sexta-feira, 22 de agosto de 2008

DaS OriGeNS



Viajei!
Viajei pra Bahia, berço da nação brasileira!Quando o avião aterrissou e finalmente descemos em terra firme, respirei fundo e senti um ar pesado passar por minhas narinas.Um cheiro desagradavel penetrou no fundo dos pulmões e então pensei: É, cheguei. rs ...Lá, em Porto seguro, descobrí que cabral chegou mesmo foi em Cabrália, e não em Porto Seguro.Lá também, não se pode beber da água da torneira, não.Mesmo se colocarmos ela em tálias de filtros de água.Lá, por causa dos manguesais, a água tem muito ferro e enxofre, por isso, ela tem um cheiro forte pra dedéu e é meio amarelada.Além do mais, se alguém beber, com certeza irá se desidratar em longas idas ao banheiro por causa do suadô que vai ter...A primeira missa foi rezada onde, hoje, tem uma feira indígena.É fácil cruzar com índiozinhos vendendo colares a 1 real cada.Alguns, cobram pra tirarmos foto com eles.Ah, mas isso não é deles.Ensinaram assim, e agora, dependem daquilo que antes não dependiam: Grana.Há muitos índios por lá.
Dei até uma passada na reserva da Jaqueira, da tribo pataxó.Lá, conversei com um índio que tava na portaria da erserva.Ele disse que pra entra lá, tinha que pagar.Se fosse pra conhecer, pagava-se 25 conto.Se fosse pra passar o dia lá, pescar, caçar e fazer tudo o que eles faziam por lá, o valor era de 35 pila.Mas pra tirar foto ele não cobrava não...rs...
Pedir pra tirar uma foto com um índió é como afirmar que eles são realmente qualquer outra coisa ao invés de seres humanos.É, ninguém pede pra tirar foto com o baiano que fazz tatuagem de hena na praia.Ninguém pede pra tirar foto com a garçonete do restaurante na bera da praia.Mas se tiver um índio andando na rua, pronto, bora tirar foto dele, com ele e blá blá blá.
Índio é bixo? Ah, lá, eles são atração turística.E os turístas adoram ver índios pela rua pra tirar foto.Não me adimira que nesse Brasilzaão, os indios não sejam levados a sério e nem sejam vistos como gente como todo mundo.Indio é gente e eu vou gritar isso até que ouçam.Eu sei que Deus ouve e já tem feito coisas.
Quando conversei com o índio da reserva da Jaqueira, perguntei como é que era por lá.Ele disse que eles viviam como sempre viveram.Dormiam em redes, sem cobertores, usavam as vestimentas tradicionais indígenas, caçavam pra comer e tal.Sobre as crenças, ainda fazem os mesmo rituais que faziam na antiguidade, só que agora, é pra um Deus só, que é em quem eles acreditam; Deus, o Senhor!
Tchorrã (quer dizer guerreiro), que é como esse índio da reserva se chamava, me olhou com cara de tipo: "Derrr, a gente acredita no Deus Deus, oras." quando perguntei sobre as crenças.Ah, ele ainda me falou que eles já recuperaram mais de 7 mil palavras da lingua oficial dos pataxós.E todas com tradução pro português.Tirei foto com ele.E ele, saiu com pose de quem não se dá muito bem com cameras...rsrs
Eu não sei porque, mas gosto dos índios.E tem sido assim de uns tempos pra cá.Desde quando li o blog do tal ex-presidente da funai, Mércio Gomes, e me inconformei com o descaso com as causas indígenas.Mas sobre o Mércio e sua Cia. Limitada, não comentarei nada hoje.Mas aposto que ele e seus comparsas quiseram tirar foto com os índios quando foram pra Porto Seguro e se hospedaram num hotel 5 estrelas.Um dia, ainda passarei um tempo numa tribo.Ah, antes que eu me esqueça, o Tchorrã era bonito...rs...Mas não é por isso que os índios me despertam interesse...rs
Em Porto, eu cheguei as 00h10min. da madrugada do domingo.À noite, fui num culto numa igreja lá.Eu tinha espectativas sobre como seria um culto baiano.Fiquei imaginando um culto todo alegre, animado, com musicas típicas da região, batuques, percussão, mulheres com vestidoes brancos e mulatos com jingados que ninguém mais tem nesse país.Imaginei eles tocando suas tumbadoras, seus berimbaus, e um culto todo cheio da espontaneidade baiana, da alegria do nordeste, do ritmo cheio de swing e tudo mais.Isso não é exagero não.Lá na Bahia eles são assim, é isso o que fazem, são características musicais da Bahia, não seria errado se fizessem seus cultos assim.Pra muitos daqui de onte eu sou ou de outros lugares, isso pode até soar como algo que escandalize.Afinal, onde já se viu berimbau na igreja, tumbadoras tocadas por mulatos e baianas com vestidos brancos cantando no louvor? Onde já se viu um ritmo desses tocado dentro da igreja?
Eu ia gostar demais se o culto baiano fosse assim.Eles iam gostar e tenho por certo que Deus se alegraria.Mas não foi assim que foi.Entrei na igreja e o culto começou.A igreja era grande e logo apresentaram os visitantes.Tinha uma mulher que cantava bem demais lá.A pregação foi boa e tal.Mas, foi como c eu tivesse ido num culto por aqui mesmo.Um culto em qualquer outra igreja.Não parecia bahia.
Ou eu estou errada ou a gente estabeleceu padroes de como devem ser as coisas? Crente é tudo igual em todo lugar.Cadê as características baianas que são deles, a identidade que lhes foi dada pelo próprio Deus como povo? Não que o culto tenha que ser um "Axé-Blond", mas a gente sabe que baianos são baianos oras.Só sei que não vi nada disso lá.
Praqueles que entendem o que quero dizer aqui, ainda que sem escrever muito bem e com certa dificuldade em expressar o que quero realmente dizer, digo que é fato a crise de identidade cristã vivida hoje.Não só como seguidores de Cristo, mas como povo pertencente a uma regiao.Temos sido padronizados, colocados em caixinhas.Nossos cultos são iguais em todos os lugares.Nos vestimos iguais, usamos das mesmas frases feitas de efeito e todo o resto que a gente consegue até adivinhar mesmo numa igreja onde nunca estivemos antes.
A gente precisa se achar, se conhecer como povo, como filhos.Conhecer a liberdade que temos em Deus.Entender o que é ser de fato cristão.Entender a graça e aceita-la.Aceitar que somos aceitos e só.Parar com os velhos papos, velhos mitos, velhos ritos místicos, parar com as crendices, com as superstições cristãs e viver só a verdade.A verdade de Deus pra gente, pro mundo.E assim, certos de quem somos, não seremos enganados.
Andando pelas ruas de lá, ví muitas barraquinhas com aquelas baianas de vestidos brancos que, geralmente, quase sempre, as pessoas associam que são integrantes de grupos de candomblé e todo o resto que existe na Bahia, vendendo acarajé e com placas com os dizeres: "Vida nova com Jesus"...Essas mulheres usam da barraca de acarajé como estrategia pra falar do amor de Deus praqueles que compram acarajé delas. Ví isso em algumas lojas, em barracas de muitos índios e outros lugares.As coisas tem mudado por lá.Deus tem feito o que o homem não pode fazer.É a graça.
Depois, quem sabe, falo mais de lá.

