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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Textos Curtos: Fragmentos



O presente

Experimentei um gorro de papai noel, pensei em usar nesse natal. Pra treinar, caminhei com ele na cabeça, dentro do supermercado.

Depois, na sessão de pneus, eu rebolei num bambolê que fiz com um pneu de moto, à venda por lá. Umas três voltas e, perdi o rebolado. Nunca levei jeito pra isso mesmo. A sorte é que ninguém me viu, isso até qu'eu me lembrei que as bolinhas pretas pelo této, são câmeras.

O vigia viu. Pensei: Acho que ele riu.
Ser vigia não deve ser muito divertido. Ficar olhando aquelas tevêzinhas todas, em preto e branco, mudando de setor, e mudando, e mudando, e mudando... que grande tédio.

Mas, ele riu - Acreditei profundamente.
O riso é remédio pro tédio.
Esse foi meu primeiro presente.
Resolvi comprar o gorro.



Sonhar é destino.

Numa noite, eu sonhei.
Sonhei com um bolinho de ovo, daqueles que vendem na feira, botecos ou rodoviárias. Às vezes, estão murchos e frios, mas, às vezes são fritinhos na hora, como os da feira de sábado, aqui onde moro. Eles fritam e a gente come quentinho e não fica oleoso. A qualidade se estende às coxinhas e salsichas empanadas.

No sonho, eu dava uma grande e única mordida no bolinho, que chegava até a ver a gema, cozidinha.

Fui à feira nesse último sábado. Mordi um bolinho de ovo e ví a tal da gema, cozida.
Quando cheguei em casa, tentei ver um filme, que travou.
Na primeira cena, a primeira frase que ouvi, dizia: sonhar é destino.



Marina

Um dia, se de mim nascer uma menina, ela se chamará Marina.
Ela saberá, desde o seu tempo dentro de mim, que é amada.
E eu direi todos os dias, cochichando em seus ouvidos, o seu nome e o meu amor: Marina, minha filha, eu te amo.
Ensinarei a ela que os jardins são belos por natureza, mas ficam mais ainda quando as borboletas pousam sobre eles. Direi que a vida é boa, apesar das injustiças, das diferenças sociais e dos amores não correspondidos.
Contarei histórias nas tardes de domingo e estórias antes de dormir, com direito à capítulos e continuações, feito os seriados, na verdade, uma desculpa, só pra vê-la fechar os olhinhos descansados toda noite.

Vou lhe dar um livro, um disco e um filme, daqueles que mais gosto de ler, ouvir e ver, mas deixarei que ela mesma descubra e escolha os seus preferidos. Contarei sobre os ensinos dos meus avôs, sobre como o céu fica vermelho quando vai chover, que os velhos – a maioria deles – sabem de coisas do céu que os jovens não sabem ou não entendem, que as maiores e melhores emoções da vida estão em ver um show ao vivo da sua banda favorita, em conhecer pessoas e lugares, em celebrações junto aos amigos, em dar o primeiro beijo na pessoa amada, em sentir saudades, em abraçar seus pais, em contemplar a arte, em dedilhar algumas notas, em viver reencontros. Que escola é importante, mas, mais importante ainda é saber que fora dela é que aprendemos as coisas que mais importam, como os abraços com poder de unificar as cores da pele, os sorrisos que trazem esperança, os olhares que contam histórias – algumas, desejaremos que fossem verdade apenas nas ficções -, que a terra, quando molha, fica com um cheiro bom.

Ela saberá que tudo é lícito, mas que, apesar disso, nem tudo é bom e faz bem e que, quase sempre, o único modo de escapar das besteiras é fugindo pra bem longe delas. Que o melhor é sempre a moderação, mas que certas loucuras precisam ser cometidas. Que basta a cada dia o seu próprio mal e que o amanhã não tem dono, senão Deus. Que Deus não é invenção e nem está preso às limitações e projeções dos homens, mas que só o conhece quem nEle crê. E que quem crê, descobre que Ele também conta histórias, canta afinado, mas que também brinca de desafinar, que Ele dança feito menino, com os pés descalços ao sentir o vento no rosto e que Nietzsche sabia disso, de alguma forma, e orou ao Deus desconhecido, apesar de não ter tido a coragem de acreditar mais do que duvidava. Que a fé é incerteza, é passo no escuro, é coragem, e que por ela se vive coisas impensáveis.

Que a imaginação é asa, e que quem não se permite assim, é pássaro desaninhado no viver. Que o amor, quando deixa de ser teoria, funciona, transforma o mundo, põe as pessoas de pé. Que de tudo que se possa ter, sem amor, não terá proveito algum. Que a ditadura da beleza trás tristeza, mas a beleza como ela é, é alegria e confiança. E que não há problema em ser gordinha, que brigar com seus irmãos ou amigos é uma coisa que acontece, mas não se deve alimentar nenhum sentimento pelo outro que não seja o amor.

Ela saberá que nada do que ela fizer me fará amá-la menos.
Marina, minha doce menina.



Canção do Alívio

João Alexandre escreveu e cantou assim:

“Quem não fez o que devia, mas, só fez o que queria, vai ter que se explicar.
“Timidez ou covardia, estupidez ou valentia, vai ter que se explicar”

Quem muito se explica, assim o faz por culpa.
A culpa, na gente, gera um espírito de auto-justificação como obrigação, pra aliviar a dor da consciência. Por isso que a canção bem diz “vai ter que se explicar”.
Não é falta de liberdade, nem cobrança. Cada um pode escolher o que quiser e não prestar contas. Mas, se não escolher bem, é certo que ficará se justificando. Vai ter que se explicar porque a culpa é grande, a dor é intensa e a consciência sente-se suja, indigna.

Mas, para toda culpa, os corações podem se aliviar naquEle que veio para que ninguém mais precisasse ficar se justificando. Ele tomou as nossas dores e vergonhas, se fez culpado por nós, nos justificou, compôs canções de alívio aos corações.

