O menino, pqno, corria de braços abertos, pelos corredores do templo, imaginando ser 1 avião."nhóoumm", fazia com a boca, qndo de repente...
Altivo, veio o homem engravatado, com sua religiosa razão, lançando-lhe 1 repreensão: Muleque encapetado, + respeito com a casa do Senhor...
Ele desligou os motores e aterrissou. Confuso, sentou-se num canto pra tentar entender o sentido daquela repreensão...
É q ele aprendeu certa vez, que Deus faz morada nos corações. Então, ele gritou: "Mais respeito comigo, senhor, pq a casa de Deus sou eu."
Deus habita onde há corações de menino, que fazem da vida um vôo livre. Mas jamais morará em corações q se assemelham à templos de concreto.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Um conto em 144 caracteres
Grifes
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Isabela Pizani
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sábado, 24 de abril de 2010
No Jardim
Grifes
conto,
madrugadas,
pensamentos
Caminhando pelo Éden, estava Adão e também eva, sua mulher.
Ela havia sido criada à partir da costela.
Ele sempre fazia a mesma piada, todos os dias: Você é o meu filé mingnon! hahaha - Gargalhava Adão.
E Eva respondia: E você é a picanha!
Passeavam pelo jardim, dando frutinhas aos esquilos e aos leões. É que antes, os leões também não se interessavam por carne. E eles todos faziam churrascos de morangos no espeto, banhados no mel.
Diziam que era uma delícia. Adão e Eva gostavam e faziam de monte. Nunca faltavam morangos e as abelhas não ferroavam e nem se importavam em repartir o mel. Davam-no como presente.
Tudo estava na mais perfeita harmonia. Deus sempre aparecia pr'esses churrascos e trazia suco de uva, desses concentrados. Quando todos já estavam empanturrados de comer, Deus contava umas piadas. A turma toda ria até a barriga doer. Não dava dor de barriga, então, podiam rir à vontade.
Certa manhã, Eva caiu na lábia da serpente sagaz.
Confundida, foi apanhar uma das frutas da árvore que Deus havia dito para não comerem, porque, no dia em que comessem, era certo que morreriam.
Mas, Eva se esqueceu, e foi. Comeu e dividiu também com Adão.
Então, como nunca antes haviam percebido, notaram-se nús, e envergonharam-se.
Era quase hora do churrasco do dia e Deus estava chegando com as amoras, suco de uva e outras novas piadas.
Quando eles ouviram os assovios de Deus se aproximando, correram pra se esconder atrás de umas folhas de figueira.
Deus, ao se aproximar, notando o silêncio incomum e ausência dos bichos, perguntou: Onde vocês estão?
Eles, escondidos, tiveram vergonha de responder. Mas, por causa da piniqueira que a folha causava, não aquietavam-se e Deus os encontrou, e disse:
O que fizeram? Eu não disse pra não comerem a fruta?
Eles não sabiam se se coçavam ou se continuavam a esconder suas 'vergonhas'.
(Dizem que por causa desse episódio da piniqueira, é que os homens coçam seus 'chuveirinhos' até hoje. rs)
A cena era a mais ridícula que se consiga imaginar.
Um tentou jogar a culpa pro outro.
- A mulher me ofereceu, e eu comi. Não fui eu quem teve a idéia - Dizia Adão, fugindo.
- Foi a serpente, meu Deus. Foi a serpente. Ela me confundiu e me enganou. - Dizia Eva, sem saber o que fazer e dando mais uma mordida pra conter a ansiedade.
Como Deus havia dito que aconteceria, a morte passou a existir quando eles tornaram-se conhecedores do bem e do mal.
Ora, o saber é sobremodo atraente. Mas, não conduz a outro caminho senão o de engano e de morte.
Aquele que anseia o saber, nota-se nú e se esconde nas folhas que pinicam por inteiro, se embaraçam em situações ridículas.
Deus, com muita dor no coração, ainda disse: Faremos outro churrasco quando vocês perceberem que, mesmo tudo sabendo, do bem e do mal, fóra dos Meus planos perfeitos, vocês sempre estarão nús e expostos ao extremo ridículo.
Isa.
Ela havia sido criada à partir da costela.
Ele sempre fazia a mesma piada, todos os dias: Você é o meu filé mingnon! hahaha - Gargalhava Adão.
E Eva respondia: E você é a picanha!
Passeavam pelo jardim, dando frutinhas aos esquilos e aos leões. É que antes, os leões também não se interessavam por carne. E eles todos faziam churrascos de morangos no espeto, banhados no mel.
Diziam que era uma delícia. Adão e Eva gostavam e faziam de monte. Nunca faltavam morangos e as abelhas não ferroavam e nem se importavam em repartir o mel. Davam-no como presente.
Tudo estava na mais perfeita harmonia. Deus sempre aparecia pr'esses churrascos e trazia suco de uva, desses concentrados. Quando todos já estavam empanturrados de comer, Deus contava umas piadas. A turma toda ria até a barriga doer. Não dava dor de barriga, então, podiam rir à vontade.
Certa manhã, Eva caiu na lábia da serpente sagaz.
Confundida, foi apanhar uma das frutas da árvore que Deus havia dito para não comerem, porque, no dia em que comessem, era certo que morreriam.
Mas, Eva se esqueceu, e foi. Comeu e dividiu também com Adão.
Então, como nunca antes haviam percebido, notaram-se nús, e envergonharam-se.
Era quase hora do churrasco do dia e Deus estava chegando com as amoras, suco de uva e outras novas piadas.
Quando eles ouviram os assovios de Deus se aproximando, correram pra se esconder atrás de umas folhas de figueira.
Deus, ao se aproximar, notando o silêncio incomum e ausência dos bichos, perguntou: Onde vocês estão?
Eles, escondidos, tiveram vergonha de responder. Mas, por causa da piniqueira que a folha causava, não aquietavam-se e Deus os encontrou, e disse:
O que fizeram? Eu não disse pra não comerem a fruta?
Eles não sabiam se se coçavam ou se continuavam a esconder suas 'vergonhas'.
(Dizem que por causa desse episódio da piniqueira, é que os homens coçam seus 'chuveirinhos' até hoje. rs)
A cena era a mais ridícula que se consiga imaginar.
Um tentou jogar a culpa pro outro.
- A mulher me ofereceu, e eu comi. Não fui eu quem teve a idéia - Dizia Adão, fugindo.
- Foi a serpente, meu Deus. Foi a serpente. Ela me confundiu e me enganou. - Dizia Eva, sem saber o que fazer e dando mais uma mordida pra conter a ansiedade.
Como Deus havia dito que aconteceria, a morte passou a existir quando eles tornaram-se conhecedores do bem e do mal.
Ora, o saber é sobremodo atraente. Mas, não conduz a outro caminho senão o de engano e de morte.
Aquele que anseia o saber, nota-se nú e se esconde nas folhas que pinicam por inteiro, se embaraçam em situações ridículas.
Deus, com muita dor no coração, ainda disse: Faremos outro churrasco quando vocês perceberem que, mesmo tudo sabendo, do bem e do mal, fóra dos Meus planos perfeitos, vocês sempre estarão nús e expostos ao extremo ridículo.
Isa.
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Houve um tempo
Houve um tempo em que o homem usava roupas finas.
Dizia ser um representante de Deus.
Oprimia aos outros homens e lhes cobrava indulgências.
Cortavam-lhes a cabeça. Torravam-nos na fogueira.
O homem se endiabrou, quis ser o deus de outros homens.
Mas, só conseguiu ser diabo.
Houve um tempo em que o homem cansou.
Não aceitou mais ordem nenhuma de nenhum senhor de roupas finas.
Em seu renascimento, iluminou-se nas idéias.
Enfraqueceu o poder do cléro.
Fez-se, então, de sí mesmo, o seu próprio deus.
Amigou-se com o diabo.
Houve um tempo em que os homens de roupas finas
chamaram os outros que se rebelaram, de endiabrados.
Nem perceberam que eles próprios eram diabos.
Estes, desde sempre, atribuíram tudo à Deus
para fugirem da responsabilidade de seus próprios atos.
Fizeram de Deus um diabo.
Houve um tempo em que os homens que se cansaram, pensaram, então, estar livres.
Filosofaram, apedrejaram todas as religiões.
Descreram de tudo e de todos os deuses.
Mais corajosos, assumiram as responsabilidades de seus atos.
Mas, quando a terra tremia, o vento girava, os vulcões cuspiam e os céus desabavam
Impotentes, não sabiam explicar e pensavam: Se esse Deus existe, é certo que é um diabo.