PriMeiRO DiA De AuLa



Hoje, primeiro dia de aula, fim das férias, do sussego das horas livres da noite.Canseira, sono, preguiça, ansiedade pra chegar as férias outra vez.É, apesar deu gostar da faculdade, não nego que prefiro o sussego de casa ou a liberdade de poder sair pra rua a noite.
Mas foi bom.O prof. de português leu um texto bacana de Rubem Alves.Vou posta-lo aqui e aí, quem entrar e ler, que entenda o texto.Hoje, nada falarei, deixarei que o texto fale por sí.E tbm, hoje, eu tô numa lezeeeera, como diriam os baianos!
Segue o texto!

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Marcelo Zocchio
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
Rubem Alves, 71, educador, escritor.
Site: http://www.rubemalves.com.br/ - VISITEM

Deus abençõe o ceis tudo!

O AmOr



Diante de todas as minhas tentativas em falar do amor, resolvi botar esse texto aqui antes.É um texto do Caio Fábio.Depois, em um outro texto, posterior a este, tentarei expor as idéias.Só que agora, com mais amplitude.Tomara que eu consiga! rs
Antes, que todos leiam esse texto e entendam.

O QUE É IMPORTANTE?
Ora, o que é realmente importante é apenas aquilo que seja completamente essencial à vida, sendo a própria vida em sua plenitude de expressão.
Desse modo, falamos apenas de amor!
O problema é que ao ouvirmos falar de amor pensamos em tudo, menos em amor mesmo!
Pouca gente sabe [como Forrest Gump sabia] o que amor é de fato. Amor não é desejo, nem sentimento, nem posse, nem alegria, nem felicidade, nem razão, nem nada que caiba em definição ou compreensão. Aliás, o amor não precisa de nada do que acima mencionei a fim se tornar pleno!O amor não é prático, ele é apenas simples. Não é solucionador, é amigo e solidário. Não é dono, mas naturalmente servo. Não tem razão, mas apenas existe da razão de ser: o amor.
Amar é uma decisão do entendimento do sentido da vida, o qual somente se apreende em fé e rendição ao amor de Deus, saiba a pessoa disso como “informação” ou não.
De fato, amar é graça de Deus, e, todo aquele que ama conhece a Deus. Sim! Conhece a Deus não como termo, palavra ou tentativa de definição, mas como Deus mesmo; ou seja: como amor; pois, Deus é amor.
Onde quer que você veja alguém que prefere a paz à contenda, que deseja mais a vida do que a “vitória”, que se compraza na verdade e na justiça mais do que em “conquistas”, que não se ensoberbeça e nem se torne arrogante diante de qualquer sucesso, que tenha alegria na alegria dos outros, e se condoa das dores do próximo, e que tendo como, sempre faça alguma coisa; sem jamais se tornar cínico ou blasé, e sempre reverenciando e respeitando ao próximo — saiba: aí está alguém que ama; e, portanto, é nascido de Deus, pois, ama a todo aquele que de Deus é nascido; e também a todo aquele que sendo de Deus, ainda não se fez Dele nascido.
Ora, em tal caso, não importa etnia, religião ou irreligiosidade; povo, nação, cultura ou o que seja; pois, “em todo lugar, todo aquele que teme a Deus e faz o que lhe é aceitável, é aceito por Deus, visto que Deus não faz acepção de pessoas” — conforme disse Pedro a Cornélio em Atos 10.
Aí você me pergunta:
“Mas Caio? E onde entra a pregação e a Igreja?”
Eu respondo:
Mostra-me, então, a tua “pregação” e a “tua igreja” sem amor, e, eu, sem “igreja” e sem “pregação”, com amor, te mostrarei a Pregação e a Igreja.