No lugar da culpa, agora cabe apenas arrependimento.
Os corações podem descansar.



quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os meus re-versos

Críck na imagem para migrar pro lado avesso, o meu inverso, meu eu em marcha ré.


Eu tenho um outro espaço, um outro lado. Ele é recente. Na verdade, ele é antigo. Está dentro de mim o tempo todo, mas, só decidi criar um 'quarto', uma caverna, pr'esses tantos do meu ser, à poucos dias. Ainda está em construção. Mas, tudo bem. Eu também estou sempre assim.
Lá, eu postarei as inversões de mim, daquelas que não cabem aqui.
Caberiam se eu quisesse, mas, prefiro lhes contar em outro canto, um esconderijo mais secreto, pra não perder o sentimento, ou o clima, desse grito intimista, uma abafo da garganta, um manifesto em fundo escuro, mas que, quando externado, vai clareando à céus os dias.
O meu coração, por lá, está exposto de outro modo.

Há muita coisa publicada. A grande maioria, também já publiquei aqui. Mas, lá, haverá mais, que aqui, não escreví.
Visite.

Beijo,

Isa.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Silêncio e Fascinação

Tenho amigos que me ensinam muitas coisas.
Um deles, a quem, confesso; o tratava com desconfiança no começo, hoje me acompanha boa parte do dia. Seu nome é Silêncio.
O Silêncio, me apresentou sua namorada, a Fascinação.
De cara, ela me mostrou detalhes, momentos, faíscas, pessoas, lugares, jeitos e rachaduras que eu jamais teria percebido sem a sua ajuda.
Hoje, somos grandes amigos.
Fiz minhas as palavras de Abraham Heschel, dirigidas em seu leito de morte a um amigo: "Sam, nunca em toda a minha vida pedi a Deus, sucesso, sabedoria, poder, ou fama. Pedi fascinação, e ela me foi concedida."
E agora, muitas vezes, me flagro: embriagado com alguma coisa que me encha os pulmões de oxigênio, os olhos de lágrimas e a boca de júbilo. Tenho sido constantemente flagrado pronunciando algum palavrão sem saber expressar o que sinto por dentro. O palavrão é por não saber o que dizer. Ele vem suave, escorrega da língua aos lábios, e é pronunciado na mesma intensidade da minha fascinação.
Lembro de Rubem Alves, o velho mineiro, meu amigo. Não somos conhecidos. Somos amigos pela leitura. Sou amigo de Rubem Alves assim como sou de Paulo, de Nietzsche e de Clarice.
Rubem Alves costuma dizer que "sem beleza não há salvação". E eu, em respeitosa comunhão, digo Amém.

O rastro da poeira na estrada de terra logo após o caminhão passar; o cheiro da dama-da-noite, árvore safada que se entrega e exala seu perfume quando o sol se esconde; a mulher grávida arrastando sua chinela para atender a porta; a estrela que resolve brilhar mais só porque um menino está nascendo; uma vela ainda esfumaçando ao sopro da menininha em seu aniversário de oito anos; um velho rezando; o salto desengonçado do golfinho; a panela cozinhando o feijão; o vento que espalha as folhas da pracinha; anjos que hospedam em palácios as crianças de rua e as têm por filhos; o tropeço do palhaço; as tecnologias dos computadores, o vento que desarruma o cabelo da violinista; o filho pródigo que encontra a companhia do pai no caminho de volta pra casa; uma estante de livros; o giro do ventilador em noite de verão; um semáforo piscando na rua deserta duma madrugada solitária; a garoa que faz arder os olhos; o vovô sorridente enterrado até o pescoço pelo netinho na areia da praia; a menina que sorri enquanto canta; o voo do tucano; a goteira que enche o balde; mesa farta; fotos entre amigos; o vermelho do fogo na fogueira; uma visita surpresa de Deus ao orfanato; uma canção desafinada nas vigílias dos insônes; os lobos apaixonados pela lua cheia; a fé do herege na busca por crer; o grito da vitória; qualquer bandeira ao vento; as mãos dadas dos namorados; a onda que quebra na praia; as folhas de fax; o sorriso banguelo do mendigo; o médico que atende gratuitamente; a oração sem palavras; a inteligência dos autistas; a mochila esfarrapada do jovem missionário; a pintura no rosto dos pataxós; cheiro de chuva; a rapidez dos mágicos; mãos bailando nos aplausos dos surdos-mudos; Deus que se faz gente...

Os contemporâneos de Francisco de Assis chamavam-no le jongleur de Dieu - o palhaço de Deus. Na primeira reunião pública dos franciscanos, com a presença de três mil irmãos, Francisco ordenou gentilmente aos pássaros que parassem de piar para que os freis pudessem ouvir seu sermão. Eles obedeceram de imediato. Ele amansou um lobo que devorava pessoas no vilarejo de Gubbio e fez com que o povo do local prometesse que não deixaria de alimentar o carnívoro todas as noites. Pegou dois pedaços secos de madeira, fingindo ser arco e violino, e entoou canções de amor a Deus em francês. Compôs um cântico que louva a Deus pelo irmão sol, pela irmã lua, pelo irmão fogo e pela irmã água, e até pela irmã morte. Muitas vezes ele plantava babaneira para ver o mundo de cabeça pra baixo, lembrando aos seus próximos e a si mesmo que a vida no planeta Terra está numa relação de plena dependência da bondade de Deus.
Temos observado o mundo com olhares técnicos. Precisamos da visita de Solidão e Fascinação para nos permitir enxergar a beleza. Precisamos do Silêncio que nos remete numa louca viagem para dentro.
Brennan Manning, em seu livro Ruthless Trust: The Ragamuffin's Path to God (Confiança Cega, no Brasil, pela MC) escreve:

