio sob as pontes. Você consegue crer ?

Descanso para os pés dos meninos que tiveram suas pernas arrancadas pela mina terrestre.

Dignidade para a prostituta expulsa da igreja aos berros do sacristão. Você consegue ouvir seus passos ?

As lágrimas são enxugadas da menina-mãe que beirou o caixãozinho do bebê que se foi com a enchente.

As correntes dos mártires se quebrou no pronunciamento dum único Nome.

Abraço para os órfãos que o Holocausto provocou. Reencontro.

Uma fila de aleijados que agora em pé, abandonavam suas muletas. Macas foram empilhadas.

Crianças correndo. Negrinhas, japonesinhas, indiozinhos e loirinhos de mãos dadas. Você vê o vento em seus cabelos ?

Filhos e pais sorriem juntos quando passeiam pelos verdes campos.

Os que dantes, desidratados nos sertões, nos desertos, nas vilas africanas, lavam as mãos no Rio.

Não há desconhecidos. Todos dormem sob as enormes oliveiras sem o medo de qualquer assalto.

Não há um, um que seja o coração que ame pouco. E por se amarem tanto, mistura-se lágrimas com sorrisos.

Não existem mais velhos ou mais novos. Só se sabe que os de cabelos brancos contam belas histórias em volta da mesa na colina.

Há cores. Tudo é colorido. Mas as bandeiras são brancas de paz.

Há trajes. Cada nação se veste como lhe é típica. Alguns brasileirinhos de olhos puxados e rosto pintado não se vestem - eles preferem assim.

Os italianos, com a bagunça típica, festeja ante o Trono.

Os ugandenses dançam juntos, celebram.

Os chineses, um pouco acanhados, sorriem e disfarçam. Suas palmas puxam o grande coral de aplausos!

Há tribos, e cada uma celebra de uma forma. Mas seus barulhos são uniforme, quebrando a barreira física dos sons.

Não há furacões, mas a leve brisa que vem cheirosa, chacoalha os capins-cidreira. Faz cair a folhagem do carvalho.

Não há tempestades, a não ser que se deseje, na hora do sono. Não há sono, a não ser que deseje tirar uma soneca.

Há chuva, onde os meninos correm pelo campo enlamaçado. Não existe gripe nem resfriado. Não existe. Mesmo que deseje.

Seres antes invisíveis são vistos por todos os lados. Alguns grandes e luminosos jogam futebol com as crianças - eles sempre trapaceiam de brincadeira e quando são descobertos, os meninos têm por regra o direito de dar uma volta com eles, e voam.

Há animais. Até os feiosos são amáveis. Os que dante inimagináveis, dão carona aos menores.

Em toda manhã os sabiás, piriquitos, canários e pardais se reúnem na copa das árvores e cantam. Alguns anjos fazem segunda voz.

Os papagaios fazem algumas piadas. Realmente engraçadas, mas o riso da hiena sempre causa mais riso, até que o porco arrote, depois de segundos de silêncio com certa indignação, todos riem até que a barriga dói. Não tem como não sorrir.

Alguns homens, mulheres e crianças andam com coroas que se encaixam perfeitamente na cabeça e realça a beleza dos olhos. Essas coroas, os de cabelos brancos explicam que é para todos aqueles que traziam no rosto as cicatrizes produzidas pelo ódio contra o amor. Mas ninguém sabe o que é ódio, apesar disso, todos entendem.

Há uma porção de coisas que ninguém sabe o que é mas entende o que se diz. Relógios, velórios, dor, tristeza, rejeição, fome, medo, sede, armas, seringas, dogmas, preconceito...

Quem segue o rio, chega num lugar onde há um trono. Mas quem quiser ir sem chegar, pode. A onipresença alcança a todos, mas cada um ocupa o seu lugar. As crianças que geralmente correm pra lá e prá cá, são sempre seduzidas a ficarem perto do trono. Não há tempo e nem relógio, portanto, não há hora pra chegar em casa. Apesar de não ter tempo, tem dia e tem noite. Mas tem pra quem quer. Dá pra escolher o cenário.