É um privilégio conhecer o Evangelho quando se o vive. Mas é uma desgraça saber dele para não vivê-lo, embora se admita a sua verdade.Jesus disse que muitas “obras missionárias” podem ser atividades do diabo e do inferno!Ele disse isto quando afirmou que os fariseus rodeavam o mundo querendo “clonar pessoas” à sua imagem e semelhança farisaica, tornando-as, por tal razão, duas vezes mais filhas do inferno do que eles mesmos [Mt 23].
Isto aconteceu milhões de vezes na história e está acontecendo hoje, aos milhões também, que é quando a pessoa era melhor antes de virar “cristã”.
Gente ruim, quando se “converte”, tende a ficar muito pior depois de um tempo, especialmente quando vêem na “hipocrisia” dos outros o álibi perfeito para fazer a maldade sob o manto da piedade.
Entretanto, já vi muita gente boa e simples ser enfeiada pela suposta “conversão”. É quando a religião chega para dar cabo das espontaneidades da vida sem religião, mas que era pura no exercício do amor, conforme a luz que se tinha.
É por isto que qualquer que seja a experiência com a “informação do evangelho” que não se faça acompanhar de fé, põe o individuo exposto à “informação” em estado muito pior do que o anterior. Pedro diz que é como a porca que volta à lama e o cão ao vômito.
Pouca gente sobrevive à tentação de apenas amar amando ante a “tranqüilidade” advinda da falsa segurança de fazer parte do “grupo que diz amar”.
É assim que as doutrinas e credos são criados. É assim que os concílios são inventados. É assim que organizações de amor são geradas. É assim que éticas são desenvolvidas e discutidas. É assim que uns se tornam melhores do que outros aos seus próprios olhos. É assim... — que tudo fica assim...
Para muitos o que digo é uma super-redução. Mas para quem sabe o que amor é, mesmo que seja um Forrest Gump, o que digo diz tudo o que importa na vida e aos olhos Daquele que vê.

Nele, que é apenas Amor,
Caio

Então, que a gente entenda o que é o amor, em plenitude e não em conceito ou achismo, e ame!

ATé QuE a MoRtE Os SeParE




Com a minha vó, eu aprendi que dá pra aproveitar o pão velho e duro fazendo farinha de pão.Ela também me ensinou que a gente pode por essa farinha no bolinho de carne e, além de não perdermos a farinha, esse "junta" deixa o bolinho maior...rs.Já o meu vô, ele tem um monte de ditados criados por ele pra concientizar a gente ou nos deixar sem resposta quando a gente pergunta alguma coisa pra ele.
As vezes, ele faz uns puns de dar medo, daqueles altos que a gente ouve de longe. E segue o diálogo:
...Próoooêeeemmmm... - Oloco, que que é isso, Vô? - Que foi? Não faz desse? Então pega esse que tá feito!
Aí, a gente pensa e não sabe o que responder.Os dois dão risada e termina a cena.É sempre muito engraçado.rs
Pras vezes em que a gente sai de algum canto da casa sem apagar a luz, ele sempre solta essa:
-A luz que o ceis apaga, o Vô num paga!
É meio chavez!(A vingança nunca é plena.Mata a alma e envenena) rsAh, é a melhor campanha de concientização sobre o consumo de energia que eu já ví. rs...E funciona de verdade!
Hoje, o meu vô e minha vó, saem juntos pra lá e pra cá.Meu vô descolou um rádio amador pra ele e agora, com essa tal "internet da terceira idade", eles sempre tem algum compromisso com mais uma galera de uma assossiação aí.Pelo rádio amador, eles combinam tudo: churrascos, festas juninas, reuniões e saídas durante a semana.Num dia desses, eles chegaram em casa já era quase madrugada.Quando perguntei, disseram que estavam numa lanchonete em uma cidade vizinha. Dei risada demais!Foi engraçado, e fiquei feliz por eles!Eles descobriram de novo, só que numa idade melhor, que chegar tarde em casa ainda é uma aventura e tanto.rs
Meu vô e minha vó, juntos, é risada na certa.rs Minha vó é uma mulher sem frescuras, sem preguiça.Gosta de conversar, ver novela e paparicar os netos.Me lembro das noites em que dormia na cama dela com ela e meu avô.Ela sempre levava leite quente com nescau, ou gelado e com groselha, na cama e contava histórias.Tem duas que eu não esqueço.A do pintinho que dizia que O céu estava caindo e a do lobo que morreu de frio.Quase todas as noites, eram as mesmas histórias.Era bom ouvir.Todos na cama de colcha verde. Ah, e quando eu não sabia do que brincar, minha vó sugeria: "Quer brincar de botão?"...eu dizia que sim e ela já pegava os botões de roupa que ela tinha guardado e jogava na cama com um monte de potinhos.Eu passava a tarde toda brincando de botão.Não tinha nada de mais, mas eu gostava muitão de brincar de botão.E minha vó, sempre sugeria.rs