O salmista declara que os céus e a terra estão cheios da glória de Deus. O poeta Gerard Manley Hopkins escreve: "O mundo está carregado da grandeza de Deus". Thomas Plunkett insiste: "Vejo o sangue dele numa rosa". Entusiasmado, Agostinho declara: "Ó Beleza sempre antiga, sempre nova".
Num país degradado por bairros poluídos e paisagens destruídas, os visionários espirituais aquietam os temores que cultivamos e nos inspiram a confiar, levantando nossos olhos para a exuberante beleza de Deus manifestada na criação. Comentando o salmo 148, Agostinho pergunta: "Será que Deus se proclama nas maravilhas da criação?". E responde: "Não. Todas as coisas o proclamam, todas as coisas falam por ele. A beleza que elas têm é a voz com a qual anunciam a Deus e cantam: "Foste tu que me fizeste bela, não eu, mas tu'". Poetas, cantores, compositores, romancistas, músicos, palhaços, e místicos fazem com que as vozes da criação sejam capazes de exclamar: "Como é belo aquele que nos fez!".
Quando criança, John Henry Newman imaginava que por trás de ccada flor havia um anjo escondido que a fazia crescer e se abrir. Mais tarde na vida, tendo-se tornado um eminente teólogo na Inglaterra, ele escreve: "A realidade é mais profunda. É o próprio Deus que pode ser percebido na beleza das coisas sensíveis".
Até Jesus de maravilhava com a beleza que o cercava: "Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores" (Mt 6:28-29 NTLH).


Fascinação nos ajuda a enxergar além do literal. Nos desafia a sonhar com nosso lar, cuja beleza que nos aguarda jamais foi vista por nossos olhos, ouvida por nossos ouvidos ou concebida por nossa imaginação.
Procure por Silêncio, ele te apresentará Fascinação.

Gito.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais açucar pro seu peito?

A angústia é, de certo, um serrote.
Parte ao meio não se sabe ao certo onde. Faz doer cada raspar, até que passe. - Ou não.

O peito, confuso, sangra, perdido como um leigo em ler mapas.
É certo que a angústia também mata. Se dormir passa? - Tem gente que a varre pra baixo do tapete.

A angústia tem um "Bom Dia" estridente.
Ela dóma o peito que não dorme em berço quente. - Como ninar nesse colchão?

Ah, se eles soubessem que pra angústia,
a fé é feito açucar a estancar o sangue.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem medo de ser.

Eu confesso. Queria escrever um texto que pudesse servir de pauta pr'alguma discussão, reflexão sobre algum tema, ou uma crítica sobre qualquer outra dessas coisas que é sempre bom que a gente pense, pese, reflita e, na grande maioria das vezes, fuja, corra pra bem longe e não tenha parte com elas.


Mas, não. Preferi não dizer nada sobre coisa alguma agora. Tudo qu'eu escrevo, eu leio e até releio. Os textos sempre precisam fazer mais sentido pra mim primeiro, se não, melhor que eu apague esse blog. Eu não sei porque eu escrevo aqui. Eu não sei porque faço muitas coisas. Apenas faço, e quando vejo, aquilo faz todo sentido do mundo pra mim. De repente, eu escrevo pra você, que também não sabe porque lê aquí, igual a mim, e vai fazendo, vivendo, pra descobrir onde é que você se acha.
Quanto ao me achar, isso eu já sei. Me acho em Deus e essa é uma verdade imutável, mesmo que essa expressão já tenha se tornado tão clichê entre os crentes. É como diz a música "Não há nada novo, frases repetidas, velhas fórmulas reutilizadas. Mas eu não vou me importar em me tornar repetitivo...". Eu não tenho medo de repetir o que já foi dito se isso for sincero e verdadeiro em mim. Mas, não me conformo com as vãs repetições eclesiásticas. Ora, o evangelho é vivo, é novo todos os dias, como é possível que o que se pode tirar dele é sempre a mesma coisa do mesmo jeito?
Mas, eu não vou me prolongar nessa questão. E nem em questão nenhuma aqui. Tampouco vou discutir sobre alguma coisa. Hoje eu deixo as discussões pros intelectuais, pros senhores supremos das teologias, das filosofias, doutores em conhecimento.
Eu? Eu não tenho teologia, mesmo que às vezes as minhas crenças possam se encaixar em algumas delas, mesmo assim, eu não tenho. Não sou ortodoxa, nem da teologia da libertação, nem Neo coisa nenhuma. Eu apenas sou o que sou, e vou sendo. Posso entender todos esses pontos da teologia e suas 'ramificações', mas, não pertenço a elas. E nem preciso. Só quero o evangelho. Até hoje, apenas ele produziu em mim o que é bom. No mais, eu sigo com a paz de Jesus sendo o árbitro no meu coração e vou me guiando segundo a conciência que o espírito me trás.
Eu não sei tudo sobre todas as coisas. Na verdade, o que sei, quase sempre, é sempre nada perto de tudo o que há a respeito. Prova disso é esse blog. Mas, eu não tenho medo de errar, ou de me precipitar. Geralmente, eu sou impulsiva, o que me faz correr um sério risco de frustração. E, talvez, por causa da melancolia, eu sinto as coisas com muita intensidade. O que pode ser bom e ruim, como tudo nessa vida é se vivido sem sabedoria. Porque tudo o que não edifica, faz mal.
O fato é qu'eu não me envergonho de não saber. Tem um monte de gente aí pra quem eu posso perguntar, com quem posso aprender e tudo mais. Esses dias, eu pensei: E se o contrário de certo for só a incerteza? Ou seja, talvez não seja o erro. Talvez, eu só não saiba e ponto. Isso implica em arriscar. E é bem melhor errar do que perder de viver. Ah, a vida é um mistério. Nem mesmo os que se planejam conseguem garantir os resultados. Mesmo que insegura, eu prefiro arriscar um vôo do que temer viver, e morrer no ninho. Nenhum pássaro voa sem bater suas próprias asas.
E qual é o problema em se contradizer? Talvez, eu tenha dito muita coisa que hoje eu não diria. Ou feito muitas delas que hoje eu não faria. A gente muda o tempo todo e algumas coisas vão tomando outro significado, tendo outro sentido. Isso é condenável?
O que a gente precisa saber é que mudar não nos torna mais ou menos de nós mesmos. A gente muda à medida em que vai se encontrando, ou se perdendo. Às vezes, tem gente que vaga perdido a vida inteira, e só no final sofre a mudança que só a verdade é capaz de proporcionar. Mas, no geral, todo mundo muda o tempo todo. Bom mesmo seria que a gente mudasse sempre que descobrisse o mal do estado presente. Mas, sem esquecer que pra acertar, às vezes, o erro vem primeiro e vem mais de uma vez.