Na verdade, tudo isso ainda há.
Todos fizeram-se deuses de sí mesmo.
Uns, pra sustentar esse reino, fizeram em nome de Deus, sem que Deus, de fato, jamais tivesse assinado embaixo dos feitos.
Outros, pra consquistarem seus reinos livres, fizeram o bem de fugirem desses outros homens, mas, sofreram o mal de confundirem ser Deus esse diabo que é o deus-homem.
E ninguém percebeu Deus de verdade.
Nem mesmo quando a terra tremia, o vento girava, os vulcões cuspiam e os céus desabavam, ninguém se tocou.
Isa.
Dizia ser um representante de Deus.
Oprimia aos outros homens e lhes cobrava indulgências.
Cortavam-lhes a cabeça. Torravam-nos na fogueira.
O homem se endiabrou, quis ser o deus de outros homens.
Mas, só conseguiu ser diabo.
Houve um tempo em que o homem cansou.
Não aceitou mais ordem nenhuma de nenhum senhor de roupas finas.
Em seu renascimento, iluminou-se nas idéias.
Enfraqueceu o poder do cléro.
Fez-se, então, de sí mesmo, o seu próprio deus.
Amigou-se com o diabo.
Houve um tempo em que os homens de roupas finas
chamaram os outros que se rebelaram, de endiabrados.
Nem perceberam que eles próprios eram diabos.
Estes, desde sempre, atribuíram tudo à Deus
para fugirem da responsabilidade de seus próprios atos.
Fizeram de Deus um diabo.
Houve um tempo em que os homens que se cansaram, pensaram, então, estar livres.
Filosofaram, apedrejaram todas as religiões.
Descreram de tudo e de todos os deuses.
Mais corajosos, assumiram as responsabilidades de seus atos.
Mas, quando a terra tremia, o vento girava, os vulcões cuspiam e os céus desabavam
Impotentes, não sabiam explicar e pensavam: Se esse Deus existe, é certo que é um diabo.
Na verdade, tudo isso ainda há.
Todos fizeram-se deuses de sí mesmo.
Uns, pra sustentar esse reino, fizeram em nome de Deus, sem que Deus, de fato, jamais tivesse assinado embaixo dos feitos.
Outros, pra consquistarem seus reinos livres, fizeram o bem de fugirem desses outros homens, mas, sofreram o mal de confundirem ser Deus esse diabo que é o deus-homem.
E ninguém percebeu Deus de verdade.
Nem mesmo quando a terra tremia, o vento girava, os vulcões cuspiam e os céus desabavam, ninguém se tocou.
Isa.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Astronauta
Grifes
conto,
madrugadas,
Surrealidade-Real
Já era tarde quando ela durmiu os olhos, depois de um dia comum. Desde menina que ela se aventurava pelas madrugadas, sozinha, enquanto todos os outros dormiam. Pela noite, entrava em órbita, visitava planetas e conhecia as estrelas. Constelações de pensamentos habitavam sua mente até que os olhos pesavam e o sol apitava. Ela apagava quando o dia acendia.
Mais tarde, continuava a quase não dormir. Levantava com os olhos vermelhos, ardendo por mais umas horas de sono. Mas, o dia lhe chamava. E ia, sem muito querer, ver o dia passar em passos lentos. Tinha um profundo desejo; ver o relógio picar as horas com pressa.
Um dia, em uma das madrugadas vividas, adormeceu os olhos e, antes que o galo cantasse, despertou n’um pulo, no meio da noite, arregalou a alma e, n’um berro do espírito, expirou. Clamou um grito de misericórdia; "Meu Deus, perdoa-me! Porque fiz, porque sou, porque quis." E fora, de súbito, um despertar, na madrugada, de alívio. Num desespero de vida, sem ser n’um tempo tardio, arrependeu-se dos seus pecados e sucumbiu; na relutância do corpo, entre o sono e seus sussurros, outra vez dormiu.
Pela manhã, arregalou-se sem saber se o que vivera havia sido real. Raiou sentindo como Deus; algumas coisas foram lançadas ao mar do esquecimento. Na madrugada, havia morrido pra morte e parido-se pra vida; nasceu. Soube que Deus descansava os olhos e lhe fizera sentir como Ele sentia. Exclamou: "nada me fizera voar por tantos milênios áté este dia. O perdão nos arrebata à outras galáxias, nos acopla à outra energia. Arrepender-me foi-me a maior das viagens. Deus me transportara em sua nave a um outro planeta. Esvaziou-me da poeira do espaço-pecado e encheu-me com seu amor intergalático, feito um raio que alumiou minha alma."
Por isso havia acordado desse jeito, inebriada. Todo pecado é perdoado se vem de corações arrependidos. E Deus, o autor do universo, de fato, lança fora os pecados ao mar do esquecimento. E de tão profundo, é como se nunca houvessem existido.
Ela exultou-se e salmodiou;
Deus do universo, a quem te compararei ?
És tão maior do que as galáxias e os seus mistérios semelhante ao dos buracos negros, mas infinitamente mais profundos.
Quem poderá te medir? Ninguém poderá. Pois, tua grandeza não cabe no universo inteiro.
A tua glória é infinda e a tua luz brilha mais do que todas as constelações em uníssodo brilhar.
Eu sou como o pó que com um sopro se dissipa e se finda. Os meus dias são como a sombra.
Sem Tí, óh Deus, eu mergulho em trevas, me engasgo no viver. Sou folha verde que seca antes do outono e morre.
Os meus caminhos são tortuoso e minhas veredas são errantes porque me esqueci de Tí, e contra Tí pequei.
Meus ossos envelhereram-se e juntamente a minha alma adoeceu.
Sem tí, sou povo obstinado, de coração impuro e de imundos pensamentos.
Mas o Teu espírito me constrangeu, me atraiu à gravidade de Tua órbita.
Tú, óh Deus, és o meu sol. E eu, sou planeta em devastação.
Mas, as tuas misericórdias se renovaram sobre mim e aqueceram o meu chão, fertilizaram o meu solo, potabilizou a minha água.
A tua graça é meu escudo e o teu amor é como o vácuo; me faz flutuar à merce de Tuas mãos.
O Teu perdão me faz um vento; pelo Teu sopro eu vou, eu vôo, vou ao sul de toda sorte onde o meu norte é o Teu querer.
A Tua Paz me embriagou. A Tua vida me fez livre.
Você me faz caminhar por caminhos de infindas boas descobertas.
O Teu ouvir; a minha prece - Decolo em oração.
O Teu amor; a minha paz - Repouso na estação.
Sua astronauta eu sou.
Isa.
__________________________________
Críca pra ver a letra dá canción ->
Mais tarde, continuava a quase não dormir. Levantava com os olhos vermelhos, ardendo por mais umas horas de sono. Mas, o dia lhe chamava. E ia, sem muito querer, ver o dia passar em passos lentos. Tinha um profundo desejo; ver o relógio picar as horas com pressa.
Um dia, em uma das madrugadas vividas, adormeceu os olhos e, antes que o galo cantasse, despertou n’um pulo, no meio da noite, arregalou a alma e, n’um berro do espírito, expirou. Clamou um grito de misericórdia; "Meu Deus, perdoa-me! Porque fiz, porque sou, porque quis." E fora, de súbito, um despertar, na madrugada, de alívio. Num desespero de vida, sem ser n’um tempo tardio, arrependeu-se dos seus pecados e sucumbiu; na relutância do corpo, entre o sono e seus sussurros, outra vez dormiu.
Pela manhã, arregalou-se sem saber se o que vivera havia sido real. Raiou sentindo como Deus; algumas coisas foram lançadas ao mar do esquecimento. Na madrugada, havia morrido pra morte e parido-se pra vida; nasceu. Soube que Deus descansava os olhos e lhe fizera sentir como Ele sentia. Exclamou: "nada me fizera voar por tantos milênios áté este dia. O perdão nos arrebata à outras galáxias, nos acopla à outra energia. Arrepender-me foi-me a maior das viagens. Deus me transportara em sua nave a um outro planeta. Esvaziou-me da poeira do espaço-pecado e encheu-me com seu amor intergalático, feito um raio que alumiou minha alma."
Por isso havia acordado desse jeito, inebriada. Todo pecado é perdoado se vem de corações arrependidos. E Deus, o autor do universo, de fato, lança fora os pecados ao mar do esquecimento. E de tão profundo, é como se nunca houvessem existido.
Ela exultou-se e salmodiou;
Deus do universo, a quem te compararei ?