Com meu avô, já foram muitas as tardes de pescaria.Quantas e quantas vezes já não saímos pescar juntos.As vezes, passavamos a tarde toda pescando, e o único peixe que viamos era o peixe frito da porção que vendia na lanchonete.Comíamos peixe e bebiamos refrigerante.Voltava-mos pra casa sem qualquer peixe nas mãos.Mas muitas também foram as vezes em que voltamos cheios deles.Tantos, que comia-mos peixe quase que a semana toda até acabarmos com eles.Sem contar os que davamos embora...rs.Meu vô me ensinou que dá pra pescar com jabuticaba e que a gente precisa lançar a linha direito pra não embolar a carretilha.Também dá pra lembrar das noites jogando dominó e baralho com meu vô.Ele ganhava todas, mas o que valia era a graça de tentar ganhar dele.
Minha vó, todos os dias quando acorda, ela lê a bíblia.Meu vô, todos os dias quando acorda, vai buscar pão. Minha vó gosta das novelas da record e desenhos da cultura.Meu avô, assiste programas como cidade a lerta e filmes. Aprendo demais com eles. Acho que as avós e os avôs são presente de Deus pra gente.Com eles, a gente vê que a vida nunca foi fácil, mas que nem por isso não vale viver toda ela.É muita história pra contar, pra ouvir.Eles já não tem grandes anseios por aqui, desejam pouca coisa.A maioria dos desejos são relacionados ao sussego.Os anos de trabalho duro pra criar os filhos, já se foram. Todo o desgaste de uma vida inteira estão expostos nos rostos envelhecidos, mas que não deixam de ser belos.Hoje, aos seus 60 e tantos anos, os dois vivem um pouco da criança que ainda existe dentro deles e eu, os ólho desejando chegar aonde hoje eles estão.Meu avô me ensinou que a velhice é boa pelo simples fato de poder ser velho um dia.Ele sempre diz: eu sou velho e quero ver quem também vai conseguir ser. É mais pura verdade.Ser jovem não é dificil.Dificil é conseguir ser velho.Quero chegar lá, e com um véinho do meu lado!rs...
Essa tem sido uma de minhas espectativas...haha...quero casar, minha gente, quem não quer?rs...E assim, como o meu vô certamente foi quem tomou a iniciativa de falar com a minha vó, eu ainda acredito nessa cordialidade e cavalherismo que antecede o namoro, o noivado e a união do casamento.Creio que é assim que precisa ser.E isso não é cindrome de cinderela, feminismo ou até machismo da minha parte.Foi assim que foi feito: o homem toma a iniciativa e a mulher, ela espera a iniciativa. Há quem diga, hoje, que o casamento é uma instituição falida.E mesmo diante de tantas demonstrações desastrosas de casamentos por aí, ainda assim, creio no casório.É sempre a 3 que se faz a união.Deus, homem e mulher.Como a trindade.E faz toda a diferença se Deus está na história. Esses dias, numa conversa, falavamos de casório.Tava todo mundo zuando sobre correr atrás do prejuízo pra casar logo, pq, c não casar aqui, no céu num vai ter casório, não!E aí, vieram as outras avacalhações e alguém disse: "É, quem não casar e for pro céu solteiro, vai tocar harca pra sempre!" Rendeu risada pra caramba esse papo! Num culto de domingo, o pastor falava sobre MARATANA. Avacalhação de novo: "Maranata? Só depois que eu casar!"...É, ninguém tá afim de cantar no coral dos virgens lá no céu, não! rs Nos relacionamentos, a gente precisa entender os limites um do outro e se conhecer.É assim que a gente descobre as coisas admiraveis e também todas as infantilidades comportamentais.Então, no amor, que é o que nos dá a aceitação do outro e nos faz aceitar de maneira recíproca, é que a gente cria laços dentro do peito.Ele, aquele que a chamará para passear de mãos dadas num dia de sol e que entenderá quando ela estiver numa crise corportamental, seja por TPM, ou não.Ela, aquela que não se chateará quando ele preferir ficar em casa do que ir ao shopping.Ele, aquele que não preferirá estar sempre em outros lugares sempre ao invés de estar ao lado dela.Ela, aquela que respeitará o espaço dele sem ser fria e distante ou o sufocar demais. Assim, num equilibrio direcionado, com o amor que é dom de Deus,é que se faz então,de dois, um. Sem apetrechos evangelicos bilotalos, sem mistificação de sentimentos que sufocam a gente.Só o que são, pra envelhecerem juntos, e depois, o céu!
Ah, tem um tanto de coisas na minha cabeça agora, mas as idéias não estão muito bem organizadas.Quando estiverem, falarei mais!Que Deus abençoe a gente, os casórios e nossos tempos junto com aqueles que tudo viveram e que da vida agora, só esperam o sussego.