É por isso que eu escrevo esse texto, com coragem. Não temo que, com o passar do tempo, eu tenha mudado sobre tudo o qu'eu disse aquí. Hoje, pode ser que você concorde, ou pode ser que não. Daqui um tempo, talvez você tenha mudado de opinião...


Isa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fé navegante

Ai, quem sabe, vai, me diz; com'é que faz viver sem fé?
Se o amor é paz que vem do céu, não crêr, quem vai querer?
É, avisa lá que acreditar não é se acorrentar.
Eu posso ir navegar no mar ou voar num arranha céu.

Mas, se ficar aqui couber no meu sentir
Ah, tão bom seria ver o amanhecer em euforia
E o amor raiar em luz de paz, como sossego vem.
Ver na vida em fé brotar um mar de alegria.

[Isabela Pizani - 26/03/2010]

quinta-feira, 25 de março de 2010

Coração de pássaro





Sou um pássaro, meu coração é minhas asas


Quando ele arde, os vôos desnorteiam

E o meu peito toma sopro em outra sorte, em outro vento.



Quando se é pássaro, a vida vira um ninho

O que aqui a gente bota, choca o mundo inteiro

E eles gritam todos: gema, gema, gema.


Que desejar mais tortuoso. Que tanto ódio que se expreme.


Ah, o vôo sangra, se o coração aberto está

De tão sincero o meu sentir, o mundo me dói dentro.


Não tenho cascas, não sou ovo.

Tenho carne e muito sangue. Do meu migrar faço canção.

Eu sou um pássaro, exploro os céus. No coração, asas abertas.




[Isabela Pizani - 26.03.10]


Ao Som de Bill Callahan

terça-feira, 16 de março de 2010

Em Síntese

Sobre as religiões:

Eu não creio nas religiões. Ainda que se diga que 'religião' significa 'a busca do homem por 'deus''. Ora, tal significado refere-se à busca por qualquer 'deus' a partir de uma atitude humana, até mesmo ao deus-homem mesmo. Acaso sabe o homem o que buscar? Se soubesse, não haveria apenas uma única religião ou religião nenhum? Quando parte do homem, é falho.

Sobre Deus:

Eu creio em Deus. Sim, Ele eu bem sei que posso buscar, pois, ao contrário das religiões, não parte nunca de mim, mas, dEle. Porque Ele amou primeiro. Isso é o que dá acesso direto, e encaminha a busca da gente pra cruz, longe dos altares humanos. Ele me buscou primeiro. Quando parte de Deus, é redenção perfeita e eterna.

Mas, que fique claro: não faço da minha descrença das religiões uma desculpa para ficar à deriva na vida. Ainda creio que Deus se manifesta na re-uniões das igrejas quando esta se faz no coração dos que congregam, e independem do 'templo'. Melhor é estar à deriva com Deus, onde ele sopra na direção que quiser e a gente, como barquinho à velas, apenas vai e navega.

Sobre o meu ceticismo e a minha fé:

Eu sou cética. Sim, sou cética em meus modos de agir na vida. Descobrí isso com maior eviência em Janeiro, quando fiz uma viagem pra Brasília, pra passar as férias numa ONG, desenvolvendo um trabalho. Durante os dias lá, fiz uma trilha e diagnostiquei ceticismo em mim, muito mais forte do que eu imaginava. Preciso 'ver para crêr'.

Eu tenho fé. Sim, eu sou alguém que crê. Pode parecer um paradoxo, uma contradição, e, de fato, é. A fé é a firme convicção das coisas que se esperam e a certeza das coisas que não se vêem. Assim, a minha fé é para mim um bem, pois, à medida em que creio, eu, que naturalmente sou cética, nego-me a mim mesma. Isso porque a lógica da fé é outra e dá pra gente, que é cético, outra ordem. O paradoxo em ser cético e ter fé faz a gente ficar invertido; Quem precisava 'ver para crêr', vira gente que 'crê para ver'. O que, por incrível que pareça, faz sempre muito mais sentido.

Isa.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A vida escrita.

Esse blog nunca foi um lugar de dedicação de uma boa escrita. Entretanto, jamais escrevi relaxadamente. Apenas escrevo como, por vezes, falo, ou simplesmente escrevo como surge na cabeça. O que importa? Eu permito-me deixa-me levar pelo que em mim, no momento, exerce algum sopro de influência. Prova disso são os textos desse blog; Por ora, infantis e de literatura primária ruim. E por outras, alguma coisa mais trabalhada, um pouco melhor de se ler quando se lê com o intelecto. Contudo, um aviso; jamais leia esse blog como se fosse você o professor pasquale. Eu nem ao menos decorei as novas normas gramaticais.

Aqui, apenas se deve ler o que está escrito, como se fosse uma conversa. E assim como nas conversas, permito-me usar termos próprios, inventados, palavras sem acento, acentuadas onde não são, pra dar ênfase ou apenas brincar com a escrita. Os erros aqui, são certos, assim como na vida.