És tão maior do que as galáxias e os seus mistérios semelhante ao dos buracos negros, mas infinitamente mais profundos.
Quem poderá te medir? Ninguém poderá. Pois, tua grandeza não cabe no universo inteiro.
A tua glória é infinda e a tua luz brilha mais do que todas as constelações em uníssodo brilhar.
Eu sou como o pó que com um sopro se dissipa e se finda. Os meus dias são como a sombra.
Sem Tí, óh Deus, eu mergulho em trevas, me engasgo no viver. Sou folha verde que seca antes do outono e morre.
Os meus caminhos são tortuoso e minhas veredas são errantes porque me esqueci de Tí, e contra Tí pequei.
Meus ossos envelhereram-se e juntamente a minha alma adoeceu.
Sem tí, sou povo obstinado, de coração impuro e de imundos pensamentos.
Mas o Teu espírito me constrangeu, me atraiu à gravidade de Tua órbita.
Tú, óh Deus, és o meu sol. E eu, sou planeta em devastação.
Mas, as tuas misericórdias se renovaram sobre mim e aqueceram o meu chão, fertilizaram o meu solo, potabilizou a minha água.
A tua graça é meu escudo e o teu amor é como o vácuo; me faz flutuar à merce de Tuas mãos.
O Teu perdão me faz um vento; pelo Teu sopro eu vou, eu vôo, vou ao sul de toda sorte onde o meu norte é o Teu querer.
A Tua Paz me embriagou. A Tua vida me fez livre.
Você me faz caminhar por caminhos de infindas boas descobertas.
O Teu ouvir; a minha prece - Decolo em oração.
O Teu amor; a minha paz - Repouso na estação.
Sua astronauta eu sou.
Isa.
__________________________________
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Estória de Natal - Reflexões de Pedro. III
Grifes
conto,
Natal,
Surrealidade-Real
E quem não gosta de Peru? Não gosta de Natal? Eu sempre ouço alguns dizerem que o Natal é um aniversário. Mas, alguém sabe ao certo o dia em que nasceu o menino? E se não for nesse dia 25? O Natal acabaria? No livro qu'eu lí, contam da história dele. Falam no nascimento, mas não se preocupam com datas. Ninguém citou o dia e nem a hora. Acho que é porque ele sempre vem assim, sem que ninguém saiba de nada. Vem chegando e tudo é festa. Houve até uns reis do Oriente. Levaram presentes e tudo. Mas, no fim, o menino é que se faz assim, presente de Deus. Você sabia, Pedro? Deus não é Noel e nem Peru; Ele é menino. Quando eu ouço o nome dele, meu coração fica apertado. Bate um amor em mim. Você sente , Pedro? A minha alma fica tão quentinha. Ai, o Natal vem sempre. Ele acontece nos corações da gente. Por isso que não há neve. É que tudo está aquecido em nós de tanto amor pelo menino e do menino por nós. O Natal sempre chega todo dia, e a gente comemora o nascimento do menino no coração da gente.
É tanta graça nas manhãs.
Fiz uma canção de Natal.
É bem curtinha e chama 'FESTA'. Mas não é a da Ivete. É a do meu coração.
Tem um menino dentro dele que faz os natais serem cheios mesmo que não haja ceia, não tenha música, nem comida ou bebidas, e até mesmo que eu o passe só, ainda ssim, não estarei sozinha.
~> Festa <~
Hoje é dia de graça.
O Teu filho menino já chegou.
Hojé é dia de amor e paz.
A alegria de Tua glória me tomou.
E hoje há festa em meu coração.
E hoje a fé está em Você.
[Isabela Pizani - 23/12/2009]
É tanta graça nas manhãs.
Fiz uma canção de Natal.
É bem curtinha e chama 'FESTA'. Mas não é a da Ivete. É a do meu coração.
Tem um menino dentro dele que faz os natais serem cheios mesmo que não haja ceia, não tenha música, nem comida ou bebidas, e até mesmo que eu o passe só, ainda ssim, não estarei sozinha.
~> Festa <~
Hoje é dia de graça.
O Teu filho menino já chegou.
Hojé é dia de amor e paz.
A alegria de Tua glória me tomou.
E hoje há festa em meu coração.
E hoje a fé está em Você.
[Isabela Pizani - 23/12/2009]
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Estórias de Natal - Reflexões de Pedro II
Grifes
conto,
Natal,
Surrealidade-Real
Do samba eu gosto. Mas acho muito ruim como as pessoas ficam durante a festança. Dizem que são as bebidas. Deve ser porque eles se vestem de latinhas! Tem gente que morre com tiros de dedos que abrem seus lacres. Perdem mesmo a cabeça. Que desespero, imagina? O carnaval acaba mais cedo pra sempre. Não era pra ser uma festa cheia de alegria? Que nem o Natal, não é, Pedro? Muita alegria, amor e paz. Aí, pena que aqui não neva. Daí, o Natal nunca chega. Ah, mas tem coisa errada aí, viu, Pedro. É, eu ví na TV. O natal vem todo ano. Roupas chiques, uns presentes. Todo mundo aguardando a meia noite pra comer o Peru. Será que Natal significa isso? Festa do Peru? Esquisito, não é Pedro?
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Estórias de Natal - Reflexões de Pedro.
Grifes
conto,
Surrealidade-Real
O Natal tá chegando, não tá, Pedro? E ainda nem começou a nevar. Estranho. Já até vestiram o papai noel com blusa. Como ele aguenta? Aqui faz um calor! Dizem que os gordinhos sentem menos frio do que os magrelas. Será que a barriga dele é de mentira? Se ele é gordinho, deve comer bastante, mas por aqui quase nunca tem comida. Quando tem, é em outra ocasião. Minha mãe chega até a ganhar uma cesta, bem básica. Chamam essa festa de eleição. Vem de 4 em 4 anos e é perto do verão.
Dizem que quando chega a neve, o natal também vem junto. Você acredita, Pedro? Eu ví num filme. As mesas eram fartas, as árvores enfeitadas com estrelas amarelas. Tinha até umas crianças vestidas de embrulhos, e umas caixas revestidas de crianças. Que confusão, não é? Parecia tão esquisito. Será que a gente ganha cesta? Na TV eu ví assim: "Compra no Natal pra pagar no carnaval". E a Neve que não vem. Ixi, será que ano que vem também não vai ter Samba ?
Dizem que quando chega a neve, o natal também vem junto. Você acredita, Pedro? Eu ví num filme. As mesas eram fartas, as árvores enfeitadas com estrelas amarelas. Tinha até umas crianças vestidas de embrulhos, e umas caixas revestidas de crianças. Que confusão, não é? Parecia tão esquisito. Será que a gente ganha cesta? Na TV eu ví assim: "Compra no Natal pra pagar no carnaval". E a Neve que não vem. Ixi, será que ano que vem também não vai ter Samba ?