Todos são um pelo amor. Há sempre um clima que acende os corações. Há sempre uma paz que excede todo o entendimento. Não os de quem vive lá, mas o entendimento dos que ainda não chegaram.

Há um Homem franzino, de cabelos cacheados e sorriso fácil. Todos, quando vêem suas mãos, as segura e ajoelham com reverência. Depois O abraçam e evitam olhar nos Seus olhos. Os de cabelos brancos dizem que são olhos que mostram o amor por todas as pessoas do mundo. Amor deste tamanho é grande demais prá um só. Mas as crianças olham com facilidade, algumas com olhinhos puxados, parecidas com um menino que existiu antigamente, seu apelido era Down, porque ele tinha olhinhos puxados e sorriso contagiante, olham e até piscam! Os de cabelos brancos dizem que é porque essas crianças são especiais porque dentro de seus olhos cabe todo o amor pelo mundo todo e eles também dizem, em volta da mesa na colina, que quem tem cabelo branco conhece bem o Homem de olhos doces, mas que só as crianças conseguem desvendar os segredos dos olhos de Quem amou a todos.

Ah, e não pode se esquecer da madeira em forma estranha de cruz. Ela está vazia. Todos sabem que lá, o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo. Ninguém sabe o que é mundo. Mas todos sabem que já estiveram lá e se emocionam quando de alguma forma se lembram que Aquele que se assenta no trono, amou o mundo de tal maneira que se fez gente num menino que chamou Jesus. Ele estava em Jesus reconciliando consigo o mundo.

Ah, esse é o nome do Homem de olhos doces. E quando se pronuncia até dói o coração por amor. Todos sentem. Mas ninguém sabe o que é dor. Por isso, em unânime eles costumam falar que é um aperto no coração. Do amor que dói de tanto amar e ser amado.

Ah, um segredo. Ninguém sabe explicar o que é amor. Sabem que é o que define o Homem do trono e Seu Filho. Mas só. Eles dizem que amor não se explica ... aperta no coração.



Gito.



_______________-

Um texto sobre o céu.
Toda vez que leio, releio e Fico imaginando.
É o Lugar por onde o meu peito chora de saudade.

Fé e PolíTicA

Fé e política

A Palestina, nos dias de Cristo, era alvo do desinteresse romano, jogado às traças, nas mãos dos que usavam o poder religioso. Religiosos, no entanto, eram os 'Senhores' políticos. Ora, se é entregue à eles tal poder, óbvio que era poder político!
Miquéias, séculos antes e contemporâneo do profeta Isaías, descreve com precisão a formação de um sistema monolítico, onde as áreas de poder fazem parte de um mesmo bloco. O príncipe, o sacerdote, o juiz, o poderoso, juntamente, urdem a trama e Miquéias diz, no capítulo 7 de seu livro que as mãos deles estavam sobre o mal e o faziam com diligência.
Já, nos dias de Cristo, esse sistema em blocos, não perdeu força.
João Batista, que anunciou o Cristo, foi condenado à pena de morte por apontar às práticas de infidelidade de Herodes, publicamente. João estava trabalhando no sul da Peréia quando foi preso e levado imediatamente para a prisão da fortaleza de Macaerus, onde foi encarcerado até a sua execução, numa trama familiar, em que deveria ser apresentada a sua cabeça num banquete. João foi considerado uma ameaça à nação e aos líderes. Ele anunciou o Cristo e Cristo desencadeou uma ação transformadora do ser humano em todas as dimensões! Leia comigo o texto de Frei Betto:

Não há nada mais político do que dizer que religião nada tem a ver com política.
Desmond Tutu
Bispo sul-africano e prêmio Nobel da Paz