Sim, na vida, caminho desse mesmo jeito. Tenho 19 anos, sou jovem e preciso me permitir arriscar, errar; esse é o tempo. Quero apenas a maturidade de minha própria idade, de minha própria experiência. Ora, a sua experiência pode-me ser boa pra alguma coisa, entretanto, será sua, sempre sua. Eu quero aprender vivendo, sem medo algum. Aliás, eu escolhi amar, mesmo sem saber. E à medida em que aprendo e vou sendo aperfeiçoada no amor, o medo vai se dissipando cada vez mais pra longe de mim. E eu vou assim, oras. De outra forma, não existiria sinceridade. Eu não pensei nesse texto antes. Apenas abri a página de 'Nova postagem' do blog e comecei a escrever. Os textos aqui são sempre assim, inconstantes justamente por isso. Apresentam diversas facetas em cada momento. Nada é muito planejado. Na vida eu sou assim. Não planejo muito quase nada. Apenas me programo, mas nunca é muito além. Até o tempo em que eu sinta que precise ser assim. Ora, se lá na frente eu perceber que deveria ter me planejado desde cedo, saberei que só mesmo a vida, vivida com vontade, faz-nos capaz de descobrir os melhores jeitos de se fazer as coisas. Talvez isso me faça ser uma mãe de bons ensinamentos aos meus filhos, sejam de sangue ou não. Esses dias eu tive um sonho em que tive uma filha. Postei aqui sobre. Passei o dia com a sensação de amor no peito e ternura na alma por um filho. Os comentários do post são de uns amigos que em breve passarão pela experiência além do sonho, mas, uma criança de verdade, que respira e tudo.

Ora, certamente os comentários foram deles porque pra eles a coisa faz muito mais sentido com suas vida, nesse ponto. É assim com todas as coisas. Ninguém fala do que não vê sentido. Pois, até quem questiona o que acha não ter sentido, questiona porquê, ao menos, lhe faz sentido questionar.

Aqui nesse blog, tudo o que eu escrevo sempre tem peso antes pra mim. As idéias nem sempre são claras. Por vezes, cheias de utopias, maluquices, devaneios e talvez, imaturidade. Ah, mas eu é que não queria nascer pronta e perder a chance de aprender vivendo. Seria tudo muito chato. Como nascer banguelo pra vida eternamente e nunca lhe nascerem dentes, pra evitar de perder um em algum tombo por aí. Quem mandou subir no muro, menina?
Não quero a sabedoria dos velhos hoje. Quero é aprender com eles e depois, quando eu for velha, ensinar quem é iniciante na jornada da vida. Contar as histórias, dar as dicas, encorajar.

Os textos aqui refletem-me como me encontro em cada instante. Até mesmo os intervalos entre os posts. Não me preocupo em postar todo dia. Se eu postasse qualquer coisa só pra encher um servidor e alguém me achar algum "Ual", seria tudo uma mentira.
Eu não. Prefiro assim, escrever o que há em mim e da forma que assim está. É assim que faz sentido. Fará sentido comigo e será com verdade o sentido que fizer pra você.

Prefiro quebrar os dentes todos e dizer; Não uso dentadura. Sou banguela porquê viví.

Um Beijão,
Isa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quando os pensamentos voam e os olhos incendeiam

(Pensamento soltos. Sentindo os sons ao meu redor, as energias que emanam.)


O diabo é o diabo. Os demônios são os demônios, todos do diabo.
Deus É. Jesus é Verbo. O espírito é sopro.
Todo o resto é apenas o que é e, sendo, poderá ser daqui ou acolá, caso se perca em engano de ser.
A criação é vida, povo, viva. Semelhança do criador poeta. Lírico Pai de orfãos. Amor que adota a cria. De modo que, tudo, sendo criado, pertence ao seu dono, posto que nada foi vendido ou roubado, contudo, em nada esteve acorrentado.
Ora, o que é sanidade, sabe. O que é loucura, sabe de outro modo.
A sanidade tem olhos de criança. É cheia de sois azuis, árvores roxas, homens-palitos, jardins e primavera.
A loucura, ora, é cega dos dois olhos. Faz de tudo um diabo endemoniado no ser da existência.
O que é diabo, é diabo. Porém, o que não é, torna-se assim, endiabrado pelos olhos de quem vê.
A possessão contorce o puro, distorce o limpo, o vinho, o pão, a cruz.
Não há ressurreição. Os sois são negros, de raios ultra-violentos. A vida vira a besta do Mar morto, emergida dos infernos de uma alma mórbida, alquimista de 2 rabos, 9 olhos, 3 cabeças. Hercúleo do diabo.
Arreda-te de ti tal macumbaria. Ora, quem assim enxerga faz da vida um vodoo de seu próprio ser e o entrega ao diabo, o próprio.
Ora, Deus É. Jesus é pão e vinho. O seu corpo é cruz, é verbo, espírito de luz e vida.
Vai, feito menino, corre pelo chão, de pés no pó que tem a terra, levando o cesto de 2 peixes, cinco pães e um só grão. Amarelado e ardido, moverá as serras todas. As montanhas andarão, dançarão o baile doce. Ah, eterna mansidão.
A sabedoria não é tola. Se alegra com a verdade.
Vê tudo como tudo é.
A loucura, a sí mesma engana, como a maior das sanidades.
Os olhos incendeiam o corpo inteiro, quando se incendeiam os olhos do corpo.
Mas, se o olhos são refrescos, a alma tem descanso.
Tudo é apenas o que é.
O sangue é a misericórdia de todas as manhãs.
O diabo é o diabo. Os demônios são os demônios.
Deus É. Jesus é Cruz, é vinho. O espírito é verbo e pão, num sopro.
O resto todo é apenas o que é.
Se os olhos endiabram, tudo o que se olha, diabo é.
Se as candeias forem puras, os olhos, iluminam o corpo com sabedoria , pois tudo é bom e para o bem quando o espírito tem olhos de criança.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Um Parto Anormal

Uma letra que me surgiu, com uma melodia que se pariu por conta. Quase nem se fez força.

- > Anormal < -

Eu quero a paz no peito sem o desrespeito da televisão.

Eu quero ver direito, só o amor dá jeito em toda imperfeição.

Eu quero a fé e um tanto mais de liberdade, sem ser mornidão.

Eu não vou me acostumar com os teus pecados normais.

Tua libertinagem não é o meu cais.