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O rastro do diabo
Grifes
amigos e compadres,
BrÓg do Gito,
conto
O clarão tomou os céus. Cruzou vindo do sul e sumiu. Crianças correram para suas casas, algumas mais ousadas, seguiam o rastro de fumaça na direção do horizonte. Corriam descalças, como fazem atrás das pipas entre telhados e vielas. Os religiosos faziam o sinal da cruz. Os céus anunciavam o fim. Um monstro invadia o planeta. Metade estrela, metade diabo. Deixava um rastro no céu. A cauda de suas maldades. A igrejinha encheu de fiéis, que preocupados com o tamanho da fila no confessionário, confessavam seus pecados uns aos outros. As famílias se reuniram. Maridos confessavam seus deslizes amorosos. Mães ninavam seus filhos até que eles pegassem no sono. O povo ficou aflito, coração apertado. Os bares fecharam mais cedo. O cabaré da Marineide se tornou o esconderijo das mulheres de saia curta, que se atreviam nas esquinas. Até o Seu Altevir, ateu convicto fez uma oração antes do seu último jantar. Uns estudantes, metidos a intelectuais discutiam as provas científicas do fim. Seria um novo Big Bang? No seminário protestante, na saída da cidade, houve uma palestra sobre o livro de Apocalipse e Pré-milenismo. Poucos compareceram. Só aqueles que temiam o que poderia suceder-lhes. Todos estavam preocupados. Coração na mão. Mãos no bolso. Bolsos molhados de suor.Dona Bernadete, a beata, confessou estar de olho no padre Joaquim desde 1939.O prefeito se enforcou e sob seu corpo pendurado, um bilhete que denunciava seu envolvimento com a mulher do vice.Os irmãos se abraçaram. Amigos telefonavam uns aos outros dizendo palavras de conforto. A Dona Benedita fez bolinhos de chuva e levou aos mendigos que ficavam debaixo da passarela do Benfica. Eles não entenderam o gesto carinhoso daquela assistente social até então rabugenta como o cão chupando manga. Itamar beijava o símbolo do Juventus Bom Jardim, seu time do coração. O vereador Tunico correu com a sua Kombi e entregou suas últimas cestas básicas e bujões de gás para os moradores do Serra do Sol, como prometido nas eleições do mês passado. Benê criou coragem e subiu a janela do sobrado da Aninha, menina rica que morava no centro da cidade, bateu na janela e roubou um beijo de Ana, que impactada com o romantismo do Benê, mecânico de corpo definido, que era pobre mas até que era bonitinho, tirou a blusa e o sutiã, para um susto daqueles, que fez Benê escorregar e quebrar o pé com a queda, lá embaixo. A sedução acabou quando os pais dela chamaram a polícia que demorou a atender, por estarem todos envolvidos numa partida de truco que valia uma caixa de cerveja. Só atenderam por ser uma chamada da família Barchelleto, tradicional na cidade, vindos do sul da Itália. Benê que não conseguiu correr com o pé quebrado, foi apanhando no chiqueirinho da viatura até à delegacia, onde foi acusado por tentativa de estupro, já que a moça estava sem as partes de cima. O delegado, entre um charuto e outro, proibiu o escrivão de digitar "parte de cima" e procurar um termo mais apropriado, e o escrivão cansado daquilo tudo, fingiu uma diarréia e no banheiro cheirou um pouco do pó que sobrava da apreensão dois dias antes, do Zé Melado, traficante do Morro da Pinguela, que vinha de umas viagens esquisitas à Bolívia, com uma novidade e tanto, coisa que por lá mascavam e por cá cafungavam.Escureceu e o rastro do diabo continuava no céu. Aquela marca da besta. O sinal do fim, agora tinha tons avermelhados, lembrando o inferno e o fogo que consome os pecadores. Do qual ninguém poderia fugir. Ninguém pegou no sono. A cidade estava muda. Enlutada. Todos pressentiam o fim. Alguns trêmulos.Peteca, o conhecido maluco, mijava nas calças e imitava avião. O delegado mandou abrir a porta da delegacia. Benê, Zé Melado e todos os criminosos foram soltos. O escrivão foi encontrado desmaiado no banheiro, com pó no nariz, numa possível overdose. O circo foi desmontado, o leão fugiu e devorou o domador. Zé Melado tratou de enterrar sua mercadoria. A cidadezinha virou de ponta cabeça no último dia da existência.No dia seguinte havia em todos uma perplexidade além das olheiras e caras amassadas, quando o Tonim Tropeço, menino da cidade vizinha, veio apitando em sua bicicleta e distribuiu de casa em casa o jornal que anunciava: O satélite russo Sputinik cortou o céu do Brasil na tarde de ontem.Gito.
Gito.
Gito.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Varanda, Conversas e Saudade.
Grifes
conto,
Surrealidade-Real
A saúde já não estava lá aquelas coisas. Tanta debilidade do corpo fazia externar cada vez mais fragilidade. Os dias haviam ficado menos agitados, sem tantas atividades. Passava a maior parte do tempo descansando deitado, fosse na rede, no sofá ou na cama.
O Neto, que o admirava desde a sua criancisse, o olhava com o coração temeroso só de imaginar sua partida, mas bem sabia que não tardaria em chegar. O avó demonstrava tantos sinais de que já quase não vivia aqui nesse mundo, mesmo estando por esses lados ainda. Era como se já estivesse com Deus, só esperando o corpo apagar de vez.
Nesse dia, estranhamente, o avó, porém, aparentava uma vitalidade não vista nos últimos dias. Tanto que foi capaz de sentar-se na cadeira na varanda. E lá estavam, enternecidos pela companhia um do outro, tomando caldo de cana moído na hora no sítio, e com uma bandeija de bolo de fubá, daqueles que formam uma casquinha crocante e tem uma farofa doce por cima, especialidade de sua velha senhora, tão companheira em todos esses anos.
Após um longo período de contemplação da paisagem, sem nada dizerem um ao outro, mas aconchegados na ternura dos olhares de ambos, cheios de sinceridade, o neto, enfim, pergunta:
- Vô chico, você tem medo de morrer?
- Eu não tenho, não. – disse o velho com voz mansa e embargada pela sua fragilidade.
- Mas todo mundo tem medo de morrer. Tanto que ninguém quer isso. Por que o senhor não tem?
- Ah, rapaz, depois de uma vida inteira dessas, a gente vai entendendo que a morte é só mais um acontecimento natural da nossa vida. Não se pensa em morte como MORTE. Apenas como qualquer coisa qualquer. Como é nascer, fazer aniversário, visitar um amigo, comer um bolo.Assim também é morrer. Um dia, a gente morre mesmo. Mas isso não é nada. É apenas um processo que temos que passar. Mas, a gente continua vivo lá com Deus, onde a gente jamais deixa de viver. É quase como se a morte nem acontecesse. Mas a gente tem que passar por ela pra chegar lá de vez.
- Ah, então ela é como um ônibus!
- (Risos)É, como um ônibus. Sem pegar ela, a gente não sai daqui, mesmo já estando lá bem antes de morrer. Na minha idade e doente como estou, eu tenho medo é de durar muito mais tempo aqui e...opa...Lá vem a sua avó. Não posso deixar que ela me veja assim. Senão vai descobrir que estou velho. rs
- (risos)Tenho uma notícia, vô: ela também está. Rs
- E continua bonitona, não é? Rs
- (risos) É, é sim.
Riram, como sempre costumam fazer quando estam juntos. Silêncio outra vez. Um pássaro cantou, o Sol andou alguns graus no céu, rumo ao entardecer. Permaneciam ali.
- A Dona Cristina, aquela mulher meio maluca da igreja, disse que não era justo que o senhor estivesse passando por isso. Que o senhor não deveria estar doente, pois sempre foi uma pessoa muito boa. Sempre ajudou os outros, foi honesto, e que não merecia nada disso agora. Ela disse que estava orando pra Deus curar o Senhor e que, como Deus é justo, ia ter que atender. Eu não soube o que dizer pra ela. rs
- (risos) Essa dona é maluca mesmo, meu filho. Esses dias ela apareceu aqui e falou a mesma coisa pra mim e pra sua avó. Mas tudo isso é besteira dela. Como pode ser injusto que um velho como eu sofra das doenças da velhice? Eu fui bom? Merecedor de que? De viver até aos 100 anos? Se fosse por justiça ou dignidade de alguma coisa, eu estava perdido. Eu e todo mundo aliás. Não há um que seja bom na terra inteira. Essa mulher não sabe o que diz. Rs Está ficando gagá, como o seu velho aqui. rs
Imagine só, orar pra que um velho não tenha as doenças de velhos. Que injustiça há nisso? É como orar pra que o sol não esquente ou ilumine o dia, que a água não refresque, que o vento não ventile ou que o bolo de fubá da sua avó não seja bom. rs. A gente, como gente, está sujeito a toda sorte de coisas possíveis de sobrevir a nós. Assim como as crianças estão sujeitas a cair e se ralarem inteiras, os velhos estão sujeitos às doenças da velhice. Imagine só. Eu vou lhe avisar, meu neto, você ainda verá essa mulher orando pra Deus lhe restituir os dentes da boca, porque ela achará injusto que uma velha fique banguela, tendo sido tão boa na vida. rs
- (risos) É vô. Daquela ali eu não duvido de nada, não. Rs
- Ah, de todos os espinhos da idade que me espetam na carne, a graça de Deus é o que me basta, meu filho. A graça. Eu quero é sossegar.
Uma pausa pra comer um pedaço de bolo e tomar um copo de garapa gelada com limão. Um suspiro fundo e:
- Vô, mesmo sabendo de tudo isso agora, quando o senhor for, se eu chorar, não vou estar sendo “maricas” por isso, vou? rs
- (risos) Não. Rs. Mas não lamente a minha morte, filho. Saiba que não deverá tardar em vir essa hora. Já estou cansado, fraco, em paz e pronto pra ir. O meu Senhor me espera lá em cima. Não há porque interromper o processo.
- É que eu sentirei saudades de você, vô.
- Eu também, Bruninho, meu neto. E esperarei ansioso por você lá no céu. Mas não me vá querer ir depressa, se não sua mãe me mata, mesmo eu estando já morto. Rs
Bruninho sorriu da piada do avô e o abraçou. Ficaram assim um bom tempo, juntos.