Na América Latina, não se pode separar fé e política, assim como não seria possível fazê-lo na Palestina do século I. Na terra de Jesus, quem detinha o poder político, detinha também o poder religioso. E vice-versa. Talvez soasse estranho, hoje, a certos ouvidos religiosos introduzir a leitura do Evangelho falando de Clinton e Nelson Mandela, Felipe Gonzaléz e François Mitterand. No entanto, ao introduzir-nos nos relatos da prática de Jesus, Lucas primeiro nos situa no contexto político, informando que "já fazia quinze anos que Tibério era imperador romano. Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes governava a Galiléia e seu irmão Felipe, a região da Ituréia e Traconites. Lisânias era governador de Abilene. Anás e Caifás eram os presidentes dos sacerdotes" (3, 1-2).
Foi sob o símbolo da cruz que a colonização ibérica na América Latina promoveu o genocídio de 30 milhões de indígenas e o saque das riquezas naturais. Sob a silenciosa cumplicidade da Igreja católica, mais de 10 milhões de negros foram trazidos da África, como escravos, para o nosso continente. Com a conivência das Igrejas cristãs, instalou-se em nossos países o sistema burguês de dominação capitalista. Portanto, não se trata de vincular fé e política somente quando se refere ao atual processo eleitoral.
O fato de que fé e política estejam sempre vinculados em nossas vidas concretas, como seres sociais que somos - ou animais políticos , na expressão de Aristóteles - não deve constituir uma novidade senão para aqueles que se deixam iludir por uma leitura fundamentalista da Bíblia, que pretende desencarnar o que Deus quis encarnado. A fé é um dom do Pai a nós que vivemos neste mundo. No Céu, nossa fé será vã, pois veremos a Deus face a face. Portanto, a fé é um dom politicamente encarnado, que tem razão de ser nesta conflitividade histórica, na qual somos chamados, pela graça, a distinguir o projeto salvífico de Deus.
Nem mesmo em Jesus é possível ignorar a íntima relação entre fé e política, ainda que, para alguns cristãos, pareça estranho aplicar certas categorias Àquele que nos assegura, por sua ressurreição, a vitória, em última instância, da vida sobre a morte e da justiça sobre a injustiça. Que Jesus tinha fé o sabemos pelos textos que falam dos longos momentos que ele passava em oração (Lucas 4, 16; 5, 16; 6, 12).
Ora, só quem necessita aprofundar sua fé entrega-se ao encontro orante com o Pai. A oração é para a fé o que o adubo é para a terra ou o gesto de carinho para o casal que se ama. O Evangelho nos fala até mesmo das crises de fé de Jesus, como as tentações no deserto (Mateus 4, 1-11; Marcos 1, 12-13; Lucas 4, 1-13) e o abandono que ele sentiu na agonia no horto das oliveiras (Mateus 26, 36-46; Marcos 14, 32-42; Lucas 22, 39-46).
Há quem insista que Jesus se restringiu a comunicar-nos uma mensagem religiosa que nada tem de política ou ideológica. Tal leitura só é possível se reduzimos a exegese bíblica à pescaria de versículos, arrancando os textos de seus contextos. Não é só o texto que revela a Palavra de Deus, mas também o contexto social, político, econômico e ideológico, no qual se desenrola a prática evangelizadora de Jesus. Todos nós, cristãos, somos inelutavelmente discípulos de um prisioneiro político. Mesmo que na consciência de Jesus houvesse apenas motivações religiosas, sua aliança com os oprimidos, seu projeto de vida para todos (João 10, 10), tiveram objetivas implicações políticas. Por isso ele não morreu na cama, mas na cruz, condenado à pena de morte.
Já na introdução de seu evangelho, Marcos mostra como as curas operadas por Jesus - o homem de espírito mau, a sogra de Pedro, os possessos, o leproso, o paralítico, o homem de mão aleijada - desestabilizaram de tal modo o sistema ideológico e os interesses políticos vigentes, que levaram dois partidos inimigos - o dos fariseus e o dos herodianos - a fazerem aliança para conspirar em torno de "planos para matar Jesus" (3, 6). Assim, vê-se que as implicações políticas da ação salvífica de Jesus tornaram-se tão graves e ameaçadoras, que induziram Caifás, em nome do Sinédrio, a expressar que era "melhor que morra apenas um homem pelo povo do que deixar que o país todo seja destruído" (João 11, 50).
E como situar, no contexto da Palestina do século I, a questão ideológica?
Lucas registra que "Jesus crescia tanto no corpo como em sabedoria" (2, 52). Era pois um homem de seu tempo e que, segundo Paulo, "pela sua própria vontade abandonou tudo o que tinha e tomou a natureza de servo e se tornou semelhante ao homem" (Filipenses 2, 7). A divindade de Jesus não transparecia por uma consciência que pudesse emergir completamente de seu contexto cultural e sobrepairar, onisciente, acima do tempo e do espaço. Tal possibilidade adequa-se à imagem grega de deus e não à imagem bíblica. Jesus era Deus encarnado e possuía a mesma natureza do Pai. Ora, para o Novo Testamento, "Deus é amor. Quem vive no amor vive em união com Deus e Deus vive em união com ele" (1 João 4, 16).
Portanto, Jesus era Deus porque amava assim como só Deus ama. E nisto consiste a nossa imagem e semelhança com Deus: é divina a natureza de todo amor de que somos capazes. E o somos como abertura a Deus, que nos habita mais profundamente do que o nosso próprio eu, e nos faz acolher o próximo. No entanto, nossa consciência, como a de Jesus, permanece tributária de nosso lugar social e de nosso tempo histórico. Em Jesus, Deus acolhe preferencialmente os oprimidos, em cujo lugar social se encarna e a partir do qual anuncia a universalidade de sua mensagem de salvação. Não há pois neutralidade. Jesus assume a ótica e o espaço vital dos pobres. Seu ponto de vista é a vista situada a partir de um ponto, o da Promessa que ressoa como bem-aventurança aos que injustamente foram privados da plenitude da vida.
Há também em Jesus um vínculo profundo entre sua fé e a ideologia apocalíptica, que o fez esperar com tanta expectativa a eclosão do Reino de Deus ainda para a sua geração (Marcos 9, 1). Muitos exegetas estão de acordo que a crise maior de Jesus foi constatar que não haveria coincidência entre seu tempo pessoal e seu projeto histórico.
O Reino, que se antecipou em sua vida e ressurreição, exigiria a Igreja como sacramento histórico capaz de anunciá-lo, testemunhá-lo e prepará-lo na acolhida do dom de Deus.
___________________________________________________________________________________
Sou político, mas não participo da política partidária e nem das politicagens para fazer um nome ou saciar o ego, tampouco, entrego santinhos de meu candidato ao Senado e não me verão como candidato nem a Vereador. Me arrependo profundamente de aos 14 anos ter sido eleito Presidente da Chapa da Escola. Teria feito alguma coisa, se continuasse sem os holofotes que existem para sondar quem carrega atrás do nome, um cargo. Sou, ainda assim, alguém político, com consciência de que fora dela há poucas ações e que é possível fazer política para o bem, fora da Câmara Federal, com ações de amor e de justiça.