Eu quero um andar sincero, à luz da verdade, sem lei de obrigação.

Não vou comprar os berros, nem vender discursos de falsa salvação/solução.

Eu quero o amor no peito e a paz que mostra o certo à todo coração.

Eu não vou me render à tudo, nem à loucura de ser mais um

Nesse mundo de anomalia absurda e sem paz.

Eu quero ver direito, sem o desrespeito da televisão.

Eu quero a paz no peito, só o amor dá jeito em toda imperfeição.

Eu quero ver respeito a todos os direitos, reta informação.

Eu só vou entregar meu mundo ao Deus que é dono da cor do amor

Nesses rumos estranhos eu sigo é sendo anormal.

[Isabela Pizani - 08/12/2009]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

SER é muito mais do que ESTAR

Mais religioso e fanático do que os crentes religiosos e fanáticos, são os que dizem que não vão à igreja por algumas razões clichês-tradiconais. Dizem que vêm muita coisa errada, ou que não concordam com isso e aquilo, que não sabem qual está certa, ou se baseiam nos comportamentos alheios para justificarem-se.


Assim como é puramente religioso o pensamento "cristão" de que Deus está nas 'igrejas' (concreto e tijolo) e de que alguém necessita inegavelmente pertencer à uma para estar com Cristo, tão mais ainda é o dos não-frequentadores-de-'igrejas' que simplesmente não querem nada com Jesus e justificam tudo com a velha e manjada desculpa da igreja-física-concreto-e-tijolo ser imperfeita.

Ora, sejam frequentadores ou não, o caso é que, de fato, nenhum entendeu o que realmente diz o evangelho. Sim, pois, o evangelho nada diz a respeito dessas concepções e percepções de igreja. E mais, tudo isso faz parte do conjunto de males do cristianismo, implantado por Constantino, com a única finalidade de obter poder político, lutando em almejo pelo domínio de Roma, e que, após o surgimento da Igreja Católica, e, logo mais, o Vaticano e todo o resto, como religião advinda de Cristo, mas que por Ele jamais foi implantada, são estes também: A religiosidade impregnada em todo mundo; cristãos e não cristão, frequentadores e não frequentadores, praticantes ou não, crentes ou não-crentes, tanto faz.

Sim, pois, notem: Os crentes, com suas doutrinas e visões à luz da religião cristã - mas sem que Cristo tenha criado qualquer religião, portanto, nada tem a ver com isso, sendo, assim, o cristianismo obra humana, e muito mais das maluquices de constantino - dizem ser necessário ESTAR em alguma 'Igreja' e assim se achegar a Deus, ou ainda, por tanto estreitam ainda mais o caminho, dizendo ser alguma denominação e suas doutrinas como sendo o próprio CAMINHO, ou o próprio Jesus, e assim, preocupam-se com apenas condutas externas e reputações morais, religiosas, intelectuais e afins.

De igual modo, e também com a religiosidade impregnada em suas mentes e corações, os que fogem nada fazem de diferente daqueles que eles próprios julgam serem 'religiosos e fanáticos", antes, procedem de igual modo, pois, tão religiosos e fanáticos estão eles que, estando livres do ambiente da religião e da 'igreja', nada de diferente conseguem enxergar, senão a mesma coisa, do mesmo modo. (A religiosidade está impregnada em diversos ambientes. Em culturas, sociedades diversas.)

Jesus é objeto de interpretação, e não redentor e amigo pessoal, cujo acesso a Deus é intermediado apenas por Ele, e somente Ele. Através de tudo, tenta-se olhar pra Jesus, quando, na verdade, é necessário que o processo aconteça ao contrário, invertido, sendo Jesus a chave hermenêutica para toda interpretação de mundo. Sim, é à partir de Jesus que se olha todas as coisas, e não à partir de todas as coisas que se olha pra Jesus. Desse jeito, nada se pode alcançar além de uma espiritualidade e existência míupe, caolha, cega, de olhos arrancados e furados pela visão à partir da religião.

Quem quer Jesus, não quer religião, pois esta nada pode fazer por ninguém, além de contribuir para o agravamento das doenças psicológicas e espirituais de todos os individuos da terra.
Jesus, sendo o caminho, a verdade e a vida, extermina todas as possibilidades de vida procuradas em outro lugar, a menos que se deseje viver a morte. O caminho não é a religião, seja ela qual for. A verdade não é outra senão Cristo e o seu evangelho, e a vida não está em qualquer outro lugar senão no sangue.
Assim, todo aquele que conhece a verdade, é liberto por ela, o próprio Cristo, ainda que a muito andem enganados pelo lobo vestido de pastor. Pois, as suas ovelhas ouvem a voz do BOM PASTOR, e o seguem.
Quem está livre da religiosidade, e anda pelas estradas da vida na lucidez do evangelho, prossegue para o alvo, pois bem sabe que igrejas não são lugares, mas pessoas. Tanto mais sabe, que com Deus não há desculpas, apenas verdades e sinceridade no viver.
Igreja sou eu, é você, e todos quantos, de alguma forma, deixaram-se invadir pelo espírito de Deus, e foram tomados de amor por Jesus e fizeram-se casas, morada de Deus.
Igreja são corações, de carne e sangue. Logo, só o que pode haver de bom em fugir das "igrejas"-templos-construções com as corriqueiras desculpas é não ser um religioso-praticante. do contrário, nenhuma diferença há.