Na madrugada, um anjo veio visitar o Seu Chico. É que ele tinha um encontro com o Homem com quem vinha conversando há alguns dias e o anjo iria consuzi-lo até lá. Quando encontrou o homem, a sensação foi a mais indescritível. Uma mistura de paz e euforia, saudade seguida de presença preenchida, sossego e descanso, e uma forte impressão de que já estivera ali, de alguma forma. Na manhã seguinte, os familiares e amigos chegados foram avisados do ocorrido. Bruninho, porém, não ficou surpreso. Sabia que o ônibus havia passado e seu avô embarcou. Sentiu apenas escorrer pelo rosto uma lágrima. Não se sentiu “maricas”, apenas cheio de saudade.
Isabela Pizani.
O Neto, que o admirava desde a sua criancisse, o olhava com o coração temeroso só de imaginar sua partida, mas bem sabia que não tardaria em chegar. O avó demonstrava tantos sinais de que já quase não vivia aqui nesse mundo, mesmo estando por esses lados ainda. Era como se já estivesse com Deus, só esperando o corpo apagar de vez.
Nesse dia, estranhamente, o avó, porém, aparentava uma vitalidade não vista nos últimos dias. Tanto que foi capaz de sentar-se na cadeira na varanda. E lá estavam, enternecidos pela companhia um do outro, tomando caldo de cana moído na hora no sítio, e com uma bandeija de bolo de fubá, daqueles que formam uma casquinha crocante e tem uma farofa doce por cima, especialidade de sua velha senhora, tão companheira em todos esses anos.
Após um longo período de contemplação da paisagem, sem nada dizerem um ao outro, mas aconchegados na ternura dos olhares de ambos, cheios de sinceridade, o neto, enfim, pergunta:
- Vô chico, você tem medo de morrer?
- Eu não tenho, não. – disse o velho com voz mansa e embargada pela sua fragilidade.
- Mas todo mundo tem medo de morrer. Tanto que ninguém quer isso. Por que o senhor não tem?
- Ah, rapaz, depois de uma vida inteira dessas, a gente vai entendendo que a morte é só mais um acontecimento natural da nossa vida. Não se pensa em morte como MORTE. Apenas como qualquer coisa qualquer. Como é nascer, fazer aniversário, visitar um amigo, comer um bolo.Assim também é morrer. Um dia, a gente morre mesmo. Mas isso não é nada. É apenas um processo que temos que passar. Mas, a gente continua vivo lá com Deus, onde a gente jamais deixa de viver. É quase como se a morte nem acontecesse. Mas a gente tem que passar por ela pra chegar lá de vez.
- Ah, então ela é como um ônibus!
- (Risos)É, como um ônibus. Sem pegar ela, a gente não sai daqui, mesmo já estando lá bem antes de morrer. Na minha idade e doente como estou, eu tenho medo é de durar muito mais tempo aqui e...opa...Lá vem a sua avó. Não posso deixar que ela me veja assim. Senão vai descobrir que estou velho. rs
- (risos)Tenho uma notícia, vô: ela também está. Rs
- E continua bonitona, não é? Rs
- (risos) É, é sim.
Riram, como sempre costumam fazer quando estam juntos. Silêncio outra vez. Um pássaro cantou, o Sol andou alguns graus no céu, rumo ao entardecer. Permaneciam ali.
- A Dona Cristina, aquela mulher meio maluca da igreja, disse que não era justo que o senhor estivesse passando por isso. Que o senhor não deveria estar doente, pois sempre foi uma pessoa muito boa. Sempre ajudou os outros, foi honesto, e que não merecia nada disso agora. Ela disse que estava orando pra Deus curar o Senhor e que, como Deus é justo, ia ter que atender. Eu não soube o que dizer pra ela. rs
- (risos) Essa dona é maluca mesmo, meu filho. Esses dias ela apareceu aqui e falou a mesma coisa pra mim e pra sua avó. Mas tudo isso é besteira dela. Como pode ser injusto que um velho como eu sofra das doenças da velhice? Eu fui bom? Merecedor de que? De viver até aos 100 anos? Se fosse por justiça ou dignidade de alguma coisa, eu estava perdido. Eu e todo mundo aliás. Não há um que seja bom na terra inteira. Essa mulher não sabe o que diz. Rs Está ficando gagá, como o seu velho aqui. rs
Imagine só, orar pra que um velho não tenha as doenças de velhos. Que injustiça há nisso? É como orar pra que o sol não esquente ou ilumine o dia, que a água não refresque, que o vento não ventile ou que o bolo de fubá da sua avó não seja bom. rs. A gente, como gente, está sujeito a toda sorte de coisas possíveis de sobrevir a nós. Assim como as crianças estão sujeitas a cair e se ralarem inteiras, os velhos estão sujeitos às doenças da velhice. Imagine só. Eu vou lhe avisar, meu neto, você ainda verá essa mulher orando pra Deus lhe restituir os dentes da boca, porque ela achará injusto que uma velha fique banguela, tendo sido tão boa na vida. rs
- (risos) É vô. Daquela ali eu não duvido de nada, não. Rs
- Ah, de todos os espinhos da idade que me espetam na carne, a graça de Deus é o que me basta, meu filho. A graça. Eu quero é sossegar.
Uma pausa pra comer um pedaço de bolo e tomar um copo de garapa gelada com limão. Um suspiro fundo e:
- Vô, mesmo sabendo de tudo isso agora, quando o senhor for, se eu chorar, não vou estar sendo “maricas” por isso, vou? rs
- (risos) Não. Rs. Mas não lamente a minha morte, filho. Saiba que não deverá tardar em vir essa hora. Já estou cansado, fraco, em paz e pronto pra ir. O meu Senhor me espera lá em cima. Não há porque interromper o processo.
- É que eu sentirei saudades de você, vô.
- Eu também, Bruninho, meu neto. E esperarei ansioso por você lá no céu. Mas não me vá querer ir depressa, se não sua mãe me mata, mesmo eu estando já morto. Rs
Bruninho sorriu da piada do avô e o abraçou. Ficaram assim um bom tempo, juntos.
Na madrugada, um anjo veio visitar o Seu Chico. É que ele tinha um encontro com o Homem com quem vinha conversando há alguns dias e o anjo iria consuzi-lo até lá. Quando encontrou o homem, a sensação foi a mais indescritível. Uma mistura de paz e euforia, saudade seguida de presença preenchida, sossego e descanso, e uma forte impressão de que já estivera ali, de alguma forma. Na manhã seguinte, os familiares e amigos chegados foram avisados do ocorrido. Bruninho, porém, não ficou surpreso. Sabia que o ônibus havia passado e seu avô embarcou. Sentiu apenas escorrer pelo rosto uma lágrima. Não se sentiu “maricas”, apenas cheio de saudade.
Isabela Pizani.
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Isabela Pizani
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Cavalos, salsichas, anjos e demônios.
Grifes
BrÓg do Gito,
conto,
Surrealidade-Real
Nos filmes para TV, nos interiores das casas e nas angústias das almas, nos Estados Unidos, conta-se uma história que diz que os cavalos, quando caem, eles quebram as pernas, e aí, já não prestam pra mais nada. É preciso mata-los.
Depois de mortos, os cavalos viram sansichas. As donas de casa compram as sansichas e fazem lanches pros seus filhos. As crianças pegam o lanche com as sansichas, comem e viram cavalos.
Semelhantemente, em uma outra história, a cena se repete, mas com aspecto de poder destrutivo.
Um anjo, quando quis ser o próprio Deus, caiu e quebrou as asas. Quando os anjos quebram as assas, viram demônios de asas quebradas. Já não servem mais para o céu. Aí, eles passam a vender pecados gratuítos afim de se sustentarem com força. O homem, que gosta mais de anjos do que de Deus, compra os pecados, cria asas quebradas, tenta ser Deus e vira demônio.
Qualquer semelhança com a vida real, não é méra coencidência.
Um Beijão, Isa.
Depois de mortos, os cavalos viram sansichas. As donas de casa compram as sansichas e fazem lanches pros seus filhos. As crianças pegam o lanche com as sansichas, comem e viram cavalos.
Semelhantemente, em uma outra história, a cena se repete, mas com aspecto de poder destrutivo.
Um anjo, quando quis ser o próprio Deus, caiu e quebrou as asas. Quando os anjos quebram as assas, viram demônios de asas quebradas. Já não servem mais para o céu. Aí, eles passam a vender pecados gratuítos afim de se sustentarem com força. O homem, que gosta mais de anjos do que de Deus, compra os pecados, cria asas quebradas, tenta ser Deus e vira demônio.