FaÇa BaRuLhO! ÍnDiO TamBéM é GeNte



A Jocum, na amazônia, desenvolve diversos projetos nas tribos indigênas.Nada de catequização, não!É muito mais o relacionamento e a ajuda com algumas coisas.Sempre pregando o evangelho, mas sem pressão ou imposição e invasão na cultura. A Jocum, vive com um tanto de gente chata no pé por conta de ter envolvimento com essas tribos.A Funai, os antropologos e mais uma galera do governo, tentam de todo jeito tirar eles de lá.Eles dizem que a Jocum está destruindo e interferindo na cultura indigêna, e dizem isso por causa da luta e projetos que a jocum desenvolve na luta contra o infanticídio. O infanticídio é uma prática religiosa que existe em algumas das muitas tribos indígenas aqui no Brasil, onde as crianças que nascem com problemas mentais ou físicos, as que são filhas de mães solteiras e que nascem gêmeas, são enterradas vivas numa cova, e de outros jeitos também, onde morrem por asfixia por serem consideradas como maldição para a tribo. Pra quem conhece a história da india Hakani, sabe que ela só foi salva da morte porque um casal de missionários da Jocum a levaram pra fora da tribo e trataram ela em hospitais.Ela sofria de desnutrição e por isso, aos 2 anos de idade, não andava e nem falava, o que a fez ser considerada maldição para a tribo e ter a condenação ao soterramento.Mas ela foi resgatada da cova que foi posta e, mesmo depois de ter levado uma flechada que quase acertou seu coração, ela sobreviveu até os seus 5 anos na tribo.Mas vivia abandonada, bebendo agua da chuva e comendo insetos, folhas e restos de comida que seu irmao conseguia levar para ela.Até que foi resgatata pelos misisonários. Hoje, a hakani tem 12 anos e foi adotada pelo casal de missionários que a salvaram, os Suzuki's.Foi criado uma ONG, formada por missionários jocumeiros, inclusive pelos pais da Hakani que, além de missionários, tbm são antropologos.Essa ong se chama Atini e, juntamente com um diretor de cinema, produziram um documentario para denunciar e combater o infanticidio nas tribos. Esse documentario tem causado grande alvoroço com os grandes politicos e líderes da Funai e antropologos.Eles alegam que o video é criminoso por mostrar a pratica do infanticidio e querem que a jocum seja processada por isso.A jocum e a Atini estão na luta pela aprovação de uma lei que dá liberdade a luta contra o infanticidio.Mas essa lei ainda não foi aprovada e é preciso o maximo de apoio possivel de todos quantos puderem ajudar. Pra cultura indigena, um ser humano só é considerado como gente quando ele é aceito na sociedade indigena, quando ele é aceito pela tribo.Do contrario, é como se uma criança não fosse gente.Com esse entendimento é que eles praticam o infanticidio e que a antropologia e os orgãos "defensores" indigenas dizem que o infanticidio nas tribos não é desumano. A Jocum defende a idéia de que, antes de qualquer pratica, tradição, crença ou costume cultural, vem a vida.O direito a vida deve ser defendido primeiro, e depois a cultura.E ainda, entendendo que a cultura é algo mutavél, é que a Jocum luta contra o infanticidio.A cultura muda, e a vida não deve ser condenada e sufocada por causa dela. O que a Jocum faz não é interferir ou querer urbanizar a cultura dos indios, mas proteger e lutar em favor da vida. A cultura deve ser respeitada desde que não des-respeite a vida. O bafafá maior se dá por conta de ser uma ONG cristã.Caso não fosse, talvez ninguém nem ligasse.Existem muitas outras ONG's que estão no meio das tribos na amazônia e em outros cantos do país, nem todas são cristãs, mas a única citada sempre, é a Jocum. No Brasil, minha gente, índio não é gente, é propriedade do estado.Ah, e quem derá o problema dos indios fossem as ongs religiosas e a Jocum, como alegam os antropólogos.Com a jocum, as crianças das tribos enfrentam o "trauma" de ter que viver a vida que lhes é de direito.As ongs estao acabando com as cultura de infanticídio das tribos e salvando as crianças da morte.E eles ainda dizem que estão acabando com a cultura indigena.Ok, vamos deixar que as crianças morram soterradas. Esse assunto tem maior repercussão por serem ongs religiosas do que por mostrar a prática do infanticídio num filme. A FUNAI não salvou a Hakani.A FUNAI e os antropólogos dizem que é preciso respeitar a cultura indígena. Concordo, desde que a cultura não desrespeite a vida. Talvez, seja por isso que as meninas são mutiladas nos países mulçumanos: Cultura. Não importa se, por causa dessa cultura, elas morrerão de hemorragia ou deixarão de poder ter filhos, não importa se serão apenas como objetos sexuais do prazer masculino sem o direito de desfrutar do prazer que deveriam ter no casamento que lhe deveria trazer segurança, amor e afeto ao invez de servir só como lembranças de um trauma de infância.Mas a cultura diz que é assim. Toda cultura muda e precisa ser mudada quando não dá direito e respeito a vida. Ah, mas quase me esqueci: Indio é propriedade do estado, e não gente como a gente. Indio não pode pegar ônibus porque não é cidadão. Indio não tem direito a aposentadoria e nem ao bolsa escola.Indio nasce e morre como indigente.Indio não é gente, pro governo não ter que dar escola, saúde, transporte e lazer. Se indios morassem em apartamentos e jogassem suas crianças das janelas, ninguém ligaria.São indigenas, não são gente e tem uma cultura que deve ser respeitada.Então, nada de escândalos pelas crianças jogadas pelas janelas.Ou ainda, se arrastassem os seus meninos pelas ruas das cidades, presos ao cinto de segurança dos carros, se é cultura, deixe que o façam. Acabar com a cultura "Nardoni Indigena", que não jogam das janelas, mas que sufocam a vida inocente, é papel da gente que, como cristão, devemos lutar pelos que são massacrados sem dó por um conceito cultural besta e mediocre que nada tem com Cristo. Indio é gente, e tem tanto direito a vida quanto qualquer outro. O que você tem haver com isso: A gente, com o espírito inconformado, tá tentando contato com as igrejas que a gente conseguir, pra divulgar o projeto da Atini e conseguir apoio na luta pela aprovação da lei, além de muita oração de todos. A nossa tentativa é de, através da divulgação, que mais gente se inconforme e aja, pra que, juntos, a gente faça mais do que temos feito em favor do reino de Deus em que estamos envolvidos.Dá pra fazer missões ajudando quem já tá lá fazendo o que pode por quem nada pode fazer por sí próprio. Se somos pate de um mesmo corpo e se alguma relação temos com Cristo, então, temos tudo haver com isso.Eu, você e todos quantos se dizem cristãos e com anseio de pregar as palavras que dão vida pra quem tem vivido a morte.Nisso, a gente se relaciona e conhece mais Aquele que é vida pra nós. Não seja indiferente, mas tomado de amor, aja com amor dentro do peito pelos que nada têm nessa terra além da pouca terra que agora tem pra viver.O amor gera atitude.O amor é o que dá vida.A indiferença mata.Aquele que morreu por nós e por todos esses que estão espalhados pelas matas, agiu por amor e deu vida pra que a gente entendesse que a vida só é vida quando é com Ele. A gente tá aqui, com disposição, pra fazer barulho nessa terra em prol desse projeto de aprovação de lei.Queremos divulgar aonde der.Se rolar de divulgar ai na sua igreja, nos avise e a gente tenta se acertar.A gente vai entrar em tudo quanto é igreja que nos abrirem as portas, pra falar disso.Faça contato, converse na sua igreja, fale com o seu pastor, lideres, com quem mais precisar falar.A gente tenta agendar de ir até aí e falar.Se não, faça parceria com a gente, a gente explica tudo e vocês podem dizer na igreja.Até arranjamos o video "Hakani" pra ser passado num culto.Seria legal envolver a igreja toda e explicar bem do que se trata.Mas se for só os jovens, já ajuda.Se rolar de ofertar, que seja com o coração cheio de paz e com amor. Se alguma coisa você tem com Cristo, então, você tem muito com esses que são tão semelhantes a Deus quanto você.Que o espírito de Deus te incomode pra caramba, pra que você se inconforme e faça o que somos chamados a fazer. Deus abençõe você, sua igreja e a gente aqui, e todos os que estão espalhados por essa terra que junto com a gente, são povo de Deus. Nele, que é quem dá sentido e faz valer a pena!