Quem é de fato livre da religiosidade, mas sabe que precisa de Deus e O reconhece como único capaz de oferecer transformação, cura, libertação, verdade, caminho, esperança e vida, sabe que Jesus não habita em nenhum lugar senão em corações, que não há doutrina alguma além daquela que é sã, o evangelho, e que igreja são todos aqueles que se deixaram ser assim, invadidos por Cristo, mesmo quando ficaram desamparados das comunidades cristãs. Gente assim, sabe que antes de tudo, é ovelha do Bom Pastor, que igreja se faz no coração e acontece na congregação dos que estão do mesmo modo.
Sabe também que diante de Deus, que sonda todos os coração, que é QUEM tem todas as coisas muito bem expostas e às claras, importa muito mais SER (igreja) do que ESTAR ('igreja'). Ora, quem ESTÁ, mas não É, de fato, nunca esteve em lugar nenhum senão na re-união dos NÃO-SOMOS. Porém, quem É, é de fato, mesmo que não esteja. Estes sim, estiveram em todos os cantos, sem deixarem de estar na igreja que é única.
A Igreja que É de Cristo não é de tijolos, nem de concreto ou janelas, tampouco é fixa em algum terrano, ao contrário, de igual modo, assim como Ele, os seus também não têm aonde relinar as cabeças.

Que Deus, que é aquEle que É, cujos seus também SÃO, não deixe de SER em você, ainda que você não esteja. Pois Deus, Sendo, está em todos os lugares quando É no nosso coração.

Beijão, pessoar.
Isa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Como escrevo!

Para melhor visualizar, clique nas 2 imagens. Elas ampliarão.





Em breve, versão digitada-padrão.




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PoEtiSaR [Parte 4]

Talvez um dos primeiros poemas. Feito em uma aula de geografia, durante uma conversa sobre refúgio, ilha de meu próprio quarto, com um amigo de longos anos, chegado.

~> 1/4 [Um Quarto] <~

Meu canto é meu estrado,
e eu o canto no meu canto.
O estado do meu canto
é livre dos seus livros.
Esse canto é livre dos livros do canto,
que em seu canto,
não encontram estrada.

[Diogo Nemésio – Isabela Pizani - (29.11.06)]


Esse é o Blog do Diogo - O Malabares - Lá tem alguns escritos dele. Ele continua escrevendo, mas nem sempre posta por lá.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

As tolas discussões

Se tem uma coisa que neguinho gosta de pegar no pé de quem é Presbiteriano, é sobre a predestinação.
Quando entrei pra igreja, por causa de Jesus, fui pra Presbiteriana. Mas, tampouco me importa os discursos de predestinação. Minhas raízes não estão ligadas à doutrina calvinista, pois, apenas congrego porque há gente com quem congregar. Se a denominação fosse outra, mas a mesma gente estivesse lá, certamente, lá eu estaria. Minhas raízes estão em Deus somente, por isso, não me questione sobre as doutrinas afim de provar qualquer coisa de quem está certo ou errado, como isso ou auqilo funciona e o que for, seja você da igreja que seja.

Ah, não se escandalize comigo ou, se você for presbiteriano daqueles que batem no peito e gritam "eu tenho orgulho de o ser", nem tente colar-me os versículos da pré-eleição. Bem sei sobre eles e digo: De que acaso tanto se orgulha? Não é tolo aquele que se vangloria na graça como vantagem sobre outros ? Ora, pois, como poderá alguém orgulhar-se do que lhe é favor imerecido de redenção? Pode o homem salvar-se a sí mesmo e de seus pórprio delírios ou fazer qualquer coisa que lhe torne digno de tal graça recebida? Quem há que tenha alcançado a Deus por suas próprias forças e feitos, capaz de pensar poder se orgulhar quanto ao que lhe foi concedido gratuitamente? Assim, jamais se orgulhe de nada, mas, apenas não se envergonhe de Cristo e de a ele pertencer, posto que tudo lhe é dado pela graça, quer bem ou mal, mas para o bem de todo aquele que ama à Deus.

Assim, quem há que saiba das coisas mais do que Deus, que é quem criou todas elas? Por isso, digo, discutir sobre tais coisas é tolice, bobeira dos homens que insistem em discutir por toda a existência as formas de Deus. A teologia toda é assim; pensante à respeito de Deus, mas sempre segundo os homens. Por tal razão, jamais poderá explicar os mistérios daquEle que é, e nunca deixa de ser.
Deus existe na eternidade de seu próprio tempo, ao mesmo tempo em que não há tempo para Deus. Por isso é que Ele nunca foi, está sendo ou será, mas, apenas É. Estado que excede todo o tempo, é a-temporal, mas nunca fora de tempo.
Assim como está escrito "os MEUS planos são mais altos que os seus planos, e os MEUS caminhos são mais altos que os seus caminhos", também há que "para Deus, um dia é como mil anos e mil anos como um dia". Assim, não há passado, presente ou futuro para Deus, há apenas o que é, o tempo todo, a todo tempo, o tudo junto em uma coisa só. Quem pode compreender tais mistérios de toda existência e toda a eternidade ?
Assim, saiba, é perda de tempo discutir sobre qualquer coisa, a menos que seja para discernir das babaquices que impõem às almas dos homens coisas além do Cristo e a sua graça.
Por isso, não tente saber, e tampouco discuta, apenas creia que pela fé somos salvos, pela graça do cordeiro imolado antes da fundação do mundo, pois, para Deus, todas as coisas acontecem, nunca passam e jamais ainda serão. A linha do tempo apenas existe para nós, inseridos dentro de nosso próprio tempo presente. Porém, Deus não está preso à linearidade alguma de tempo algum. Por isso, ninguém jamais saberá, apenas poderá crer e discernir pelo espírito.
Os paradoxos de toda existência estão anexos aos mistérios da divindade de Deus que jamais se pode entender ou explicar, apenas se crêr no que nos excede todo o entendimento, porque Deus é.

No mais, não sou anti-isso ou anti-aquilo, apenas, mesmo congregando em uma igreja-denominação, sou apenas corpo que congrega com outros; não tenho religião. Tenho Deus em mim e além de mim, que me ajuda a desvendar o meu próprio mistério de ser quem eu sou. Tudo o que eu puder conhecer de Deus, jamais O será por completo, contudo, será o todo dEle que me foi revelado.
Afinal, um Deus que eu pudesse pensar, racionalizar, medir, compreender, entender e explicar, não seria Deus. É por isso que Ele não cabe dentro das religiões, da teologia, das doutrinas e toda sorte de racionalização. É Deus que excede todo o entendimento. Está além de todas as placas de igrejas.
É desse Deus que eu sou.