Gito.


_____________________

Post do Gito, um amigo. Tem um post daqui por lá, no blog dele também.
Nesse lance de compartilhar posts nos blogs a gente vai tentando espalhar o que a gente acredita ser boas idéias.
Passe sempre por lá (www.giito.blogspot.com). Na soma de idéias, as daqui, as suas e as de lá, quem sabe a gente não consegue descobrir mais da vida, simples e cheia do que é bom e faz bem.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

SoBre A EnQuEte "O evangelho e a Falência do Cristianismo"


Enquete:

Você acha que o evangelho sobreviverá à falência do cristianismo?

a) Não. Sem cristianismo não há evangelho.
b) Dependerá da lábia dos líderes cristãos para manter os fiéis na igreja.
c) Sim, pois Jesus está além do cristianismo e o seu evangelho nunca passará.
d) Estou confuso. Faltei à última EBD. (Escola Bíblica Dominical)

Resultado:

a) 0 votos
b) 0 Votos
c) 5 Votos
d) 1 voto



"A falência do cristianismo em forma de religião instituída, certamente, é inegável. Porém, os pequenos cristos, ressurgidos nEle pelo sangue derramado no calvário, e pela ressurreição ao terceiro dia, jamais serão desamparados. Aquele que permanece na videira, é ramo que jamais secará. "

Foi o que eu disse no final do post sobre o tema "A falência do Cristianismo".