Vejam o trailer do documentário: http://youtube.com/watch?v=RbjRU6_Zj0U
Visitem, se informem e se inconformem:
- http://vozpelavida.blogspot.com/
- http://www.atini.org/
- http://www.hakani.org/pt/

Lei Muwaji : http://vozpelavida.blogspot.com/2007/06/lei-muwaji-projeto-de-lei-1057.html

ViaGenS, CaSaRãO, Eu, EleS, Ele!


Sexta-feira (04/07/08), eu fui viajar! É, foi uma dessas viagens pras cidades vizinhas, sabe?!rs Na sexta, passei a tarde vendo horários de ônibus pra ir e pra voltar.Eu ia pra Mogi-Guaçu, uma cidade da boa, muito mais pelos que lá moram do que por qualquer outra coisa.Pra ir, existem 3 jeitos: Por Campinas, por Limeira e por Eng. Coelho...depois, dessas cidades, é que se pega o ônibus pra Mogi-Guaçu.Ha, eu sabia todos os horários de ônibus pra ir e voltar por limeira e campinas, menos por Eng. Coelho...e foi por lá que eu fui.Eu e mais uma viajante que topou ir comigo.Chegamos na rodoviaria e o ônibus pra Eng. já tinha saido.Era o último.Fomos pra Arthur Nogueira correndo(de carro, claro) pra pegar ele(o ônibus) na rodoviária de lá, já que ele fazia paradas em várias cidades, inclusive lá.Milagre!Pegamos ele!O bom foi que pagamos mais barato, e nem pagamos a gasolina do carro.
Agora, metade do caminho já estava garantido.Faltava a outra metade e talvez, a mais importante.Chegamos na rodoviaria de Eng. as 19h45min. e o ônibus pra Mogi-Guaçu saia as 19h40min. de lá. Milagre outra vez!O ônibus atrasou e chegou 1 minuto depois de nós.Pegamos ele!Agora, com muito mais traquilidade, fomos conversando durante a viagem certas de que chegaríamos lá.Ah, eu junto com a Mah, viajamos a viagem mais imprevisível do fim de semana e ela, por confiar em mim, quase durmiu na rodoviaria.rs...De todo jeito, Deus é quem cuidou da gente o tempo todo, desde o começo.
Ainda lá em Mogi Guaçu, no sábado, a gente foi numa festa junina dos mundrungos, lá no Casarão.Já faz quase 1 ano que uma galera da Presbiteriana de lá, trabalha com eles fazendo reuniões as segundas-feiras a noite e, no enteanto, foi só no dia da festa que eles finalmente tiveram luz elétrica.Até então, era tudo no escuro.
Pra isso, eles trabalharam e compraram o post de luz.Foi com o suor deles, os mundrungos, e com a graça de Deus que deu pra comprar o poste.Lá, eles recebem ajuda da galera da igreja.Mas não a ajuda que só os mantém na "mendiguera", mas, além de muita oração, eles são incentivados a trabalhar pra conseguir as coisas que precisam, porque é isso que trás de volta a dignidade e a reintegração na sociedade.Se a gente só der comida na boca, aí não vira nada.Inclusão social é a idéia.
Ah, quando cheguei naquele lugar, eu, junto com a minha timidez, fui andando como que de encontro com umas mulheres que eram as moradoras do casarão.Se não me engano, uma delas se chamava D. Cida, mas não tenho certeza se esse é o nome dela.Tenho dificuldades pra gravar nomes.Mas eu sei bem o abraço que recebi dela, e esse eu não esqueci, não.Ela era menor que eu e nunca tinha me visto.Mas me abraçou como se eu fosse uma filha que acabará de chegar de viagem depois de passar um longo tempo fora de casa.Foi como um abraço de quem sente saudade.Foi um abraço longo e apertado, daqueles que a gente não quer mais soltar.Depois disso, ela me deu boas vindas de um jeito que a minha presença parecia tão importante ali.A timidez passou, me senti em casa, como se eu pertencesse a aquele lugar de algum jeito.
Sentamos numas cadeiras, quase embaixo do telhado da pequena area que fica em frente a cozinha, e comemos arroz caramelizado e batemos um papo.Levamos um susto quando soltaram os rojões e, as galinhas que estavam no telhado da área, por causa do barulho, se assustaram e voaram por cima de nossas cabeças soltando pena pra todo que é lado.Ah, aquelas galinhas cagavam de medo dos rojões e por isso, a gente ficava na espreita a cada estrondo por medo da cagada ser no literal.Foi engraçado!A festa foi da boa, e eu ainda consigo sentir o abraço da D. Cida.E eu sei que, antes, ela sentiu o abraço de Deus apertar a alma e aquecer o espírito dela.E agora, a luz que mais ilumina o casarão, não é a elétrica, mas aquela que vem de Deus pra nós.
Ah, foi um bom fim de semana.Daqueles que a gente não quer que termine nunca mais.Junto daqueles que fazem diferença na minha vida.As piadas mais idiotas, as risadas mais gostosas, os abraços mais pertados, as histórias mais engraçadas, a gente compartilha, rí e cresce junto.Até o beijo na mão, o grito no capacete, o amor a primeira vista, os papos constrangedores do coração, mas que rendem risadas e uma vontade imensa de ter um saco de pão pra botar na cabeça...haha...as afinidades e as "des-afinidades", mas que nos deixam sempre muito parecidos e diferentes, que nos faz querer estar juntos pra sempre.
E nessa hora que eu penso que o céu vai ser legal pra caramba.Que vai ser muito melhor encontrar com Jesus tendo eles perto de mim.Com eles, o céu se torna mais interessante e dá vontade de junta um tanto mais de gente pra ir pra lá também.Ah, eles, e mais os daqui da cidade universo, me fazer crer que nem tudo está perdido, que ainda existe gente séria que sabe bem o que é o cristianismo genuíno e que tudo tem haver com Cristo.A gente falha juntos e cresce juntos, assim, a gente caminha com mais força sabendo que tem gente que tá junto da gente pra nos carregar toda vez que acontece um tropeço ou uma queda, onde a gente esfola os joelhos e rala as palmas das mãos.E ainda que eu desfigure o meu rosto, eles me olharão do mesmo jeito porque sabem bem quem eu sou.
Aí eu lembro que Deus, mais que eles, não me despreza, e me ama com o amor de um Pai que abraça o filho depois da maior cagada que ele fez.As vezes, me sinto como o flho pródigo: Pego o que Ele me dá, o que é Dele pra mim, e corro, achando que jamais se acabará.E é quando eu caio junto aos porcos que eu me lembro que, o que Ele me dá só permanece quando eu estou nos aconchegos da casa do meu Pai.E nesse abrigo, nesse refugio, é que eu sinto o limpar da alma, a aceitação daquEle que é pra mim o sentido de todas as coisas.E assim, eu sei que, ainda peregrina, não faltará, junto dEle.E a gente caminha juntos, Ele e Eu, Eu e Ele...O Meu Pai, que afirma quem eu sou e por isso, não estou mais enganada.
Desse jeito, o pouco amor que sei amar, na imperfeição e miséria que sou, eu sei que em muito se transformará por causa do amor dEle por mim.E por isso, ainda que pouca seja a minha força, é com toda ela, que eu O amo!