Qualquer semelhança com a vida real, não é méra coencidência.
Um Beijão, Isa.
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Isabela Pizani
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Terra, Marte, Lua, ricos e Pobres
Grifes
amigos e compadres,
BrÓg do Gito,
conto,
Surrealidade-Real
Conta-se a história, por todo interior paulista, sobre o sábio Seu Adão, que por causa desse nome já sofreu inúmeras injúrias dos religiosos que remetiam o nome à pessoa que distraidamente, como acham, deixou a mulher dominar-se pela serpente e ele, perdidamente apaixonado veio a sucumbir ao pecado de morder o fruto proibido.
Seu Adão, paulistano, era bem diferente do Adão dos primórdios. Quando sua primeira esposa faleceu, ele juntou os cacos de seu coração, abençoou os filhos e foi namorar. Descobriu Dona Julieta num desses forrós de bairro, e não precisou muito para conquistá-la. Entre um passo e outro e uma apertadinha ao dançar, Dona Julieta se derreteu ao encanto daquele homem e muito mais à sua cordialidade. Tratava a todos com respeito. Ainda era um daqueles raros homens que abria a porta de sua Variant verde-limão, puxava a cadeira num restaurante e dava vez à mulher ao entrar por uma porta.
Mas quando Dona Julieta, que tinha nome de Dona e sobrenome Julieta, descansou, Seu Adão, viúvo pela segunda vez, consolou os parentes e foi viver só, no campo. Dizia ele que os velhos e a natureza combinam. Um entende a dor e a solidão do outro.
Dizem que foi o Seu Adão que espalhou essa história.
A história de quando os ricos mudaram de planeta.
Foi num ano desses de dois mil e alguma coisa. O Brasil aguardava ansiosamente por jogos de futebol e olímpicos em sua terra, um presidente negro norte-americano ganhou um prêmio, tal de "Não Bel, dá Paz", mas o que mais lembrava aqueles anos, era o anúncio do jornal: NASA descobre água em Marte e diamantes e petróleo na lua.
Imediatamente a notícia se espalhou. Entre os pobres era só boato. Alguns, como o Firmino, Tonhão, Nenê e Odair nem acreditavam na existência de outros planetas. Eles queriam mesmo era saber o resultado do campeonato brasileiro e tocar a vida mansa de inteior, ou melhor, periferia interiorana, já que eles moravam nos bairros distantes das cidadezinhas.
O mundo pegou fogo quando os jornais estamparam as fotos de uma jazida de ouro na lua. As agências de viagens fecharam pacotes, as empresas de aviões inventaram foguetes, os agentes imobiliários vendiam terrenos, dizem as más línguas que até uma igreja que possui um canal de TV, montou um projeto missionário e lá plantou 318 templos.
O mundo rico, depois de 5 anos, havia se mudado. Era chique viver em Marte, perto das celebridades. Muitos que haviam ido à lua, haviam enriquecido com tanto ouro! Quantas meninas se realizaram vivendo no mesmo quarteirão dos astros de Hollywood! Inventaram Shopping's, uma só moeda com o rosto de um extra-terrestre e uma frase: "In ET'$ we trust". Carros, casas, saunas, ternos de grife. Espelhos por todas as partes para satisfazer os narcisistas. Toda a chiqueza da qual os ricos e poderosos precisam.
Marte e a lua se tornaram o centro do planeta.
A Terra fora abandonada, bom, não assim, exatamente.
Só ficaram aqui aqueles que não tinham condições de pagar uma viagem para o espaço. Os ricos nem ligaram, alguns até disseram: Que eles não venham roubar nossas casas, sujar nossas ruas, invadir nossas fazendas lunares!
Seu Adão disse que os pobres se organizaram. Decidiram que não haveria guerra, dividiram seus campos, uns ajudaram os outros a construir suas casas, plantaram e cuidaram da terra, da natureza. Sem a exploração da Amazônia, algumas espécies em extinção voltaram a crescer, voltaram ao habitat natural. O homem cuidava do mundo ao seu redor. Plantaram árvores, limparam rios, derrubaram barracos e construiram um puxadinho, houve equilíbrio ecológico e até os tufões deixaram de assombrar a Oceania. Os velhos ensinavam as crianças e as crianças não trabalhavam em minas de carvão como antes, depois das aulas elas brincavam de pique-esconde até o entardecer. Com a ajuda de médicos vindos do oriente, alguns com barba de cubano, e muitos indígenas brasileiros, descobriram a cura para o câncer e muitas outras doenças. Não vendiam a cura, mas buscavam sempre a opinião de uma criança sobre como proceder com amor.
O mundo nunca foi tão simples e a vida nunca foi tão bem vivida.
Mas o seu Adão conta, que lá de Marte, as pessoas sintonizadas em Aipode's e internet de última geração, por um tal de satélite do Gugol, coisa que ele não sabia pronunciar direito, viram os avanços da Terra. E quando souberam das curas das doenças, organizaram um exército, com a ajuda de alguns seres criados por um tal de Jorge de Lucas - dizem que ele foi um cientista que criava bichos esquisitos e fazia com que eles aperecessem na TV para assustar criancinhas ricas - e lograram um tema: Guerra nas estrelas! Voaram em foguetes na direção da Terra e lançaram projéteis sobre as vilas, matando inocentes, os seres esquisitos engoliam as pessoas sem mastigar, e com a força das armas, roubaram a cura das doenças. Quando souberam que a cura estava nas plantas da Amazônia, criaram um esquema de invadir a Floresta, esse plano se chamou Dom Pedro 1, ninguém sabe o porquê. Mas se sabe que muitos indígenas foram mortos e tiveram suas aldeias destruidas. Na volta para Marte, resolveram passar no leste africano e levar algumas pessoas como escravos. Também levaram orientais para trabalhar em suas fábricas de tênis, já que os robôs haviam criado vida própria e se rebelavam. E para não levar suas bombas de volta à Marte, jogaram-nas sobre o Afeganistão, o Iraque e a Palestina, ato que ficou conhecido como "Guerra ao terror", ninguém sabe o porquê.
Os que não morreram ou foram levados, ficaram escondidos no que sobrou da terra:
Uma antiga fazenda de recuperação, no estado do Goiás, no Brasil, fazenda da época de dois mil e alguma coisa. Os ricos nem passariam perto de lá. Naquela época, aquele era um lugar de drogados, soropositivos, prostitutas, travestis, crianças de rua, moradores sem terra, cabeças-chatas, negróides, pecadores, leprosos, aleijados, desequilibrados mentais ... gente que contamina o planeta na opinião dos agora moradores de Marte.
Começaram a se organizar de novo, plantar árvores, cuidar dos animais, dividir o pão, curar doenças pela força do amor. Um tal de Grandhe, homem careca e baixinho, vivia estimulando a rapaziada a permanecer em paz! Lembrem-se de Deus que virou gente e disse: bem aventurados são os que procuram a paz - ele dizia. E isso contaminou cada coração.
A arma era o amor, mesmo porque eles não poderiam enfrentar um exército de foguetes com paus, pedras e bambús.
Alguns mais desajuizados até pensavam: Vou ficar em paz sim, mas torcendo prum cometa passar por Marte, resvalar na lua e nos fazer justiça.
Outros, como o Seu Adão, pensavam que o melhor lugar para se viver, não é um lugar, lugar mesmo, onde pisam os pés. Mas onde existe amor. Ele morreu citando as palavras dum poeta, com nome esquisito, Robert Southwell, dizem que ele era gringo, mas ninguém sabe de qual gringo era ele. "Eu vivo, não onde respiro, mas onde amo".
O cometa passou ...
Mas como pobre é azarado, bateu em Marte, resvalou na lua e acertou em cheio a Terra.
Ninguém ficou para contar a história.
Gito.
(O Gito é um amigo que também tem um BrÓg. Di-GiTo(e): www.giito.blogspot.com)
Seu Adão, paulistano, era bem diferente do Adão dos primórdios. Quando sua primeira esposa faleceu, ele juntou os cacos de seu coração, abençoou os filhos e foi namorar. Descobriu Dona Julieta num desses forrós de bairro, e não precisou muito para conquistá-la. Entre um passo e outro e uma apertadinha ao dançar, Dona Julieta se derreteu ao encanto daquele homem e muito mais à sua cordialidade. Tratava a todos com respeito. Ainda era um daqueles raros homens que abria a porta de sua Variant verde-limão, puxava a cadeira num restaurante e dava vez à mulher ao entrar por uma porta.