Por isso, de fato, não porquê eu disse, mas O evangelho não passará e nem morrerá caso suma da face dessa terra o "Cristianismo-Religião-Instituição". Jesus está além de todas as coisas e dessas coisas. Ele é o próprio evangelho. É verdade, caminho e vida e por Ele é que se conhece o Céu, no céu ou na terra.

A opção "Estou confuso. Faltei à última EBD" era uma opção-crítica. Curiosamente, dentre os votos na enquete, um deles foi nesta opção. Mas, não sei se quem votou entendeu o que eu dizia, implicitamente.
Trata-se de uma referência às crenças que se adquiri após adentrar em uma Igreja. Em geral, são ditas as mesmas coisas em todas as instituições. E assim, quem não explora as escrituras por sí só, crendo que o espírito é o guia maior que o pastor, padre e o sacerdote que for, limita-se ao mundinho dos "ensinamentos" clichês, os chavões-cristãos e assim, tornam-se bitoladamente radical e se mantém à margem do mundo, da sociedade e das pessoas, integrando assim, uma igreja que existe pra ela mesma e que prossegue assassinando almas e acorrentando corações que correm em busca de Deus, mas encontram apenas um enlatado Divino. É o "Evangelho"-Miojo. Com um pouco de água quente e 3 minutos, pronto, pode ser saboreado. Não mata a fome, mas engana por algumas horas.

A analogia com a EBD é só pra dar a idéia de cristãos ensinados, enlatados, formados com aulas, adestrados segundo as doutrinas.
Mas, que fique claro: Não é uma crítica a EBD e sim à a alienação cristã. Aos métodos e moralidades, padrões e afins. É crítica ao "crer porque se ouve" e não porque assim é o evangelho.

O evangelho não precisa de frases feitas ou prontas pra ter efeito nas pessoas, posto que quem convence é Cristo, pelo espírito. Toda pregação ou manifestação do que se diga ser evangelho, se houver manipulação, indução ou coisas assim, forçadas, então, não há espírito e não é evangelho.
Bem como Cristo não está presente em tais coisas, ditas em seu nome, mas que nada tem a ver com Ele.

Portanto, seja Cristo Aquele que nos move e nos convence quanto a todas as coisas.
E é NEle e por Ele que ainda tenho esperança.
Os olhos me foram abertos!

TecnOloGia EnCefÁliCa EcleSiaL ?



Alguém ligou o monitor. Às 19h em ponto.
Todos olham, alienadamente, pra edição limitada que passam na TV dos púlpitos.
São todos conjutos de células-membros-digitais, controladas por organismos submissos ao cérebros-sacerdotes.
Cheiro de neurônios queimados no ar. Alma'marrada. Regorgitam mentiras-de-última-geração.

A liberdade foi capturada. Anda torturada em calabolços teológicamente corretos.
São as leis. O que é incompatível ao sistema operacional, segundo a doutrina, não pode ser instalado. Executam a exclusão.
No cideral das mentes, o espaço foi reduzido. Lançaram um mini-satélite pra mapear a massa.
Os cérebros-sacerdotes precisam que seja assim. Não querem perder nem uma porcentagem da massa encefálica. Eles não poderiam continuar a viver caso asteróides de libertação atingissem seus planetas-dos-macacos.
Ficam desorientadamente nervosos quando suas células-membros recebem injeção do líquido VL, que é um anti-coagulante do sangue-mente. Atrofiam e paralizam.

Nessa eutanásia é que querem mante-los, feitos BRP's. (Bonecos Robóticos Programáveis).
Vegetam, os céulas-membros-digitais, em estufas bem arquitetadas, com tubos de respiração com ar do riso, do leão. Um verdadeiro Show. Tecnologia esclesial. Ó, como nos "velhos templos".

Repare: Os aparelhos ainda marcam um batimento cardíaco-racional, fraco, mas existente. As almas desejam ser libertas.

Hey, não fique aí parado, hipnóticamente indiferente aos programas da TV, sejam pentecostais, ortodoxas ou renovadas.

Peguem o gerador e cortem a energia do local.
Vamos entrar e usar o desfribilizador.
Precisamos despertar as vidas de tais macas.





Os desfribilizados, então, viram e ouviram um cochicho: "Graça e Paz seja com vocês"