PuLPitO, LeiTe QueNtE e GeNtE QuE NeM a GeNte


No último sábado(14/06/08), eu estava parada em pé atrás de um pulpito.Não era desses chiquetosos, não.Ele parece mais um pedestal de madeira, mas só que com lugar pra gente por a bíblia.Eu tava lá tentando falar alguma coisa, porque, há uns 3 finais de semanas atrás, eu recebi um tal convite pra "pregar" no culto de sábado pra moçada.O problema surgiu logo no ínico: "Pregar". Eu não sei fazer isso não.Isso deve ser pros grandes, e eu, ah, eu sou só alguém que tá aprendendo a não atrapalhar tanto as andanças que O menino Jesus tá fazendo por aqui.Então, me resolvi de que umas palavras já estava bom.O duro era sobre o que falar!Com o tanto de coisas que eu tenho aprendido ultimamente, pensei logo em falar sobre elas, já que tô aprendendo, alguma coisa eu saberia dizer.Mas não deu jeito não.Falei de outra coisa.
Como diria um certo "grunge" que agora tá lá pros exterior: "com presbiteriano, Deus só fala uma vez por ano! O resto, é calvino quem fala!". Isso me deixou realmente com medo, porque, além de presbiteriana, EU não entendo a lingua que Calvino falava.o.O...Mas, pra minha sorte, surgiu o que falar.Não teve nada de faroletes de anjos na minha cara e nem me baixou um espírito que me fizesse engatinhar por aí.Mas veio forte no coração as palavras que não poderiam vir de mim, e eu entendi que vinha de Deus.Eu acho que é assim que Deus fala com os presbiterianos, com o aperto no peito e com a certeza que a gente sente de que aquilo precisa ser dito.Ou talvez, é assim que Deus fala comigo.
Nesse desafio todo aí, eu até que consegui não engasgar tanto e não atropelar muito as palavras.É bem atípico pra mim.Mas o desafio maior é pq eu fui lá na frente falar pra um monte de gente que me conhece, que sabe das minhas falhas, da minha vida.E falar pra eles é bem mais dificil porque, só faz sentido se eu falar dos meus erros com sinceridade.Já que eles me conhecem, não há como esconder e muito menos falar do que não é verdade em mim.Não que se não fosse pra eles, seria diferente, mas é que com eles não tem enrolação, não tem frescura.Eu disse o que todo mundo já sabia, mas que precisava ser dito pra gente acordar.E eles sabem, e eu sei, que era verdade de Deus pra gente.
Sábado passado eu não preguei não.Foi mais uma conversa sobre o que tava pesando no coração.E eu sei que eles entenderam.Mas não porque eu disse, mas porque eles sabem, assim como eu, que é verdade.E Aquele que testifica em nós as palavras que são ouvidas é o mesmo que nos faz entender que a mudança precisa contecer.E é agora, de dentro pra fora, pra ter efeito nessa terra passageira.
Falando em de dentro pra fora.No mesmo sábado da "pregação do poder", nós fomos levar blusa e leite quente pros mundrungos da rua.É engraçado como eles se relacionam entre eles.É sempre na sinceridade, não tem confete, não!É tudo na lata, sem frescuras.E eles tratam a gente com uma reverência que a gente não merece, mas que nos faz ver neles a dignidade e humanidade que falta nesse mundo e na gente.
Tinha uma mulher lá, de 25 anos, que faz aniversário agora dia 19/06, ela levou uma garrafada de um tal de azeitona esses dias e tá cega de um olho(foi o que ela disse e, além de inxado, ela tolo o dedo no olho ruim de um jeito que ele não parecia ter vida msmo.), ela tbm tava contando que um morador de rua aí ganhou um kilo de linguíça não sei de quem.Ela ficou meio indignada porque, segundo ela, ele é o morador mais feio dessa terra e como que ele ganhou esse rango e ela não?. Eu dei risada demais com ela e, ao mesmo tempo, pensei em como é que pode existir tanta indiferença com ela, com eles todos.Eles são gente como a gente, vieram do mesmo lugar, são imagem e semelhança de Deus.Se isso não conta, então, o que conta?
Tinha um outro senhor junto com ela.Ele mora na rua e tava passando em frente a "casa" dela(a "area" de uma igreja que fica ao lado dos correios aqui em cosmópolis)...aí, ela chamou ele pra domir lá tbm pq ela tava com medo de durmir sozinha.Esse senhor me fez lembrar o meu vô.Um típico senhor que gosta de uma boa pescaria e de um papo no fim de tarde.Ele tbm tomou do leite,ams não quis blusa.Disse que tava bom já.
Batemos um bom papo com eles e com outros que tavam perambulando pela cidade a fora.Levamos o leite quente e as blusas de frio.É até bonito de se ver.Mas só esquenta de verdade e faz algum sentido e diferença se junto houver o amor em nós, pra eles.
É assim que vale a pena!É assim que a gente é mais imagem e semelhança de Deus.quando a gente entende que eles são iguais a nós.
Que o amor mate a indiferença de dentro do nosso peito e que todo descaso nos faça sangrar cada vez que um mundrungo gemer de frio, dor, solidão, rancor ou fome.
É assim, sentindo a dor deles doer na gente, que a gente se sente mais gente e faz eles, que são gente quem nem a gente, se sentirem gente outra vez.
Aquele que morreu a morte da gente pra que toda a gente pudesse ser gente igual e com Ele, é O que faz a gnt entender que vale a pena!Existe vida junto de quem é vida pra nós!
Que o vento do amor de Deus sopre, não importa pra que lugar, A direção Ele sabe!E é tudo o que a gente precisa saber!