Mas quando Dona Julieta, que tinha nome de Dona e sobrenome Julieta, descansou, Seu Adão, viúvo pela segunda vez, consolou os parentes e foi viver só, no campo. Dizia ele que os velhos e a natureza combinam. Um entende a dor e a solidão do outro.
Dizem que foi o Seu Adão que espalhou essa história.
A história de quando os ricos mudaram de planeta.
Foi num ano desses de dois mil e alguma coisa. O Brasil aguardava ansiosamente por jogos de futebol e olímpicos em sua terra, um presidente negro norte-americano ganhou um prêmio, tal de "Não Bel, dá Paz", mas o que mais lembrava aqueles anos, era o anúncio do jornal: NASA descobre água em Marte e diamantes e petróleo na lua.
Imediatamente a notícia se espalhou. Entre os pobres era só boato. Alguns, como o Firmino, Tonhão, Nenê e Odair nem acreditavam na existência de outros planetas. Eles queriam mesmo era saber o resultado do campeonato brasileiro e tocar a vida mansa de inteior, ou melhor, periferia interiorana, já que eles moravam nos bairros distantes das cidadezinhas.
O mundo pegou fogo quando os jornais estamparam as fotos de uma jazida de ouro na lua. As agências de viagens fecharam pacotes, as empresas de aviões inventaram foguetes, os agentes imobiliários vendiam terrenos, dizem as más línguas que até uma igreja que possui um canal de TV, montou um projeto missionário e lá plantou 318 templos.
O mundo rico, depois de 5 anos, havia se mudado. Era chique viver em Marte, perto das celebridades. Muitos que haviam ido à lua, haviam enriquecido com tanto ouro! Quantas meninas se realizaram vivendo no mesmo quarteirão dos astros de Hollywood! Inventaram Shopping's, uma só moeda com o rosto de um extra-terrestre e uma frase: "In ET'$ we trust". Carros, casas, saunas, ternos de grife. Espelhos por todas as partes para satisfazer os narcisistas. Toda a chiqueza da qual os ricos e poderosos precisam.
Marte e a lua se tornaram o centro do planeta.
A Terra fora abandonada, bom, não assim, exatamente.
Só ficaram aqui aqueles que não tinham condições de pagar uma viagem para o espaço. Os ricos nem ligaram, alguns até disseram: Que eles não venham roubar nossas casas, sujar nossas ruas, invadir nossas fazendas lunares!
Seu Adão disse que os pobres se organizaram. Decidiram que não haveria guerra, dividiram seus campos, uns ajudaram os outros a construir suas casas, plantaram e cuidaram da terra, da natureza. Sem a exploração da Amazônia, algumas espécies em extinção voltaram a crescer, voltaram ao habitat natural. O homem cuidava do mundo ao seu redor. Plantaram árvores, limparam rios, derrubaram barracos e construiram um puxadinho, houve equilíbrio ecológico e até os tufões deixaram de assombrar a Oceania. Os velhos ensinavam as crianças e as crianças não trabalhavam em minas de carvão como antes, depois das aulas elas brincavam de pique-esconde até o entardecer. Com a ajuda de médicos vindos do oriente, alguns com barba de cubano, e muitos indígenas brasileiros, descobriram a cura para o câncer e muitas outras doenças. Não vendiam a cura, mas buscavam sempre a opinião de uma criança sobre como proceder com amor.
O mundo nunca foi tão simples e a vida nunca foi tão bem vivida.
Mas o seu Adão conta, que lá de Marte, as pessoas sintonizadas em Aipode's e internet de última geração, por um tal de satélite do Gugol, coisa que ele não sabia pronunciar direito, viram os avanços da Terra. E quando souberam das curas das doenças, organizaram um exército, com a ajuda de alguns seres criados por um tal de Jorge de Lucas - dizem que ele foi um cientista que criava bichos esquisitos e fazia com que eles aperecessem na TV para assustar criancinhas ricas - e lograram um tema: Guerra nas estrelas! Voaram em foguetes na direção da Terra e lançaram projéteis sobre as vilas, matando inocentes, os seres esquisitos engoliam as pessoas sem mastigar, e com a força das armas, roubaram a cura das doenças. Quando souberam que a cura estava nas plantas da Amazônia, criaram um esquema de invadir a Floresta, esse plano se chamou Dom Pedro 1, ninguém sabe o porquê. Mas se sabe que muitos indígenas foram mortos e tiveram suas aldeias destruidas. Na volta para Marte, resolveram passar no leste africano e levar algumas pessoas como escravos. Também levaram orientais para trabalhar em suas fábricas de tênis, já que os robôs haviam criado vida própria e se rebelavam. E para não levar suas bombas de volta à Marte, jogaram-nas sobre o Afeganistão, o Iraque e a Palestina, ato que ficou conhecido como "Guerra ao terror", ninguém sabe o porquê.
Os que não morreram ou foram levados, ficaram escondidos no que sobrou da terra:
Uma antiga fazenda de recuperação, no estado do Goiás, no Brasil, fazenda da época de dois mil e alguma coisa. Os ricos nem passariam perto de lá. Naquela época, aquele era um lugar de drogados, soropositivos, prostitutas, travestis, crianças de rua, moradores sem terra, cabeças-chatas, negróides, pecadores, leprosos, aleijados, desequilibrados mentais ... gente que contamina o planeta na opinião dos agora moradores de Marte.
Começaram a se organizar de novo, plantar árvores, cuidar dos animais, dividir o pão, curar doenças pela força do amor. Um tal de Grandhe, homem careca e baixinho, vivia estimulando a rapaziada a permanecer em paz! Lembrem-se de Deus que virou gente e disse: bem aventurados são os que procuram a paz - ele dizia. E isso contaminou cada coração.
A arma era o amor, mesmo porque eles não poderiam enfrentar um exército de foguetes com paus, pedras e bambús.
Alguns mais desajuizados até pensavam: Vou ficar em paz sim, mas torcendo prum cometa passar por Marte, resvalar na lua e nos fazer justiça.
Outros, como o Seu Adão, pensavam que o melhor lugar para se viver, não é um lugar, lugar mesmo, onde pisam os pés. Mas onde existe amor. Ele morreu citando as palavras dum poeta, com nome esquisito, Robert Southwell, dizem que ele era gringo, mas ninguém sabe de qual gringo era ele. "Eu vivo, não onde respiro, mas onde amo".
O cometa passou ...
Mas como pobre é azarado, bateu em Marte, resvalou na lua e acertou em cheio a Terra.
Ninguém ficou para contar a história.
Gito.
(O Gito é um amigo que também tem um BrÓg. Di-GiTo(e): www.giito.blogspot.com)
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Visitas
Grifes
amigos e compadres,
conto,
Surrealidade-Real
Ele voltou e veio acompanhado. Sentí sua presença. Sem alarde, passou pela parede e postou-se agachado, encolheu suas asas e, mãos no queixo, observou, como fazem os humanos quando querem enxergar além do que os seus olhos podem ver.
Logo vieram os outros. Menores, com semblantes infantis, eram como sopranos num grande coral. Seus movimentos se fazem como um falsete ou uma flauta. Se colocaram desordenadamente pelo quarto, e como crianças, se esparramavam ora sobre o guarda-roupas, ora sobre o colchão. Não encolhiam suas pequenas asas. Pés descalços, transmitiam paz, olhos vivos e observadores, traziam a vida. Arrisquei-me por perguntar seus nomes, sem pronunciar qualquer palavra. Os pensamentos fazem a vez da voz quando eles nos visitam.
- Você - apontei para o ser que quase via sentado na cama - Qual teu nome?
- Sossego, ele disse com voz mansa. E de seus lábios emanou o sossego para o meu coração. Como uma canção doce.
Outro, se ajeitou na cama, como que ansioso por minha pergunta:
- E você, pequeno ?
- Sou Descanso.
Trocou a posição das pernas como fazem os humanos e prosseguiu:
- Você sempre pede a nossa presença, mas nem sempre a percebe.
Eu sorri, para que ele pudesse entender que eu concordei.
Ele baixou os olhos e concentrou-se em outros pensamentos.
Olhei para o maior deles, que agachado, se mostrava maravilhosamente belo, levantou-se e sua expressão se tornou séria, mas não repreensiva. Suas asas se mexiam lentamente, seus cabelos eram como o ouro, e sua voz soou esquisita, quando disse:
- Você não deverá saber o meu nome. Se souber agora, talvez isso venha a ter consequências desastrosas para você. O importante é você saber que não somos os únicos que te visitamos.