NEle, que É.
Um Beijão!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PoEtiSaR [Parte 3]

~> Cronomomento <~

Sento, espero o tempo passar.
Já é hora, vai.
Vem depressa, aperta o passo.
Eu largo mão daqui se tiver que esperar demais.

O tempo espera você passar por mim.
E ele pára, de vagar minutos.
Vende a pressa, a pé eu passo a te levar.
Não largo mão de ti. Se o tempo voa, eu quero é mais ficar.

Parei o tempo só pra te ver chegar depressa.
E foi tão lendo o passo, qu'eu me esqueci de acelerar de volta.

(Isabela Pizani - 18/08/2009)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PoEtiSaR [Parte 2]

Podem rir, eu também rí. rs
Contudo, eis o que me surgiu:



~> Vegetais <~

Bata. Tá na porta o segredo pra entrar.
Na sala da re-união se tem toda sorte de gente.
Toda face estrangeira. Toda. All-face.
Tempero com sal, pimenta. Azeite que conserva a junção.

No calor do encontro, venha, encha o seu prato.
Não há diferentes, apenas um destinto sabor da diversidade dos seres.
Toma-te, então, coragem para experimentar da junção.
Be - Terra - Ba, é água do mundo inteiro pra você tomar.

Beba a terra de todos os povos; é só o que pode te saciar.
Amor sem validade, sem in-diferença, sem lote ou intoxicação.
Bata. Tá na porta o segredo que te faz enxergar.
Ora, veja os tais.


(Isabela Pizani - 08/10/2009)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PoEtiSaR

Eu não sei vocês, mas as vezes me vêm uns versos, e aí, eu me deixo levar. Esse é de uns 2 meses atrás.


-> Aquarela <-

Te fiz papel, um texto, um beijo meu.
Te vi tão raro grão, o sal, areia.

Me fiz maré, um vento, um todo seu.
Me vi tão cheio mar, ao meio, um ar e ia.

Deixa a maré te levar.
Ah, deixa, que amar é te ler, vai.

(Isabela Pizani - 09/08/2009)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DoS HoMeNs QuE PodEMoS SeR e Da JustIçA qUe NãO NoS É JuStA

De um lado.

Ensinaram-lhe que deveria fazer como se fosse o próprio.
Assim, enquanto olhava, bem mirado, projetou-se nave.
Desacoplou de seu compartimento-base. Num estouro, explodiu em direção ao alvo.
Percorreu viajante o caminho desimportante, focado, veloz que nem se via.

"Seja a bala" - sussurrava-lhe as vozes do sitema que o domesticou assim.
É pelo bem da população.
"Eu sou a bala" - Concentrava-se em aplicar o que aprendera um dia.

Enfim, terra inimiga a vista: vamos penetrar.
Ao tocar o solo-pele, rasgou-o como se fosse um fino papel. Esfolheou-lhe o couro. Arrancou-lhe o sangue. Perfurou as chapas de cálcio-crânio que protegiam o núcleo-cérebro.

Na mosca.
Aterrissou num metal-placa de portão de casa. Vinho, como as plaquetas escuras do sangue fresco pelo chão.

O dia livre.
Herói pela concepção estranha de justiça e certo.
O Civil salvo.
Missão completa.
Saiu da nave.
O homem-bala.




Do outro lado.

Apreensão. Desnorteado, extravazou no erro.
Se power-transformou em homem-bomba, em terrorísta da sua própria vida.
Ficou tomado pelo diabo da loucura. Inferno em sí mesmo. Desesperou-se agarrado à vítima. Explodiu-lhe a sensatez-Humana. Endoideceu no ser.
Nada se sabe da sua existência. Consideraram em preservar-lhe a vida.
Angustiava-se aguardando o fim. Foi preso. Pelas entranhas de sua alma só, foi pego de surpresa. Esquecido, odiado. Acharam justo a decisão.

Em um vascilo só: Pá! - Sem dó.
Miolos pelo chão. Mil olhos na televisão.
Satisfação de alguns.
Disseram: É menos um!

O Civil salvo.
"Bandido, ladrão, sem-vergonha e folgado" - Assim julgado sem pré-disposição em conhecer-lhe a história.
Maldito dia de surto.
Missão Failed.
Morreu na guerra.
O homem-bomba.




Isso é pra dizer como eu jamais entenderei as soluções desses meus dias.
Todo tiro certeiro deveria ser luto em todo ser humano, por não acharmos solução capaz de preservar as vidas. Ao contrário disso, a gente bate é palma.


Entre bandidos e mocinhos, matar ou morrer, eu fico é com a justiça que não é dos homens.


Maranata!



Isabela Pizani.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sentido no horário

Eu não sei quanto a vocês, mas, tem vezes que a minha mente voa. E aí, eu deixo ela solta, sobrevoar. E vôo junto, vou viajar.
Não é poema ou poesia. Não sei o que é, mas, é. rs


- > Sentido no horário < -

Tudo é ponteiro.
É por isso que a vida é cheia de quase tempos, quase horas.
Há tempo para todas as coisas e todas as coisas tem o seu tempo.

Ai, quanto tempo de esperar. Quem sabe o próximo ainda não é... ou, quem sabe, é, será!
Percebo os livramentos que me dá o quase tempo.
Escapadas de precipitações, pra não dizer depois, no fim: "quase acertei a hora".

Isso me traz sossego, pois, se não há tempo a perder, porque o tempo é curto, pra que tudo apressar?
Correr o tempo pode me fazer atrasar, perder a hora. E ai, se foi. Como voltar?

Deixa, deixa o tempo passar no seu devido tempo que a hora certa chega e marca o fim de toda espera.
Deixa, deixa que o que é ponteiro um dia se encontra e deixa tudo no lugar.

Há sentido no horário, mesmo quando se gira ao contrário, se tudo é ponteiro.



[Isabela Pizani - 24/09/2009]