O QuE LhE FaLTa



O musgo verde que se formou entre os dedos do pés e o cheiro fedorento do corpo mostram o que lhe falta!Um banho?
Os trocados postos presos na calcinha, os homens que consomem seu corpo e lhe passam a mão, mostram o que lhe falta!Vergonha na cara?
A voz afeminada, os trajes de mulher, as proteses de silicone, os trejeitos desmunhecados, mostram o que lhe falta!Uma surra bem dada?
A arma na cintura, os papelotes no bolso, os corpos no chão, o chinelo nos pés, mostram o que lhe falta!Cadeira elétrica e tiros na cara?
O que falta é amor!O amor da gente pra eles, com eles, que gera amor deles pra nós, deles pra eles, deles com eles, deles e nós!
O amor da gente pra limpar o musgo dos pés que já foram lavados por Ele.O amor da gente pra tirar o mau cheiro de quem tem muito mais semelhanças de Cristo do que só a "des-formosura"!O amor da gente pra tirar da aflição o corpo que é muitas vezes de todos, por falta compaixão.E o que mais prostitui é o que compra a prostituição!E a negligência é acobertar a propina que financia essa escravidão.
O amor na gente, pra abraçar bem forte aquele que foi rejeitado dentro de casa por incompreensão.Incompreensão não de quem rejeitou, porque nesses o que falta é amor.Mas incompreensão desses que acreditaram ter uma identidade contraria a sua natureza por desconhecerem quem eles são.O amor na gente e da gente, pra descarregar a indiferença e dizer que não vale matar as pessoas.Que não vale viciar os meninos pequenos e nem os adolescentes.Que não vale abusar das meninas e que as mães e avós não querem deixar de serem mães e avós tão cedo.
É, o que lhes falta é amor.Mas só lhes falta porque falta em nós.
O amor morto em nós nos mata e mata junto com a gente aqueles que precisam do amor.E quem mata não é o amor ou a morte do amor, mas nós, que o sufocamos florescemos indiferença.
Que Deus te incomode pra caramba e que faça diferença dentro do teu peito o amor daquele que morreu por amor e que venceu a indiferença que mata aqui nessa terra, e que matou a morte pra gente entender que a vida só é vida quando é com Ele!E assim, nesse amor, a gente entende que os nossos dias só valem a pena junto dEle e de um tanto mais de gente espalhada por aí nos becos ou nas ruas, orfanatos ou nos países do oriente, nas ruas de São Paulo ou nas escadas do planato, e que não importa quantos anos se passem ou se completem...Só tem graça chegar na velhice se a gente puder olhar pra tras e contar uma boa história da vida que a gente descobriu ajoelhados aos pés da cruz de onde caiu o sangue sobre nossas cabeças e que lavou os nossos pecados de um jeito que a gente já não precisa de nenhum outro se não o Próprio Deus.
E assim, o Céu fica maior pra botar toda essa gente lá dentro, e ao mesmo tempo menor, pra ficar todo mundo perto reconhecendo um a cara do outro e dizendo: Valeu pelo amor!Que os seus dias sejam assim, com graça, na graça, com o calor do amor de quem te amou.E que esse amor queime dentro do peito pra fazer aquilo que aquece a alma do desalmado e que tira os corpos lançados ao relento e ao frio da vida infernal da desgraça.Porque mais desgraçado é aquele que se recusa a amar e sufoca o amor.
O que lhes falta é o que te tem faltado à tempos!
O que lhes mata é o que te falta!
E sobra tanta falta!