Levantei com o pescoço dolorido, parte do meu rosto sentia um formigamento, meus braços serviam de travesseiro sobre o teclado do computador. Na tela, letras formavam palavras sem sentido que foram digitadas pelo peso do meu corpo. A luz do monitor era a única iluminação no fim da madrugada. O sol despontava no horizonte, mas incapaz de iluminar o recinto.
Lembrei-me do sonho esquisito. Lembrei-me de Sossego e Descanso e das palavras do desconhecido: ... não somos os únicos que te visitamos.
Um barulho de asas se ouviu próximo à janela. Levantei curioso e com imensa dor no corpo.
Uma pombinha se equilibrava sobre o portão de madeira. Trazia no bico, um ramo.
Gito.
Logo vieram os outros. Menores, com semblantes infantis, eram como sopranos num grande coral. Seus movimentos se fazem como um falsete ou uma flauta. Se colocaram desordenadamente pelo quarto, e como crianças, se esparramavam ora sobre o guarda-roupas, ora sobre o colchão. Não encolhiam suas pequenas asas. Pés descalços, transmitiam paz, olhos vivos e observadores, traziam a vida. Arrisquei-me por perguntar seus nomes, sem pronunciar qualquer palavra. Os pensamentos fazem a vez da voz quando eles nos visitam.
- Você - apontei para o ser que quase via sentado na cama - Qual teu nome?
- Sossego, ele disse com voz mansa. E de seus lábios emanou o sossego para o meu coração. Como uma canção doce.
Outro, se ajeitou na cama, como que ansioso por minha pergunta:
- E você, pequeno ?
- Sou Descanso.
Trocou a posição das pernas como fazem os humanos e prosseguiu:
- Você sempre pede a nossa presença, mas nem sempre a percebe.
Eu sorri, para que ele pudesse entender que eu concordei.
Ele baixou os olhos e concentrou-se em outros pensamentos.
Olhei para o maior deles, que agachado, se mostrava maravilhosamente belo, levantou-se e sua expressão se tornou séria, mas não repreensiva. Suas asas se mexiam lentamente, seus cabelos eram como o ouro, e sua voz soou esquisita, quando disse:
- Você não deverá saber o meu nome. Se souber agora, talvez isso venha a ter consequências desastrosas para você. O importante é você saber que não somos os únicos que te visitamos.
Levantei com o pescoço dolorido, parte do meu rosto sentia um formigamento, meus braços serviam de travesseiro sobre o teclado do computador. Na tela, letras formavam palavras sem sentido que foram digitadas pelo peso do meu corpo. A luz do monitor era a única iluminação no fim da madrugada. O sol despontava no horizonte, mas incapaz de iluminar o recinto.
Lembrei-me do sonho esquisito. Lembrei-me de Sossego e Descanso e das palavras do desconhecido: ... não somos os únicos que te visitamos.
Um barulho de asas se ouviu próximo à janela. Levantei curioso e com imensa dor no corpo.
Uma pombinha se equilibrava sobre o portão de madeira. Trazia no bico, um ramo.
Gito.
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Isabela Pizani
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Um CoNtO Do SabEr
Grifes
BrÓg do Gito,
conto,
De Dentro,
pensamentos,
Surrealidade-Real
Naquela manhã, levantou cedo. No despertar do próprio dia. Arregalou os olhos mal dormidos, avermelhados, insônia companheira. Perambulou o quarto todo, a casa toda, indoidecido de saber. A sua mente estava gróg, com pensamentos embriagados. De tanto tempo que não dormia, já nem sabia se era noite, ou será dia, se tinha hora.
Na cozinha, bebeu um café frio, ruim, que o diabo tinha feito. Lembrou-se da vida, dos dias que antecederam seu declínio na existência. Já tinha feito todas as coisas, foi deus de sí mesmo, no trono do seu ser.
De súbito, sentou-se no chão, encostando-se na parede, ao lado da pia. Coçou a cabeça e indagou, ao berros: “Quem me livrará do corpo desta morte?”
Ele sentia as tripas contorcerem-se dentro de sí, o estômago embrulhar e os dedos dos pés encolherem-se até estralar os ossos. Sangrava sabedoria de morte. Desejou não saber de mais nada, deixar se esvair pelo ralo do universo tudo o que possuía. Flertou com a morte, com o diabo, ao murmurar de sua condição, dizendo: “Deus, você não existe. Se assim não fosse, porque de tanta angústia morro em minh’alma?”
Em um momento, em um inesperado instante, disse-lhe Deus, num sussurrar de sopro pelo vento: “Não há na terra e no universo, maior tolo que você. Tornou-se cético pelo saber, diabo de sí mesmo. Ainda que não se lhe fechem os olhos por toda a eternidade, não poderá me ver se não entregar-me a sua alma. Sou Deus que excede todo o entendimento.”
Ficou pasmo. Asmo. Silenciou-se. Surgiram-lhe os primeiros sinais de conciência sã-nta. Raciocinou: “Miserável homem que sou. Bestifiquei-me pelo saber. Intelecto demoníaco. Tornei-me sábio dentre os homens, doutor de toda ciência, mas leigo na alma, no espírito e conciência. Todo entendimento me foi ocultado. Rastejei-me pra morte, abriguei-me no abismo do falso conhecimento. Correntes do cão. Alimentei-me de loucuras vãs, como os porcos.
Mas, agora, se me abriram os olhos. Misericórdia do Deus qu’eu não cria. Euréca. Mal posso explicar tanto alívio. Libertaram-me as asas. Sou pássaro livre.”
Naquela noite, foi deitar-se cedo. No adormecer do mesmo dia. Fechou os olhos cansados, descamados de toda cegueira, sono profundo de paz. Sonhou com o céu do outro dia, um azul de repousar a cabeça. A sua mente estava leve, pensamentos soltos, sóbrios. De tanto tempo que não vivia, morreu eterno sono de vida. Só sabia que a noite ou o dia não tinham tempo, excediam as horas. Acordou, o café estava fresco. Novo dia. Seguinte de Deus.
Deus é.
Isabela Pizani
Na cozinha, bebeu um café frio, ruim, que o diabo tinha feito. Lembrou-se da vida, dos dias que antecederam seu declínio na existência. Já tinha feito todas as coisas, foi deus de sí mesmo, no trono do seu ser.
De súbito, sentou-se no chão, encostando-se na parede, ao lado da pia. Coçou a cabeça e indagou, ao berros: “Quem me livrará do corpo desta morte?”
Ele sentia as tripas contorcerem-se dentro de sí, o estômago embrulhar e os dedos dos pés encolherem-se até estralar os ossos. Sangrava sabedoria de morte. Desejou não saber de mais nada, deixar se esvair pelo ralo do universo tudo o que possuía. Flertou com a morte, com o diabo, ao murmurar de sua condição, dizendo: “Deus, você não existe. Se assim não fosse, porque de tanta angústia morro em minh’alma?”
Em um momento, em um inesperado instante, disse-lhe Deus, num sussurrar de sopro pelo vento: “Não há na terra e no universo, maior tolo que você. Tornou-se cético pelo saber, diabo de sí mesmo. Ainda que não se lhe fechem os olhos por toda a eternidade, não poderá me ver se não entregar-me a sua alma. Sou Deus que excede todo o entendimento.”
Ficou pasmo. Asmo. Silenciou-se. Surgiram-lhe os primeiros sinais de conciência sã-nta. Raciocinou: “Miserável homem que sou. Bestifiquei-me pelo saber. Intelecto demoníaco. Tornei-me sábio dentre os homens, doutor de toda ciência, mas leigo na alma, no espírito e conciência. Todo entendimento me foi ocultado. Rastejei-me pra morte, abriguei-me no abismo do falso conhecimento. Correntes do cão. Alimentei-me de loucuras vãs, como os porcos.
Mas, agora, se me abriram os olhos. Misericórdia do Deus qu’eu não cria. Euréca. Mal posso explicar tanto alívio. Libertaram-me as asas. Sou pássaro livre.”
Naquela noite, foi deitar-se cedo. No adormecer do mesmo dia. Fechou os olhos cansados, descamados de toda cegueira, sono profundo de paz. Sonhou com o céu do outro dia, um azul de repousar a cabeça. A sua mente estava leve, pensamentos soltos, sóbrios. De tanto tempo que não vivia, morreu eterno sono de vida. Só sabia que a noite ou o dia não tinham tempo, excediam as horas. Acordou, o café estava fresco. Novo dia. Seguinte de Deus.
Deus é.
Isabela Pizani
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